Velocidade é assunto que apaixona o ser humano, desde que conseguiu ser transportado por animais ou máquinas. Particularmente quando se encontra no comando de volantes e manches ou sobre esquis, motos, patins e até mesmo fazendo uso de suas próprias pernas.

Parece que quer ter o controle – o que nem sempre acontece – de situações em velocidades incompatíveis com o ambiente que o cerca ou nele mergulhado. Induz o homem a sentir um poder quase sobrenatural, mas que, não raro, diante do fascínio produzido pela adrenalina em casos extremos, encerra sua existência de modo trágico. Isto quando o drama não atinge pessoas inocentes, impotentes, vítimas da alucinação como em “rachas“ de carros.

Situação nada diferente daquelas em que motoristas dirigindo em estradas se arvoram em seus donos, agindo com prepotência, relegando seus semelhantes à frente ou em torno a meros seres inferiores a serem subjugados por uma mente complexada. A velocidade fascina e parece subjugar a mente racional!

Mas não é apenas em estradas que o desvario de muitos está presente.

Temos notícias de que até em condomínios residenciais impera, também, o desrespeito às normas internas de limitação de velocidade. Visando dar maior segurança a crianças dispersas e pedestres, administrações veem-se obrigadas a colocar barreiras em ruas de maior movimento no sentido de coibir infrações. Mas fica a pergunta: estariam estes motoristas sentindo-se tolhidos em sua liberdade de ir e vir como lhes aprouver? Por que assim reagem?

O comportamento de urbanitas com o perfil acima – também espalhados pelas rodovias do país e que se permitem dar vazão aos seus egos – contribuíram para a contabilização de 32.068 acidentes no primeiro semestre deste ano com uma morte para cada 13 episódios.

E, mais uma vez, aqui estamos falando de educação, quer ela venha do berço ou não. Estamos falando de respeito ao semelhante. Estamos falando de cidadania no sentido de como o cidadão se obriga a viver de acordo com um conjunto de estatutos pertencentes a uma comunidade política e socialmente articulada.

Motoristas com ego inflado presumem que uma Carteira Nacional de Habilitação concedida pelo Estado é alforria que lhes permite desrespeitar leis e normas públicas ou privadas. Não é!

É falta de civilidade mesmo!