Não é novidade que a evolução meteórica dos acontecimentos nos deixa perplexos quando damos um “stop” para processar a quantas andamos. Penso que – assim como o envelhecimento – o tempo e a tecnologia vão se encarregando de transformar tudo e todos. Inexorável.

O desenvolvimento tecnológico, responsável pelas mutações em todos os segmentos da vida, nos mobiliza diante de eventos e fatos que surgem como se brotassem do nada. Forma e o conteúdo se apresentam de roupa nova, mas a essência permanece a mesma.

A falta de privacidade ou, se preferir, a invasão implacável em nossa vida pessoal, deixa-nos pouca margem de manobra para reagir, restando apenas a realidade que aí está. Ou, ainda, dar-nos conta que granizo também cai na horta do vizinho! Questão de conformismo e sobrevivência!

A internet e as redes sociais vieram para ficar, e evoluir, tornando-nos reféns da máquina que dificulta – e até proíbe-nos de pensar, de raciocinar por nós mesmos – na tentativa de anular nossas vontades e ímpetos, levando-nos a cair na correnteza da impessoalidade. Verdadeira tábula rasa.

A impressão de que nossa ampulheta, descompensada, faz anos parecerem meses e meses semanas, nos leva a dimensionar o tempo de forma extravagante transformando utopia em realidade. Como se, de repente, chegasse a notícia-surpresa de que seu tempo de dedicação, suor e lágrimas pela empresa – a qual dedicou parte de sua vida – não mais necessita de sua colaboração. Insensível, põe-se a fila a andar com gente mais nova, “atualizada” e de menor custo preenchendo a lacuna. O presente sempre presente. Um jogo sem regras definidas onde produtividade, eficiência e lucro crescentes marcam o compasso da realidade em que vivemos.

 A percepção de tempo – ou “timing” – nestes tempos supersônicos, tornou-se vital para a sobrevivência em uma sociedade que não privilegia o individual nem o coletivo, apenas os próprios interesses. Descartam-se alternativas.

Avaliar momentos vários com isenção e consciência plena, à medida que a ampulheta se esvazia, nos torna mais aptos a conviver com a rápida mutação dos tempos que se sucedem. Somos seres pensantes, talvez despreparados (ainda) para acompanhar, a par e passo e com a devida percepção, a realidade que nos cerca.

Mas acredite, podemos ser mais que espectadores!