PONDERANDO

* * * Reflexão em 120 segundos * * *

Categoria: Brasil (Página 2 de 11)

Utopia ou distopia?

Estamos vivendo dentro de um caldeirão transbordante de violência, descaso absoluto pelo próximo, educação formal e informal em decadência. Talvez tenha sido sempre assim, mundo afora e desde tempos imemoriais, mas – com a socialização da informação – a transparência tem sido cristalina. (Continua…)

Agora é pegar ou largar

O mundo acordou hoje com a triste notícia do falecimento de Stephen Hawking aos 76 anos. Físico teórico e cosmólogo, esse gênio britânico ajudou a entender a origem do Universo e o papel dos buracos negros. Para quem desconhece, Cosmologia é a Ciência que estuda o Universo na sua origem, estrutura, evolução e composição. (Continua…)

Bônus e ônus da tecnologia

Ao longo das últimas décadas, o desenvolvimento tecnológico sem precedentes vem ocupando lugar de destaque em nossas vidas alterando hábitos e costumes. Mudanças radicais, inclusive de comportamento, transformaram o perfil das sociedades levando-as a serem mais complacentes, libertas de preconceitos, mais autênticas em diversos sentidos. (Continua…)

O lado obscuro de todos

Em 17 de março a Operação Lava-Jato aniversaria. Quatro anos de trabalho intenso e competente por parte da Polícia Federal – apesar da morosidade da Justiça – resultaram em um novo perfil dessas instituições.

O início da nova História do Brasil começou a ser escrito em junho de 2005, com as revelações de um escândalo escancarado de corrupção na política de compra e venda de votos no parlamento visando garantir a maioria do governo em todas as suas propostas. Uma democracia corrompida ou um capitalismo autoritário? (Continua…)

O Rio de Janeiro (não) continua lindo

Faz tempo, mas…

O nome dele era Mischetti. Não, não era italiano. Era um negão de 1,90 m de altura, simpático, amigo de todos e malandro típico. Malandro é aquele que não trabalha, que emprega recursos engenhosos para sobreviver. Popular entre a rapaziada de Ipanema (RJ), com quem jogava bola na praia e sinuca no bar da esquina próxima ao Bar Vinte, era uma figura memorável.

Para quem nunca ouviu falar, o Bar Vinte era o final da principal rua interna do bairro – a Visconde de Pirajá – “giratória” do fim da linha do bonde da linha 13, Ipanema, e do 11, Jardim Leblon, que vinha em sentido contrário.

Respeitado pela mini favela vizinha – localizada no início do bairro Leblon e caminho mais curto para, a pé, chegar-se ao “campo do Flamengo” – sua companhia era a garantia de trajeto tranquilo sem percalços em dias de jogo. Ressalte-se, no entanto, que nunca se soube de qualquer atividade perigosa na dita, à época chamada de Praia do Pinto.

Falando em praia, Ipanema, como as outras da região – Leblon e Copacabana – eram tranquilas, frequentadas basicamente pelos moradores dos bairros, sem a presença incômoda de ratos de areia (ladrões) e arrastões, água de coco ou chuveiros, com belas ondas para pegar “jacaré” (precursor do surf), tatuís na areia, arraias e água-viva no mar sempre azul.   

Mas malandro que era malandro, quando vestido a caráter usava terno jaquetão, camisa de seda (para evitar corte de navalha em eventuais rusgas com desafetos) chapéu de aba larga e calça de boca fina. Aliás, segundo a lenda – era um tempo em que o delegado responsável por Ipanema fazia rondas sempre munido de uma laranja e que, ao se deparar com um suspeito, jogava-lhe a laranja calça adentro para confirmar se passaria pela boca da dita. Se não passasse, cana! Folclore carioca.

Ainda naqueles tempos, nos fins de semana à noite, a “turma” ficava na porta do cinema Astória (moderníssimo) jogando conversa fora olhando as meninas e, aos domingos, tirando sarro dos cadetes do Exército cuja fardas possuíam seis botões dourados na parte de trás. Eram vários aguardando a chegada do ônibus que os levaria para a Escola e o sarro era chamar-lhes de “seis na bunda”… Bem carioca!!!

