“A desinformação deliberada ou involuntária que visa ao descrédito há de ser combatida com informação responsável e objetiva, tudo com a transparência que exige um estado democrático de direito. A Justiça Eleitoral não enfrenta “boatos com boatos” e avaliou que há um tempo para uma resposta em respeito ao devido processo legal.”

Esta foi uma das colocações feitas pela presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Rosa Weber, em entrevista à imprensa, domingo passado, em face do turbilhão de “fake news” e revelações de que as campanhas eleitorais para a presidência da República estariam infectadas pelo envio em massa de mensagens por WhatsApp, usando a base de terceiros. E o brasileiro médio descobre, então, que se encontra diante de fato novo – e contundente – agora incorporado à sua vida política. E, não menos, pessoal!

O que chamávamos de boato – palavra que vem do latim “boatus” (“mugido, berro do boi”) – passou a ser conhecido por aqui como “fake news”, mais charmoso, depois do escândalo cibernético ocorrido nos Estados Unidos da América quando três agências russas teriam espalhado informações falsas na internet e influenciado as eleições norte-americanas de 2016.

O fato é que a tecnologia da informação, alimentando as mídias sociais com verdadeira enxurrada de artifícios a todo instante, tornou o cidadão comum refém de mercados consumidores, haja vista que sua privacidade deixou de existir por completo. Você e eu somos “vistos” cada vez que manifestamos interesse na internet por qualquer assunto ou, ainda, preferência por algum produto. Fomos transformados em presas fáceis, indefesas, desnudas, perante sofisticados sistemas desenvolvidos a “la Google”.

Distâncias geográficas desapareceram e os tentáculos dos agentes com “mil olhos” passaram a estar presentes na tela de seu smartphone, tablet ou computador sem que você o saiba. Uma nova cultura foi (está) introduzida em sociedades de todas as nacionalidades e etnias nessa que poderíamos classificar de terceira guerra mundial: a da desinformação. O inimigo invisível aos olhos de mortais como você e eu nos condenou à submissão de sua vontade.

Com a sistematização de atos e atividades pela tecnologia – independente de nossa vontade – ingressamos em uma Era que tenta robotizar entes pensantes tornando-os reféns de uma inteligência artificial. O que estamos presenciando nessa eleição é apenas a ponta do iceberg.

A hipercomunicação gerada pelas redes sociais está a mudar o perfil da sociedade de maneira quase invisível, imperceptível, furtivamente. Assim, acredito que corremos o risco de, no futuro, nos tornarmos apenas um CPF de um mundo virtual.