A sociedade assiste com olhar preocupante a presença de militares em cargos técnicos, como no Ministério da Saúde. O ministro interino, general de divisão, da ativa, considerado gestor competente por sua história – não possui qualquer vivência na área médica. É o terceiro, em curto espaço de tempo, a suceder dois conceituados médicos de currículos e históricos elogiáveis com reconhecimento internacional. Por fim, são 25 os fardados ocupando cargos antes de técnicos da área. Imagina-se um epidemiologista à frente do Ministério da Defesa?

Em momentos de pandemia, comprometendo a saúde pública e se alastrando em um crescendo – principalmente entre populações menos favorecidas por sua condição social e financeira – observa-se absoluta ausência de comando na condução do estabelecimento de políticas e planejamento sanitário deixando estados e municípios entregues a sua própria sorte. A despeito de o SUS – Sistema Único de Saúde – único no mundo, trabalhando com denodo e competência desde o início do surto – enfrentar limitações que lhe foram impostas, as quais estão longe de serem desprezíveis. Registre-se!     

Neste momento, os prognósticos futuros no combate ao covid-19 não são animadores. São 41.058 os óbitos constatados até o momento (12/6/20) com 805.649 casos identificados. Conflito nas informações entre dados promulgados pelo governo e iniciativa privada indicariam subnotificações. Tragédia sem paralelo na História da Saúde do Brasil.

Em três meses, desde o início da pandemia no país, temos assistido a entreveros de postura entre nosso capitão-mor e alas científicas nacionais e internacionais cujo maior resultado tem sido o de confundir mais de 220 milhões de brasileiros quanto aos caminhos a seguir visando sua proteção contra o vírus mortal. Um desserviço humanitário em nome de uma política rasteira, personalista, de resultados dramáticos e imprevisíveis.

Sem tempo de visitar hospitais especializados no combate ao vírus visando dar uma demonstração de apoio moral às instituições e solidarizar-se com heroicas equipes médicas, sobreviventes, que diuturnamente arriscam suas vidas para evitar o pior, o 1º tenente reformado ao posto de capitão do Exército Brasileiro, aos 33 anos – por razões conhecidas – encontra tempo para se misturar ao “seu povo”, circular sem máscara contrariando orientação médica, lançando uma população desinformada no abismo do caos sanitário quando não, à morte. O que poderia justificar tanta insensibilidade?

E ainda, estaríamos nós vivenciando o prenúncio de novas calamidades?