Já em Copacabana, mais sofisticada e mundialmente conhecida, o “footing” – flertar, paquerar, caminhar pela calçada desenhada com pedras portuguesas – era bem concorrido. Os mais abonados iam e viam do Posto 6 ao Leme desfilando em “conversíveis” de dar inveja. Sem qualquer preocupação com a segurança.

Mas aquela não era a praia do Mischetti.  

 

A porteira está aberta

Desde que me entendo por gente ouço dizer que o brasileiro não sabe votar. Descartando o emocional de muitos, creio ser verdadeira a assertiva, considerando nossa realidade indiscutível. Indiscutível por que a realidade se encontra diante de nossos olhos, comprovadamente, a cada dois anos.

Somos todos obrigados, por lei, a votar. Caso contrário, “democraticamente”  punidos com multas e impedimentos, exceto se apresentarmos justificativas em tempo hábil.

Hoje, o voto facultativo está vigente em 205 países do mundo e só em 24 deles (13 na América Latina) continua sendo obrigatório. Logo, o Brasil continua entre os poucos países com voto obrigatório, uma clara anormalidade democrática.

A obrigação atinge os brasileiros alfabetizados que têm entre 18 e 70 anos de idade. Para os analfabetos, os maiores de 70 e os que têm entre 16 e 18 anos, o voto é facultativo. Ou seja, analfabetos podem, também, votar! Quero crer que a baixa escolaridade da sociedade contribui para a também baixa politização de nosso povo, com consequências fartamente conhecidas.

Diante desse quadro, fácil entender-se porque este país se encontra na contramão da história. Enclausurados, políticos que administram e legislam em causa própria são, todos e ainda, protegidos pelo guarda-chuva de uma estranha justiça quando pegos em prevaricação.

As instâncias a que réus podem recorrer no Judiciário – desde que possuam cacife suficiente para poder pagar, a peso de ouro, advogados influentes – são intermináveis, como vem sendo demonstrado no caso de muitos “expoentes“ réus da Lava-Jato. Já em Pedrinhas, Ceará…

Aliás, o Brasil é o único país do mundo que tem quatro instâncias recursais podendo ampliar a duração dos processos quase indefinidamente. 

Ademais, contamos com um Superior Tribunal Federal cujos ministros, inexplicavelmente, mantem “dormindo” em suas gavetas – há anos – processos de políticos com foro privilegiado aguardando julgamento. E dizem que a justiça é cega. Deve mesmo ser!

Afinal, como em uma reação em cadeia, todos os que ocupam suas cadeiras no Executivo, Legislativo e Judiciário, foram lá colocados por nós cidadãos: direta ou indiretamente. Assim, somos, sem choro nem vela, os únicos responsáveis pela tragédia nacional que assola o país.

A porteira da eleição majoritária de outubro está aberta. “Fazemos qualquer negócio, só não vale xingar a mãe”, vociferam os arautos das urnas.

Segundo já afirmou o deputado federal Tiririca: “pior que está não pode ficar”. Pode sim! Cabe a nós desmenti-lo, apesar de tudo e do tempo nublado.

As moscas são as mesmas

A Corte das Cortesias

Por mais que oportuno, transcrevo texto de Chico Alencar, autor de BR-500: um guia para a redescoberta do Brasil, Ed. Vozes. 

“Há 210 anos, em 22 de janeiro de 1808, aconteceu um “segundo descobrimento” do Brasil. Aportou em Salvador, fugindo das guerras napoleônicas, a esquadra que trazia nada menos 15 mil fidalgos da Corte Portuguesa. Escoltada pela Inglaterra, a “senhora dos mares”, e tendo D. João à frente, os nobres logo se estabeleceram na capital da Colônia, o Rio de Janeiro.

Dom João VI ganhou de um traficante de escravos uma bela mansão na Quinta da Boa Vista. E, no seu curto reinado brasileiro (ficou até 1821), distribuiu mais títulos de nobreza do que em toda a história da monarquia portuguesa.

