Quanto maior o desenvolvimento da tecnologia da informação (TI) menor parece ser a comunicação efetiva e afetiva entre as pessoas. Entenda-se comunicação como sendo entendimento, aproximação.

O choque de costumes, agravado em certas partes do planeta por levas de migrantes na busca por uma vida melhor em terras tão distantes quanto as novas culturas a enfrentar, parece estar provocando uma profunda reformulação – invisível, talvez – nas regras de convivência e comunicação humanas.

Esta última frase talvez seja a representação da dificuldade que países e seus povos estão encontrando para assimilar uma nova realidade – a meu ver irreversível – desconhecida desde a segunda guerra mundial. À época, com economias destruídas, reconstrução de boa parte da Europa e grandes contingentes de populações deslocadas pelo conflito, o fenômeno migração foi assimilado sem restrições. Agora, não mais, eis que enfrentamos a maior crise humanitária desde então!

A dificuldade da comunicação olho no olho tem levado o ser humano, em larga escala, a mirar na telinha do celular, a usar os dedos ao invés da língua e a ignorar o efeito do calor humano gerado pela aproximação na convivência. Um mundo virtual que veio para ficar, sem consequências definidas – como indefinidos estão os novos perfis das sociedades europeias que abrigam os milhões de refugiados sobreviventes de guerras e perseguições políticas.

A comunicação gesticulada usada por aqueles que ainda não dominam o novo idioma em terras estranhas deverá dar, a seguir, lugar àquela virtual, mais fácil de interagir sem problemas, até de pronúncia. Os aplicativos de tradução dos celulares encurtam a distância do “entendimento” na comunicação um-a-um sem soltar um ruído sequer. Um desestímulo, talvez, para que refugiados-migrantes possam vir a dominar a língua da pátria acolhedora mais rapidamente. 

Vivemos em um mundo virtual tal qual em uma bolha. O planeta, por enquanto, ainda possui uma significativa população alienada da TI dada sua faixa etária. Em vinte anos – talvez menos – no entanto, a realidade poderá ser outra, quando todas as gerações estarão alinhadas com a comunicação virtual a exemplo da introdução do automóvel, no início do século passado, quando substituiu a carroça como meio de locomoção rápida. E a seguir vieram as espaçonaves. O infinito existe!

Estaremos nós a serviço da tecnologia em futuro próximo?

A ponderar!