Filosofando, batuco no teclado de meu PC neste domingo de carnaval, longe dos batuques apreciados por tantos, mas ainda assim ao som de música clássica, vendo e ouvindo a chuva cair. Minha cara-metade e eu, vez por outra, em feriados ou fins de semana durante o café “estendido” da manhã, jogando conversa fora, brincamos com a etimologia de palavras várias. E, não raro, ficamos surpresos com suas origens. Curiosamente, as pronunciamos milhares de vezes ao longo do tempo sem que venhamos a nos dar conta de como nasceram. E muitas são curiosas mesmo.

“Fuçando” por palavras exóticas deparo-me com algumas interessantes: Abacate, por exemplo, vem do náuatle ahuacatl (idioma asteca) e, acredite, significa… “testículo”; Salário vem do latim, salarium, pago com sal, eis que no antigo império egípcio, os trabalhadores eram pagos com sal, usado para conservar a comida; Gorjeta, antes de se tornar uma quantia de dinheiro, era um copo d’água ou um gole de café ou de outra bebida, algo feito por generosidade e, por isso, ainda usamos expressões como “cafezinho” ou “cervejinha” para indicar aquele “dinheirinho” extra.

Não é preciso ser erudito nem enciclopédico para conviver bem com as palavras ditas ou escritas. A arte de conversar, ao que parece, vem caindo em desuso no uso do vernáculo. A de escrever, não menos. Tornar uma conversa agradável sempre exige um pouco de jogo de cintura. Na virtual, pouco importa; já na de olho no olho você está nu (ou nua), mas sem necessidade de ser versado(a) em etimologia.

E quanto à leitura? Bem, aí a história é outra com destaque para a internet.

Na contramão de tudo que você leu até aqui, percebe-se, já sem surpresa e infelizmente, em alguns portais da dita – famosos muitos – que a linguagem escrita por eles adotada atingiu as entranhas do gosto duvidoso, do bom senso, da permissividade. Pais e educadores, possivelmente com o cenho franzido, devem estar a se perguntar como ser indulgente com esse tipo de comunicação de massa que usa e abusa da linguagem chula, que extrapola os limites da informação de qualidade, que acentua a deformação. São milhões de iletrados e analfabetos funcionais com acesso à WEB e expostos a este vulgarismo. Inclusive crianças e jovens de todas as idades.

Mas como neste Brasil do mulato inzoneiro é carnaval, vale tudo. Tudo!

A origem da palavra “Carnaval” é bastante controversa, sendo a mais conhecida “CARNE VALE”, que significa “vale a carne”, representado pela época em que as pessoas se envolvem em atividades carnavalescas e são levadas a “soltarem o corpo”.

Chove lá fora. Que rufem os tamborins! É Carnaval!