Os embates conflitantes visando o enfrentamento da covid-19 permanecem intensos desde o início da pandemia, há quatro meses no país. Do negacionismo à existência da manifestação da doença infectocontagiosa até às condições de como combatê-la, o clima sendo enfrentado pela população é de dúvidas e incertezas.

Autoridades sanitárias – como a Organização Mundial de Saúde, o Ministério da Saúde e a SBI Sociedade Brasileira de Infectologia – debatem e discutem, diuturnamente, sobre como tratar as diversas fases da doença.

Discute-se a eficácia de drogas não confirmadas pela ciência, mas advogadas como eficientes, até por membros da comunidade médica brasileira.

Entre a cruz e a caldeirinha encontra-se o cidadão culto, letrado, mergulhado no meio de tantas assertivas pronunciadas por eméritos Ph.D´s. Exposto às convicções contrárias, muitos destes colocam em dúvida o posicionamento científico frente a resultados concretos obtidos por correntes contrárias. E engrossam as fileiras dos céticos.

Já a população mais carente de informação e formação é colocada em xeque, eis que luta por sua sobrevivência dependente que é do emprego, do trabalho diário, sem acesso à higienização e isolamento social preconizados pelas autoridades visando declinar das últimas consequências da pandemia: o óbito!

A verdade – se é que existe alguma – é que no mundo tratamentos diversos tem sido utilizados com muito sucesso uns e pouco ou nenhum resultado outros. Existem “pistas” que levam ao método da tentativa e erro, mas que em condições diversas levam a resultados pífios. Não existe uma lógica, mas sim uma multiplicidade de parâmetros.

O que parece ser unânime, mundialmente, é que a solução definitiva está no descobrimento de uma vacina. Existem, hoje, cerca de 140 projetos de desenvolvimento de vacinas contra a Covid-19. A “boa notícia” é que existe a esperança de que esteja disponível em até 12 meses. A “má” é que dificilmente haverá capacidade de produção de muitos milhões de doses em tempo desejável.

Aqui em nossas plagas, o que parece certo e indubitável: a politização do enfrentamento à pandemia não é um jogo perde-ganha e, sim, perde-perde. Definitivamente! Vírus não tem ideologia nem preferência por etnias, condições sociais, escolaridade, miséria ou riqueza. Amargando cerca de 80.000 finados, sem que ainda estejamos perto do desfecho, miremo-nos nos rios, que atingem seus objetivos porque aprenderam a contornar obstáculos.

Os sobreviventes e suas famílias ficarão gratos.