PONDERANDO

* * * Reflexão em 120 segundos * * *

Categoria: Bem-estar

Homo sapiens, mas nem tanto

Somos todos seres estressados pela qualidade de vida imposta por uma sociedade cujos objetivos, ao longo do tempo, tem sido o de criar facilidades para a vida cotidiana. O caminho escolhido, por décadas em sequência: reduzir tarefas de esforço manual pelo uso de máquinas; produzir mais – ainda que com qualidade inferior -, para atender a demanda crescente de consumo (estimulada pelo marketing agressivo); compactar espaços restringindo condições de conforto; oferecer comodidades que levam ao sedentarismo o qual – por sua vez – compromete a saúde; negligenciar na aplicação de leis que permitiriam às pessoas viver com mais saúde, em paz e tranquilidade.

(Continua…)

A ficção é real

O avanço tecnológico das últimas décadas vem alterando hábitos e costumes, não apenas de todos nós, mas afetando também e principalmente profissionais que prestam seus serviços como autônomos ou a empresas como funcionários. Neste último caso, o domínio técnico e científico exigido pela competição desenfreada vem fazendo vítimas entre aqueles que, por razões várias, não têm conseguido se manter atualizados – a exemplo das empresas, que ou se mantem na vanguarda do mercado em suas respectivas atividades ou são por ele (mercado) desalojadas. (Continua…)

What´s up? (*)

What`s upO assunto era uma discussão em torno dos avanços tecnológicos. O ambiente, um daqueles programas de televisão onde as pautas incluem política, acontecimentos do cotidiano, eventos e celebridades. Em dado momento – em que o tópico da vez era comunicação e relacionamento – uma conhecida jornalista, do alto de seus trinta e cinco anos, considerava que telefone para ela era “démodé” (fora de moda)! E que só se comunicava, ou “falava”, com as pessoas por mensagens no WhatsApp!

(Continua…)

Quero a Vida Sempre Assim

Nascemos todos iguais, com alma pura e inocência abençoada. Dependentes, fomos sendo moldados pelos ensinamentos de pais, creches e escolas desde a primeira infância. Nos primeiros anos, a espontaneidade aliada à ingenuidade libertava-nos da responsabilidade de fazer perguntas tolas e de dar respostas corretas. Perguntas que não raro engasgavam adultos e respostas que desconcertavam os amadurecidos.

Tanta sabedoria transbordava nossa expressão com mais sorrisos que lágrimas. Lágrimas derramadas apenas quando queríamos fazer valer nossa vontade ou quando, em momentos de dor e medo, a elas recorríamos pedindo proteção e socorro. Sem nenhum pudor, hesitação ou receio da crítica. Descompromissados com a avaliação alheia podíamos ser nós mesmos. Desobrigados de nos escondermos atrás da armadura que nos seria imposta mais tarde para enfrentar as situações da vida, convivíamos harmoniosamente com a coerência. Palavrinha que ausente em nosso vocabulário estava sempre presente em nossas ações.

Fomos crescendo e perdendo gradativamente a autenticidade. Os dias em que nos socializávamos sem restrições nem preconceitos foram ficando para trás. Atravessamos a adolescência, muitas vezes turbulenta e dominada por ilusões, para mergulhar na era adulta. Era de sonhos, aspirações e determinação. A vida, nos impondo regras – impostas como se fossem dogmas – parecia nos alertar para o enigma da esfinge: “decifra-me ou devoro-te”.

A busca por respostas irrespondíveis, por aquela coerência então inexistente, foi modelando nossa existência. Tomamos consciência de que nosso ciclo não nos permite viver tempos que jamais voltam. Em contrapartida, propicia a oportunidade de convivermos próximos àquelas que ainda mantêm a espontaneidade, a inocência, a ingenuidade, a coerência: as crianças.

Junto a elas nos permitimos colocar as armaduras de lado enquanto nos tornamos, por momentos, nós mesmos. Outra vez.

Mens Sana in Corpore Sano

Ao comerem, as pessoas raramente têm consciência de que estão se alimentando e, eventualmente, se curando (ou adoecendo). O ato de comer se parece muito com o de respirar. Inconscientemente vamos ingerindo tudo aquilo que nos dá prazer, tentados pelo sabor (ou pela propaganda…). Dificilmente atentamos para o valor nutritivo e propriedades dos produtos colocados no prato ou no copo. Não seria exagero admitir que muitos se preocupam mais com a qualidade do combustível colocado em seus carros do que com aquele colocado em seus estômagos.

