O Presidente Jair Bolsonaro assumiu o governo em 1° de janeiro sob enorme expectativa de reverter o quadro socioeconômico caótico herdado de administrações anteriores. Com uma estrutura mais enxuta que a encontrada, compôs seu ministério com nomes desconhecidos – indicação inicialmente considerada positiva – alimentando esperança daqueles que – pelo voto – o colocaram no Palácio do Planalto.

Decorridos quatro meses de turbulência imprevista, o cidadão comum se questiona e pergunta se errou a mão ao apostar seu voto em alguém que se apresentava como a esperança de recolocar este país nos eixos. E que comprova estar muito distante do porto seguro.

Nos meses iniciais do governo, ainda em fase de reconhecimento efetivo da máquina e dos graves problemas aparentes – e principalmente os ocultos – entendia eu ser justo conceder-lhe o benefício da dúvida. Foi o que fiz, defendendo-o como um cidadão que sobreviveu a todos os tipos de ocupantes do Palácio em Brasília. E até por isso – movido por uma esperança que foi se desvanecendo ao longo das últimas décadas – como me omitir diante da oportunidade ímpar de reverter o curso de uma nau à deriva e fazendo água?

No momento, decepcionado, mas consciente de que nos idos de 2018 – por eliminação – não me restava outra alternativa diante das opções que se apresentavam visando as mudanças almejadas por muitos, consagrei meu voto àquele que parecia reunir reais condições para “capitanear” o barco.

Mas os desencontros que este governo vem promovendo são inacreditáveis. Sua falta de percepção da realidade escancarada, inconsequente, deixa a impressão de que navegamos em direção aos rochedos. A autofagia parece estar instalada em seu seio como náufragos procurando alimento para sobreviver. Confunde-se governo com família, filhos autoritários com ministros, autoridade com autoritarismo.

Fico com a impressão de que a investidura do Presidente Bolsonaro na chefia do Estado e do governo da Republica Federativa do Brasil ainda não se efetivou. Passa a impressão de estar trabalhando em um laboratório com cientistas leigos, de formação estranha, pesquisando antídotos para patologias desconhecidas. Alguns absolutamente fora da realidade e pouca ou nenhuma compreensão do contexto. Até onde conseguirá o governo sobreviver diante desse quadro?

Apesar de tudo quero ver, ainda, este país ser honrado pela comunidade internacional, ver seus jovens escolarizados sem ideologias, sua população respeitada e amparada por uma saúde digna de seres humanos, suas nações indígenas protegidas, seu crescimento na igualdade social uma realidade.

Por tudo isso, não posso jogar a toalha!

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