Estamos vivendo dias conturbados na política e economia brasileiras. Não é menos verdade que na Europa – por razões distintas, mas não menos preocupantes – a insatisfação e consequências dos rumos a serem tomados – por decisões não menos apaixonadas – podem repercutir em meio mundo com resultados imprevisíveis, inclusive para o Brasil.

Talvez a mais importante por lá seja a saída do Reino Unido da União Europeia (UE) – apelidada de Brexit – palavra originada na língua inglesa e resultante da junção das palavras British (britânico)exit (saída). Recorde-se que o Reino Unido é um Estado formado por quatro países: Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte. A chefe de Estado é a rainha Elizabeth II e o de governo um primeiro-ministro, eleito por um Parlamento central, em Londres.

O referendo de 23 de junho de 2016 decidiu pela saída da UE, mas o parlamento britânico ainda não aprovou o texto proposto pela ex-primeira ministra Theresa May que, face a recusa de seus pares em aprova-lo, em três tentativas, renunciou ao cargo semana passada. Mais um pesadelo para a política europeia que percebe no horizonte sinais de nova crise econômica mundial.  

Nossa experiência com o parlamentarismo – malsucedida por sinal – foi fruto da renúncia do ex-presidente Jânio Quadros em 1961 e instalação da nova forma de governo adotada como tentativa de solucionar a grave crise de então. Sobreviveu de setembro de 1961 a janeiro de 1963. O regime parlamentarista – um remendo, dadas as condições políticas da época – contou com o vice-presidente assumindo, mas com poderes limitados por uma Junta Provisória dos três ministros militares que já havia governado o país por treze dias no auge da crise. Fim de uma Era e prenúncio de uma nova!

Vivemos momentos históricos aqui e na Europa. Os daqui podem nos lembrar dos anos 60 e suas consequências. O curto governo de Jânio Quadros e o quadro político de então nos deixou muitas lições. Quem não as guardou na memória, apesar de ter vivido (ou não) a História, aproveite para conhecê-la e tirar suas conclusões.  

As barreiras enfrentadas pelo atual governo para reenquadrar políticas desastrosas herdadas não tem sido pequenas. Barreiras criadas tanto pelo presidente e auxiliares despreparados como por um legislativo que argui em benefício próprio vem relegando o país e seu povo a um patamar desprezível.

Não estamos nos anos 60, mas tenhamos cautela de não viver os anos 60 novamente.

Os tempos são outros, mas História é História!

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