A eleição para presidente da República este ano apresentará resultado revelador inusitado, ou seja: destaque para o perdedor. Não há qualquer incoerência nessa afirmação. Há muito mais em jogo do que levar o cetro para o Palácio da Alvorada. Há a possibilidade de um fim de carreira claudicante para o derrotado nas urnas. Afinal, desenha-se um novo quadro político no Congresso Nacional com indícios de novos tempos para o destino da República. Vale dizer, para a sociedade brasileira! A partir de agora siglas políticas pouco ou nada representarão e, ao que se possa imaginar, ideologias deverão aflorar com força em busca de um lugar ao sol.

De um lado, identifica-se aquele candidato que neste segundo turno esconde-se atrás de uma falsa imagem, desdenhando as cores e sigla de seu Partido – reconhecido por todos durante mais de trinta anos – para apresentar-se diferente do que realmente é e camuflar os ideais que comunga e defende. Deixou cair a máscara com que tentava se identificar perante o eleitorado negligenciando a própria imagem, personalidade e convicções. Pior, parece recear ser identificado com a realidade defendida por sua agremiação no momento crucial da disputa. Para um Partido que sempre se orgulhou de – e defendeu – princípios e crenças com unhas e dentes, a reviravolta surpreende a todos. Quase todos!

Por outro lado, seu oponente apresenta-se como o cavaleiro da esperança, de lança em punho, enfrentando tudo e a todos, sem cores marcantes em sua indumentária nem siglas conhecidas em sua contenda. Com índices de rejeição elevados – a exemplo de seu oponente – e exposto a manifestações explicitas durante sua vida pública que em nada contribuem para sua imagem de defensor da moralidade, princípios e valores, arregimenta, apesar de tudo, impressionantes contingentes que nele imaginam ver o despertar de uma nova aurora. Poderá não ser assim! Mas, para os que nele acreditam, citando o folclórico deputado federal – reeleito – Tiririca, “pior que está não pode ficar”!

Sendo essa uma eleição atípica – se é que podemos qualificar qualquer eleição de típica, dado que o tempo é o senhor das mutações – a democracia, de que tanto se fala ultimamente, estará a ser comprovada mais uma vez. Afinal, segundo o índice de democracia elaborado pela Economist Intelligence Unit, a maior parte dos países da América Latina é classificada como Democracias imperfeitas ou Regimes híbridos. O que quer que isso venha significar…

Assim, é aguardar para conferir.