Os momentos mais críticos na aviação estão na decolagem e pouso de aeronaves. Passageiros, em geral, desconhecem os complexos procedimentos que ocorrem na cabine de comando onde comandante e copiloto interagem juntamente com a torre de controle tanto em terra como no ar.

Desde o “check-list” dos equipamentos eletrônicos e mecânicos – sem qualquer vacilo ou omissão, a ser cumprido com precisão cirúrgica – até a perfeita compreensão das mensagens trocadas, seja lá em que idioma for. Mensagens precisas e compreensíveis entre os pilotos na cabine e entre estes e as torres de controle de tráfego aéreo, são vitais para a segurança de qualquer voo. Muitos acidentes ocorreram – não raro com vítimas fatais em grande número – por falhas na comunicação.

Após cada acidente, com causas devidamente identificadas, a aviação se torna mais segura dado o rigor nas investigações. Nem por isso deixa de cobrar um preço maior por erros humanos, de projeto, de fabricação ou manutenção de aeronaves. Um aprendizado doloroso apesar de, quando fatais, expressarem números chocantes dado o número de passageiros em aviões que podem transportar até mais de 800 passageiros. É o caso do Superjumbo.

O momento político que estamos a viver no país guarda certa semelhança com os “ares” da aviação! Um governo que termina melancolicamente, desaparecido no radar, em pane desde há muito, abre suas caixas pretas para uma nova tripulação.

Período de grandes definições que exigem correção de planos de voo e revisão na capacidade de carga da aeronave que se encontra “estolando” (quando a aeronave entra em velocidade na qual perde a sustentação). Tripulações bem formadas, profissionais, estão a contribuir para a redefinição de rotas visando a otimização desse Superjumbo verde-amarelo com hangar em Brasília.

O planejamento dos voos – que ultrapassam nossas fronteiras – merece atenção redobrada para que o idioma seja entendido por todos, não apenas nesta fase de “briefing” (coleta de dados passados em uma reunião para o desenvolvimento de um trabalho) mas, também, quando atingido o voo de cruzeiro.

A pista para decolagem é curta e aquelas para escalas não menos perigosas. Assim, todos os instrumentos e cartas disponíveis deverão estar em condições de serem lidos e compreendidos em situações de emergência. Se soar o sinal de alarme os ajustes deverão ser automáticos, sem improvisação. O fator tempo é vital para evitar catástrofes no percurso.

A aviação tem muito a ensinar na condução do país!

Assim, desejamos ao novo governo uma decolagem perfeita e voo seguro apesar das turbulências à frente. Os passageiros agradecem.