PONDERANDO

* * * Reflexão em 120 segundos * * *

Categoria: Brasil (Página 1 de 10)

Mãe Nossa de Todo Dia

Segundo nos revela a história, a data a ser celebrada no próximo domingo “surgiu em virtude do sofrimento de uma americana que, após perder a mãe, passou por um processo depressivo. As amigas mais próximas de Anna M. Jarvis, para livrá-la de tal sofrimento, fizeram uma homenagem para sua mãe, que havia trabalhado na guerra civil do país, os Estados Unidos da América. A festa fez tanto sucesso que, em 1914, o presidente Thomas Woodrow Wilson oficializou a data e a comemoração se difundiu pelo mundo afora”.

No Brasil, em 1932, o então presidente Getúlio Vargas oficializou, também, o segundo domingo de maio como aquele para prestar homenagens às mães. Em 1947, Dom Jaime de Barros Câmara, Cardeal-Arcebispo do Rio de Janeiro, determinou, igualmente, que essa data fizesse parte do calendário oficial da Igreja Católica.

Com o passar do tempo, a história ficou para trás. Passou a ser uma data importante para o comércio que a explora através de campanhas publicitárias intensas não permitindo que alguém fique de fora.

Uma das mais belas frases que já tive oportunidade de ler sobre mãe, que nada tem a ver com Dia em questão, é esta escrita por Rajneesh: “No momento em que uma criança nasce a mãe também nasce. Ela nunca existiu antes. A mulher existia, mas a mãe, nunca. Uma mãe é algo absolutamente novo”.

Este pensamento, profundo a meu ver, revela cristalinamente a primordial diferença entre um pai e uma mãe. As mães permanecem à frente do dos pais, durante toda a vida de seus filhos, a começar por ser a primeira a tomar conhecimento da concepção. Além de dar-lhes vida, cedendo-lhes parte da sua por nove meses, surgem como as fadas dos contos, extrapolando seu papel de serem simplesmente mulheres. Nós homens – e mesmo pais, muitos – não temos a menor noção do que significa gestar no sentido lato do termo. Somos a centelha que inicia um processo mágico de transformação, mas não mais que coadjuvantes, espectadores apaixonados, orgulhosos como espécie.

Não há como presentear nossas mães biológicas e aquelas de nossos filhos, sem nos lembrarmos daquelas que não o são. Estas merecem estar, também, no topo do pódio. Tanto umas como outras, estou certo, anseiam, mais que lembranças compradas em lojas, por lembranças diárias vindas do coração, por palavras, gestos, afagos e até mesmo simples olhares.

Aquela que lhe permitiu estar aqui e agora pode estar presente apenas na saudade. Aproveite o domingo e todo o tempo que lhes resta, durante o ano todo, para lembrar que você simplesmente respira porque alguém, algum dia, lhe concedeu o privilégio de viver.

Não há dinheiro que compre o incomprável.

Devo admitir que sempre tive uma certa “pinimba” (má vontade) com os bancos. Afinal, são instituições que lucram sempre – independentemente da situação econômica do país – não produzem absolutamente nada e operam no azul, chova ou faça sol. Com recessão ou sem recessão, com instabilidade política ou não, com a economia global em ascensão ou não. (Continua…)

Chovendo no molhado?

Recentemente, um amigo comentou que lia meus artigos mas fez uma observação: chove no molhado. Ato contínuo, “corrigiu-se” afirmando que muita gente desconhecia os diversos assuntos abordados e que valia a pena ler a coluna semanal no jornal para se informar.

Fiquei remoendo aquela observação e me perguntando se a observação não procederia. Afinal, os leitores são soberanos, não possuem a mesma cultura e formação nem comungam da mesma visão sobre os vieses da vida. Nenhuma surpresa, portanto. (Continua…)

Hora de virar o jogo

Semana passada, em minha coluna no jornal e site na internet, escrevi com veemência – “Pense fora da caixa” – sobre o momento que o país vem atravessando. Desde o início da Operação Lava Jato – em realidade desde o Mensalão, nos idos de 2005 e 2006 – a Justiça brasileira vem se constituindo em um baluarte contra a corrupção entranhada nos intestinos da política e de grandes empresas.     (Continua…)

Pense fora da caixa

Em ano de eleição, a devoção dos parlamentares está voltada para a sobrevivência de seus mandatos. A manipulação na votação de projetos importantes para o país tem sido uma realidade e uma bofetada na cara do eleitor. Descaradamente! (Continua…)

Utopia ou distopia?