Existe, ainda, pouco interesse do cidadão comum em conhecer o próprio corpo e suas necessidades. Seja para captar energia para movimentar músculos, recuperar-se de ferimentos e doenças ou manter saudáveis suas funções vitais.

Milhares de reações químicas acontecem a todo instante dentro dele. A maior divulgação sobre os nocivos alimentos transgênicos – ainda que limitada a poucos setores – começa a trabalhar como elemento educativo. A agricultura orgânica, por exemplo, está recebendo apoio até do governo federal. Publicidade do ministério responsável pela área tem divulgado pela TV mensagens estimulando o consumo de produtos orgânicos. O problema maior enfrentado por aqueles conscientes dos benefícios de se consumir alimentos não contaminados por agrotóxicos é, infelizmente e ainda, o preço. Proponho, no entanto, que as escolas em parceria com e sob a orientação de fisiologistas e nutricionistas, introduzam em sua programação anual seminários sobre funcionamento do corpo e sua correta alimentação. Pais, alunos e professores, juntos, teriam muito a ganhar.

Trabalhar para modificar hábitos alimentares pouco saudáveis, arraigados, deveria ser uma bandeira a ser levantada por todos. Isto é o que pode ser feito. Como, é sua e minha responsabilidade.

 

Lições de uma Crise Global

A crise financeira mundial tem ocupado as mídias no mundo inteiro. Especulações não financeiras têm sido feitas na tentativa de prever como deverão se comportar as sociedades a partir do “dia seguinte”.

Dizem que a necessidade é a mãe da invenção. Países avessos à estatização estão recorrendo a ela – ainda que por tempo determinado segundo eles – por compreenderem que a salvação do sistema financeiro global não reside mais em ações isoladas e unilaterais. Sem ação solidária todos perdem. Sem opções, as potências deixam as vaidades de lado. Suas diferenças regionais perdem importância. Seu poderio torna-se virtual. E como dizia o poeta: “Quando a fome bate na porta o amor foge pela janela”. O mundo começa a compreender que sinergia é isso: 1+1=3.

Excelente o momento para que nós, simples mortais, possamos aprender um pouco com esta situação. Não sobre finanças, economia, política internacional.  As razões desta catástrofe, que pode mexer – e muito – com nossas vidas, não têm fundamento técnico. Provavelmente serei excomungado por tal afirmação!

A meu ver, o ser humano é insaciável na busca de suas conquistas individuais, do lucro fácil, da ostentação e do poder – seja ele econômico, financeiro, bélico ou pessoal. As instituições são geridas por homens e mulheres ansiosos por galgar posições hierarquicamente elevadas. Querem o topo! Visam conseguir uma projeção profissional que lhes permita auferir dos benefícios financeiros advindos de sua participação nas decisões. Quanto mais elevada a posição atingida maiores as concessões a serem feitas. É a regra do jogo.

Valores pessoais e éticos ficam muitas vezes comprometidos pelo “glamour” do sucesso, pelos holofotes que iluminam seus egos, pela conta bancária generosa. A competência, a lisura, a responsabilidade e respeito pelo “outro” ficam ofuscadas quando as oportunidades duvidosas e tentadoras surgem e falam mais alto.

Milhões de pessoas ao redor do globo confiaram em milhares de outras para administrar suas poupanças, suas economias de uma vida inteira, suas expectativas futuras de uma aposentadoria decente. A vulnerabilidade de instituições consideradas poderosas pelo seu porte financeiro – ainda que apenas virtual como estamos constatando –  acaba por demonstrar que são apenas castelos de cartas.

A experiência que estamos assistindo deve nos servir de lição! Ter consciência de que instituições são tão fortes, seguras e responsáveis quanto os homens (e mulheres) que respondem por elas é vital. E esta consideração deve ser levada em conta não apenas em relação ao sistema financeiro.

Acredito em uma nova ordem a ser estabelecida depois de se juntarem os cacos desta tragédia. As pessoas terão tomado consciência de sua fragilidade e daquelas nas quais elas confiam.  Solidariedade, união de forças, entendimento, transparência podem levar a sociedade a percorrer novos caminhos.

É chegado o momento de o individualismo se aposentar.

Pensar – e agir – com consciência no todo e não apenas nas partes pode ser a tábua de salvação.

 



 


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