“O episódio recente envolvendo o jogador do Santos, Neymar Santos Jr., dirigido pelo técnico Dorival Jr. – que não se percam pelos nomes – foi notícia até no exterior.

Indisciplinado contumaz, o jogador tem sido defendido por muitos como um jovem de raro talento, apenas irreverente. Suas transgressões, sempre relevadas pela diretoria do clube. Coisas da idade argumentam uns. Coisas que o maior gênio do futebol, com a mesma idade, já campeão mundial, pertencente ao mesmo Santos, jamais se permitiu.

Maior “patrimônio” do clube, valendo no mínimo 25 milhões de euros – proposta feita pelo clube inglês Chelsea para transferi-lo -, sem estrutura emocional ou educacional, viu-se da noite para o dia como o “rei da cocada preta”.

Passou a mandar na agremiação! Desafiou ordens, que como funcionário deveria acatar, agrediu verbalmente seu técnico à vista da imprensa e, fisicamente no vestiário, a um assistente deste.

Desnecessário descrever outros fatos protagonizados por este personagem não irreverente, mas mal-educado, grosseiro, agressivo, que culminaram com a demissão de seu técnico.

Profissional decente e competente, Dorival Jr. viu-se desprestigiado ao tentar manter a disciplina hierárquica no seu grupo e, ao mesmo tempo, por tentar orientar educativamente um jogador arrogante com punição exemplar merecida.

O todo-poderoso Neymar viaja por águas que ainda desconhece, o que poderá custar-lhe muito caro ao longo de sua vida pessoal e profissional. Dorival, tal como um pai responsável procurou, com a punição, fazer com que o mimado começasse a enxergar as realidades da vida. Técnicos de futebol são mais que orientadores de táticas. São, como muitos, orientadores educacionais de jogadores que, como filhos rebeldes, precisam de pulso firme para não descambarem pelos descaminhos que o deslumbramento, a fama, o dinheiro farto lhes propiciam.

Esse moço, hoje, navega em mar de almirante, como almirante, mas sem sê-lo. Amanhã, talvez venha a perceber e aprender que o mar não é sempre calmo e tranquilo. Incompetente e despreparado para enfrentar a vida fora dos gramados, o ensinamento de Dorival poderá fazer-lhe falta. Quando tiver que enfrentar as ondas e tempestades que a vida há de lhe trazer – como a todos nós – seu barco poderá não ter estrutura para enfrentá-las. A quem, ou a que, recorrerá então?

Priorizar Neymar foi encimar a rebeldia e preservar a autocracia.   O Santos F.C., com todo o respeito que o clube de Pelé merece por sua história, pisou na bola.

Já foi grande. Não é mais.”

Curtiu. Compartilhe.