O ser humano dá mostras de ser mais ser que humano. Qualificar e generalizar é um pecado mortal, mas como segregar entre os bípedes falantes e dotados – muitos, mas não todos – de massa cinzenta digna do nome aqueles que realmente agem e se comportam como tal?

O mundo todo vem atravessando um período de catastrófica pandemia imposta pelo covid-19 onde não poucos perdem suas vidas, enlutando famílias, e outros tantos, insensíveis, exploram seus semelhantes como seres superiores inatingíveis que imaginam ser.

Estamos aprendendo a viver e conviver em um planeta onde nós, humanos na acepção da palavra, estamos deixando para trás, rumo ao desconhecido – como se em direção de outra galáxia estivéssemos indo – valores reconhecidos, aceitos como dogmas.

A ganância, o desprezo pelo semelhante – da parte de muitos – só está sendo compensada neste momento crítico vivido pela humanidade devido ao acolhimento, respeito, doação de milhares de pessoas e empresas que tentam mitigar o sofrimento visível e oculto onde quer que se encontre um homem, uma mulher ou uma criança.

Seja pela contaminação pelo vírus, pelo isolamento forçado, pela perda do emprego que talvez jamais volte, pelo infortúnio de tentar sobreviver em áreas e regiões sem qualquer proteção sanitária e ambiental, pela ausência de leitos e infraestrutura hospitalar capaz de abrigar os menos favorecidos, pelo “stress” vivido – há meses – pelas heroicas equipes médicas arriscando suas vidas na tentativa de salvar outras tantas, com não poucas sucumbindo até pela falta de equipamento e materiais adequados de proteção pessoal na lida em ambientes de altíssimo risco.

Noticia-se que remédios, equipamentos hospitalares e insumos ficaram mais caros no Brasil, em comparação aos preços praticados antes da pandemia da covid-19. Hospitais e secretarias de Saúde relatam inflação de até quase 2.000% em produtos essenciais temendo pela redução na capacidade de atendimento a pacientes. Uma afronta humanitária!

Mas passada a hecatombe – que em algum momento há de cessar – não nos olvidemos de erguer, pelo menos, um memorial aos anônimos que lutaram pela sobrevivência de seus semelhantes em hospitais, e outros tantos que que encerraram com denodo – em cemitérios – o último ato de presença de tantos nesta Terra.

A lembrança deve ficar marcada e presente perante olhos futuros. Não apenas em livros de História.