Cinquenta e sete milhões de brasileiros depositaram sua confiança em Jair Bolsonaro ao elegê-lo presidente da República em 2018. Sua plataforma para romper com o atoleiro em que o país foi mergulhado pela prática de políticas desastrosas durante mais de uma década – sejam econômicas, de segurança ou desenvolvimento – levou- o a sentar-se na principal cadeira do Palácio do Planalto.

Em menos de 90 dias à frente do governo cercou-se de ministros e auxiliares, inicialmente vistos como os nomes certos para ocupar cargos. Em pouco tempo, constata-se que não mereceram aprovação majoritária tanto na sociedade civil como no meio político, mola mestra para efetivação de reformas inadiáveis, como a da Previdência Social.

O governo, por desencontros vários dada a “formação” de seus integrantes, vem sofrendo críticas severas por vários lados – muitas difíceis de discordar – dando a impressão de “ter sido jogado contra as cordas”. Encontro-me entre aqueles que desejava – e continua desejando – uma reformulação completa da forma como se faz política neste país bem como colocar a economia, a saúde, a segurança nos trilhos em que realmente nunca esteve.  Mas é preciso humildade para agir e reagir!

Vivemos tempos conturbados não apenas pela falta de sintonia nos ares de Brasília, mas sim e principalmente pela contundente extrapolação de dados e informações geradas por uma imprensa tendenciosa que avilta o governo e seus membros impiedosamente. Que parece articulada para causar – no mínimo – forte embaraço a um governo que tenta se achar em seu início. Ao que parece, tentando romper com a estabilidade institucional.

Mas pergunto-me como estaríamos hoje se quem perdeu as eleições as tivesse ganho. Afinal, as políticas implantadas por seu partido, por mais de uma década, levaram o país ao caos conhecido. Estariam, caso tivessem vencido, dispostos a fazer um mea culpa e partir para uma revolução em seus conceitos visando apagar o borrão indelével?

A credibilidade do presidente é, hoje, inversamente proporcional àquela da campanha eleitoral. O sinal amarelo está piscando, pedindo atenção, com o ‘guarda atento na esquina’. Estadistas mundo afora cercam-se de conselheiros – experientes homens íntegros que passaram pela vida pública e colaboram com seu tirocínio em assuntos de Estado. Por que não no Brasil? Não há desdouro nisso, como não há lugar para familiares e amigos de longa data se imiscuírem em, repito, assuntos de Estado. Pondere sobre isto presidente Bolsonaro.

Saia das cordas!

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