PONDERANDO

HOLAMBRA

Tempo instável

Parece não ter fim o noticiário com “imbróglios” de toda sorte sobre os dias que vivemos no país. Críticas ao desempenho do governo na questão do derramamento de óleo no Nordeste desde o início de setembro, a inércia do Supremo Tribunal Federal em decidir sobre a prisão em segunda instância e a postergação, desde julho,  sobre a “rachadinha” na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro envolvendo o filho do presidente Bolsonaro, Flavio, no caso Queirós. E por último, agora, o envolvimento do nome do presidente com o caso Marielle e ataques intempestivos à TV Globo; além do Twitter de Bolsonaro sobre leões e hienas envolvendo o STF e a imprensa.

Não cabe, aqui, argumentar-se sobre a oportunidade ou oportunismo da emissora em dar destaque para os assuntos – por si só espinhosos no caso da execução do crime até este momento sem solução e onde permanecem dúvidas sobre participações e razões para a ação – mas, sim, de questionamento sobre a postura do presidente da República em enfrentar – sem elegância, sobriedade e ponderação que o cargo demanda – os assuntos divulgados.

O Brasil vem sendo objeto da lupa mundial não apenas por ter à frente um governo autocrático que desde seu início vem criando polêmicas desnecessárias e destrutivas. Na área ambiental, envolvendo a Amazônia, apontando para culpados sem qualquer prova, e na diplomacia gerando conflitos como a manifestação sobre a esposa do Presidente Macron, da França, em episódio recente.

Não há governo no planeta que não esteja sob a mira permanente da imprensa que vive de divulgação de notícias isentas de qualquer polêmica, mas, principalmente, daquelas comprometedoras para políticos de qualquer viés.

Nos Estados Unidos da América, por exemplo, país de imprensa livre e atuante, denunciado por dois repórteres no escândalo conhecido “Watergate”, o Presidente Richard Nixon foi obrigado a renunciar em 1974. E dois impeachments entraram para a história: o primeiro em 1868 do Presidente Andrew Johnson por “altos crimes e contravenções” e o segundo, em 1998, do Presidente Bill Clinton por “perjúrio e obstrução da justiça”. Ambos foram absolvidos. E, agora, ganha corpo o impeachment do vociferante Presidente Donald Trump, antagonista da imprensa.

Não se tem notícia, com exceção para Trump, que os demais protagonistas tenham apresentado comportamento incompatível com a ética e compostura que seus cargos exigiam. Apesar das consequências!

Mas como não existe imprensa santa nem políticos com auréolas, a verdade é que quem sai na chuva pode se molhar. Uns são impermeáveis, outros não! Tempo instável!

1 Comment

  1. E assim é!
    O que vale é mantermos a nossa preciosa e madura democracia!
    Os cães ladram e a caravana passa!
    Tomara que esses mais de três anos não demorem muito a passar.

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