O historiador Pedro Calmon (1902-1985) dizia que “para ganhar um título de nobreza em Portugal eram necessários 500 anos, mas no Brasil bastavam 500 contos”

Passados pouco mais de 200 anos, só mudaram as moscas!

Há que se temer pelo futuro!

Aves de Rapina

Dez anos atrás o mundo enfrentava uma gravíssima crise financeira que ameaçava a estabilidade até de governos. Hoje, os tempos são outros, ventos das economias dos países desenvolvidos sopram a favor.  Mas como tudo é cíclico…

Àquela época escrevi um artigo abordando o tema que agora considero pertinente e a ser lembrado. Afinal, é “quando não chove, que se conserta o telhado!” Estamos em ano de eleição majoritária, mudança do inquilino do Palácio do Planalto e, quem dera, de 513 deputados federais e muitos senadores em fim de mandato que defendem com unhas e dentes apenas seus interesses pessoais.

A não ser no frio de Curitiba e pleno verão no Rio de Janeiro, a Justiça brasileira – também e com ressalvas – não parece ser tão cega nem expedita como sonha a sociedade. Daí arriscar-me a relembrar trechos de meu artigo “Lições de uma crise global” (outubro de 2008).

“Dizem que a necessidade é a mãe da invenção. Sem ação solidária todos perdem. Sem opções, as potências deixam as vaidades de lado. Suas diferenças regionais perdem importância. Seu poderio torna-se virtual. E como dizia o poeta: “Quando a fome bate na porta o amor foge pela janela”. O mundo começa a compreender que sinergia é isso: 1+1=3.

Excelente o momento para que nós, simples mortais, possamos aprender um pouco com esta situação. Não sobre finanças, economia, política internacional.  As razões desta catástrofe, que pode mexer – e muito – com nossas vidas, não têm fundamento técnico. Provavelmente serei excomungado por tal afirmação!

A meu ver, o ser humano é insaciável na busca de suas conquistas individuaisdo lucro fácil, da ostentação e do poder – seja ele econômico, financeiro, bélico ou pessoal. As instituições são geridas por homens e mulheres ansiosos por galgar posições hierarquicamente elevadas. Querem o topo! Visam conseguir uma projeção profissional que lhes permita auferir dos benefícios financeiros advindos de sua participação nas decisões. Quanto mais elevada a posição atingida, maiores as concessões a serem feitas… É a regra do jogo.

Valores pessoais e éticos ficam muitas vezes comprometidos pelo “glamour” do sucesso, pelos holofotes que iluminam seus egos, pela conta bancária generosa. A competência, a lisura, a responsabilidade e respeito pelo “outro” ficam ofuscadas quando as oportunidades duvidosas e tentadoras surgem e falam mais alto.

É chegado o momento de o individualismo se aposentar. Pensar – e agir – com consciência no todo e não apenas nas partes pode ser a tábua de salvação.”

 Qualquer semelhança com os dias atuais, por aqui, é mera coincidência.

Século XXI –Século Chinês

Poucos países no mundo possuem a capacidade de serem autossuficientes. O Brasil poderia ser um sério candidato ao feito, já que não lhe faltam requisitos essenciais como extensão territorial, clima favorável, abundância de água, solo variável, imensa costa propícia à navegação de Cabotagem (7.367 km), rios extensos passíveis de serem navegados. (Continua…)

Homo sapiens, mas nem tanto

Somos todos seres estressados pela qualidade de vida imposta por uma sociedade cujos objetivos, ao longo do tempo, tem sido o de criar facilidades para a vida cotidiana. O caminho escolhido, por décadas em sequência: reduzir tarefas de esforço manual pelo uso de máquinas; produzir mais – ainda que com qualidade inferior -, para atender a demanda crescente de consumo (estimulada pelo marketing agressivo); compactar espaços restringindo condições de conforto; oferecer comodidades que levam ao sedentarismo o qual – por sua vez – compromete a saúde; negligenciar na aplicação de leis que permitiriam às pessoas viver com mais saúde, em paz e tranquilidade.

(Continua…)

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