Estamos vivendo dentro de um caldeirão transbordante de violência, descaso absoluto pelo próximo, educação formal e informal em decadência. Talvez tenha sido sempre assim, mundo afora e desde tempos imemoriais, mas – com a socialização da informação – a transparência tem sido cristalina. (Continua…)

Agora é pegar ou largar

O mundo acordou hoje com a triste notícia do falecimento de Stephen Hawking aos 76 anos. Físico teórico e cosmólogo, esse gênio britânico ajudou a entender a origem do Universo e o papel dos buracos negros. Para quem desconhece, Cosmologia é a Ciência que estuda o Universo na sua origem, estrutura, evolução e composição. (Continua…)

Bônus e ônus da tecnologia

Ao longo das últimas décadas, o desenvolvimento tecnológico sem precedentes vem ocupando lugar de destaque em nossas vidas alterando hábitos e costumes. Mudanças radicais, inclusive de comportamento, transformaram o perfil das sociedades levando-as a serem mais complacentes, libertas de preconceitos, mais autênticas em diversos sentidos. (Continua…)

O lado obscuro de todos

Em 17 de março a Operação Lava-Jato aniversaria. Quatro anos de trabalho intenso e competente por parte da Polícia Federal – apesar da morosidade da Justiça – resultaram em um novo perfil dessas instituições.

O início da nova História do Brasil começou a ser escrito em junho de 2005, com as revelações de um escândalo escancarado de corrupção na política de compra e venda de votos no parlamento visando garantir a maioria do governo em todas as suas propostas. Uma democracia corrompida ou um capitalismo autoritário? (Continua…)

O Rio de Janeiro (não) continua lindo

Faz tempo, mas…

O nome dele era Mischetti. Não, não era italiano. Era um negão de 1,90 m de altura, simpático, amigo de todos e malandro típico. Malandro é aquele que não trabalha, que emprega recursos engenhosos para sobreviver. Popular entre a rapaziada de Ipanema (RJ), com quem jogava bola na praia e sinuca no bar da esquina próxima ao Bar Vinte, era uma figura memorável.

Para quem nunca ouviu falar, o Bar Vinte era o final da principal rua interna do bairro – a Visconde de Pirajá – “giratória” do fim da linha do bonde da linha 13, Ipanema, e do 11, Jardim Leblon, que vinha em sentido contrário.

Respeitado pela mini favela vizinha – localizada no início do bairro Leblon e caminho mais curto para, a pé, chegar-se ao “campo do Flamengo” – sua companhia era a garantia de trajeto tranquilo sem percalços em dias de jogo. Ressalte-se, no entanto, que nunca se soube de qualquer atividade perigosa na dita, à época chamada de Praia do Pinto.

Falando em praia, Ipanema, como as outras da região – Leblon e Copacabana – eram tranquilas, frequentadas basicamente pelos moradores dos bairros, sem a presença incômoda de ratos de areia (ladrões) e arrastões, água de coco ou chuveiros, com belas ondas para pegar “jacaré” (precursor do surf), tatuís na areia, arraias e água-viva no mar sempre azul.   

Mas malandro que era malandro, quando vestido a caráter usava terno jaquetão, camisa de seda (para evitar corte de navalha em eventuais rusgas com desafetos) chapéu de aba larga e calça de boca fina. Aliás, segundo a lenda – era um tempo em que o delegado responsável por Ipanema fazia rondas sempre munido de uma laranja e que, ao se deparar com um suspeito, jogava-lhe a laranja calça adentro para confirmar se passaria pela boca da dita. Se não passasse, cana! Folclore carioca.

Ainda naqueles tempos, nos fins de semana à noite, a “turma” ficava na porta do cinema Astória (moderníssimo) jogando conversa fora olhando as meninas e, aos domingos, tirando sarro dos cadetes do Exército cuja fardas possuíam seis botões dourados na parte de trás. Eram vários aguardando a chegada do ônibus que os levaria para a Escola e o sarro era chamar-lhes de “seis na bunda”… Bem carioca!!!

Já em Copacabana, mais sofisticada e mundialmente conhecida, o “footing” – flertar, paquerar, caminhar pela calçada desenhada com pedras portuguesas – era bem concorrido. Os mais abonados iam e viam do Posto 6 ao Leme desfilando em “conversíveis” de dar inveja. Sem qualquer preocupação com a segurança.

Mas aquela não era a praia do Mischetti.  

 

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