Antes que prossiga nesta leitura permita-me esclarecer que não possuo procuração nem vínculo com quem quer seja: governo, políticos, siglas partidárias, órgãos de comunicação, instituições financeiras.

A observação faz-se necessária eis que estamos vivendo um verdadeiro tiroteio de informações veiculadas por várias fontes da imprensa, muitas factuais, ou seja, que se atem aos fatos sem buscar interpretá-los e outras que dão sua interpretação e versão para os mesmos fatos em uma clara demonstração de evidente parcialidade.

Não é segredo para ninguém que a imprensa – escrita, falada, televisiva – tem um poder arrasador como arma de formação de opinião. O país possui cerca de 12 milhões de analfabetos absolutos e 38 milhões de analfabetos funcionais (incapazes de interpretar textos e fazer operações matemáticas simples) – o que corresponde a 24% da população. Segundo Pollyana Ferrari, jornalista, pesquisadora de mídias digitais e professora da PUC-SP, “numa sociedade democrática com baixa escolaridade, a manipulação de informação é mais fácil de acontecer”. Para o bem ou para mal, acrescentaria!

E aí reside o perigo. Fico com impressão de que paixões continuam aflorando por todos os lados – nestes primeiros momentos de um novo governo – via ideologias e crenças várias. Neste, como em qualquer governo recém empossado que se apresenta com viés oposto aos anteriores, desencontros e ajustes parecem estar na esteira da expectativa.

Desde a sexta-feira passada, 1 de fevereiro, o país entrou no novo ano legislativo. Com presidentes recém-eleitos, as casas de um Congresso renovado dão início aos trabalhos. Renovado, sim, permitindo que as antigas raposas deixassem o galinheiro – pela vontade popular, ressalte-se. Verdade que ainda sobram paixões inconformadas, as quais – espera-se – possam arrefecer seus impulsos colaborando para retirar o país do atoleiro que se encontra num espírito maior de brasilidade.    

Afinal, em hora da verdade, seremos todos beneficiados vivendo em um país melhor e mais justo ou continuaremos a navegar no lamaçal econômico e social em que fomos jogados. Não percamos o bonde da História porque, dificilmente, haverá outro que nos permita enfrentar os desafios de hoje com espírito democrático, íntegro e transparente.

Que não se perca a memória recente!