No último dia 15 de abril a Catedral Notre-Dame de Paris sofreu um incêndio de grandes proporções causando consternação mundial. Sua construção, iniciada no século XII (ano 1163), durou mais de cento e setenta anos. Uma obra prima da arquitetura gótica, a catedral revelou-se cartão postal emblemático que recebia uma média de 13 milhões de visitantes ao ano e foi declarada Patrimônio da Humanidade em 1991.

Pouco mais de 48 horas após a tragédia, uma fundação já havia arrecadado cerca de 950 milhões de euros (4 bilhões e 300 mil reais) para ajudar na reconstrução da catedral. Entre os doadores – muitos milionários – encontra-se a filantropa e socialite brasileira Lily Safra que contribuiu com € 20 milhões (R$ 88 milhões).

Mas não houve, entre diversas comunidades, aceitação unânime dos gestos. Na Europa houve questionamentos sobre o porte e destino dos auxílios concedidos. Por aqui, destaque-se a falta de engajamento semelhante na ajuda ao Museu Histórico Nacional vítima de incêndio no final do ano passado: em oito meses, arrecadação de apenas R$ 1,1 milhão. Segundo seu diretor, Alexander Kellner, a Associação de Amigos do Museu obteve R$ 142 mil de indivíduos e apenas R$ 15 mil de empresas…

Mas o foco, aqui, é colocar em discussão maior as razões pelas quais somas multimilionárias estão colocadas à disposição (em tempo recorde) para reconstrução de uma obra icônica. Fica a pergunta: se tantos milhões de euros se encontram disponíveis – da noite para o dia, inclusive da filantropa mencionada acima -, porque tantos refugiados na Europa e em Roraima (vindos da Venezuela), todos em busca em busca de uma vida melhor, permanecem submetidos a uma vida – quando muito em acampamentos e nem sempre em condições dignas  de sobrevivência – por falta de recursos financeiros?

Possivelmente, enquanto são erguidas paredes e cúpulas na reconstrução da catedral ao longo dos próximos anos – importante para a História -, milhares de seres humanos carentes que poderiam ser atendidos em sua saúde e nutrição podem não sobreviver simplesmente por falta de doações suficientes, mas disponíveis!

O momento é de reflexão. Vivemos em um mundo conturbado por guerras, atentados, doenças e insegurança global. Não permitamos que o destino de milhões de desafortunados expiem porque afortunados (literalmente) priorizam doações para objetivos materiais. Sem pieguice!

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