PONDERANDO

HOLAMBRA

Categoria: Política (page 1 of 12)

Beija-mão Senatorial

A indicação de nomes para Procurador Geral da República (PGR) ou Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) é de competência do presidente da República. A alçada de aprovação é do Senado Federal, via sabatina dos designados.

Como se tratam de escolhas pessoais do presidente para ambos os cargos, suas preferências podem interferir nos nomes escolhidos. Tanto a nível presidencial como senatorial.

Talvez não seja por outra razão que os indicados a ocupar os cargos em ambas as instituições, tão logo lembrados, iniciam uma maratona pelos gabinetes dos senadores visando – em tese – apresentarem-se antes da sabatina em plenário. Estabelece-se, assim, um vínculo – por menor que seja – entre aqueles que um dia poderão vir a tornar-se réus (senadores) e outros (ministros do STF e/ou PGR) que terão a prerrogativa de julgá-los nos casos previstos em lei.

E surge a questão: existe, aí, comprometimento da ética? Trata-se de amoralidade institucional?

Tanto o STF quanto a PGR têm sido alvo da sociedade frente a posicionamentos assumidos quando de julgamentos envolvendo nomes de peso, como políticos e personalidades influentes junto àquelas instituições. Não raro, sem nenhum disfarce!

Assim, a maratona empreendida por indicados a ocupar aqueles cargos de relevância institucional parece produzir efeitos inequívocos. Os contatos preliminares junto aos senadores – antes das sabatinas pela câmara alta do Congresso Nacional – tem se provado eficiente.

Constate-se, por exemplo, que um em cada três integrantes do Senado (25) responde a acusações criminais hoje. Em maio do ano passado eram 44 (mais da metade). Só o senador Renan Calheiros (AL) é réu em uma ação penal

no Supremo e alvo em 12 inquéritos. Cinco outros também são réus. Maior transparência, impossível! Só o STJ se mantem intocável e blindado.

E mais: de relevância inquestionável é a “doutrinação” que os senadores vêm recebendo, sob a batuta do presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre, visando a aprovação do nome do filho do presidente da República para ocupar a Embaixada do Brasil nos Estados Unidos assim que formalizada sua indicação pelo pai. “Faz parte do jogo democrático”, argumenta-se.

E repete-se a questão: comprometimento da ética? Amoralidade institucional?

Por fim, imagine-se a repercussão de conversas dos maratonistas com os senadores se, no mínimo pouco republicanas, fossem gravadas via “alta tecnologia” e divulgadas pelo jornalismo investigativo do “Site The Intercept”.

Aí conheceríamos o Brasil real!

Curtiu? Compartilhe

Deus é brasileiro. Mas pode perder a paciência…

“Por vias democráticas a transformação que o Brasil quer não acontecerá na velocidade que almejamos” (vereador Carlos Bolsonaro – RJ, filho do presidente). Desgostoso com a política não cogita concorrer no ano que vem, mas pretende lançar sua mãe, Rogéria, como candidata a vereadora no RJ nas eleições em 2020…

“Nesta terça-feira, evento na ONU vai denunciar apologia de Bolsonaro à ditadura e sua política de desmonte de mecanismos de Justiça e Verdade no País” (jornalista Jamil Chade – correspondente internacional na Europa). Batata assando? Continue reading

Rumo ao desconhecido

Desalento! Este o melhor termo que posso encontrar para definir meu estado de espírito neste momento, quiçá o de milhões que compartilham o mesmo sentimento.

O Brasil da desesperança até o final do ano passado deu lugar a um “mitoesperança” ao eleger para a Presidência da República o Capitão da Reserva do Exército e ex-deputado federal, por 27 anos, Jair Messias Bolsonaro. Na esteira do impulso do momento seus filhos Eduardo e Flavio, foram também eleitos: o primeiro para a Câmara dos Deputados e o segundo para o Senado Federal. Ambos, de fato, embaixadores do presidente no congresso, com Eduardo almejando se tornar a seguir representante do Brasil junto ao governo-espelho de Donald Trump (EUA). Surreal! Continue reading

“Por que não te calas?”

O mundo sempre admirou homens e mulheres agraciados com o dom da palavra. Líderes, escritores, pensadores, filósofos vários, nos brindaram com pensamentos e crenças, marcando épocas e comportamentos. De Demóstenes e Cícero na antiguidade, passando por Ruy Barbosa, Martin Luther King, Winston Churchill, Nelson Mandela a, até mais recentemente, Barack Obama, no mundo ocidental. A relação é, por certo, incompleta tantos são os que estiveram e ainda estão entre nós contribuindo para o enriquecimento de culturas. Continue reading

Não acredito em bruxas, mas …

Desde o início de julho, quando a Folha de S. Paulo e o site The Intercept começaram a publicar uma série de conversas atribuídas aos protagonistas da Operação Lava Jato, o assunto é mantido – diariamente – nas manchetes dos órgãos de comunicação. Articulistas e jornalistas identificados com a causa se apresentam, com fôlego, expondo sua visão das informações disponíveis e fatos ainda que carentes de comprovação absoluta. Continue reading

…e no mato sem cachorro

A esperança depositada por 57 milhões de brasileiros em um governo que poderia recolocar este país nos trilhos, depois de desastradas políticas econômicas e sociais implantadas por governos anteriores, parece estar derretendo. Governo este que, juntamente com os outros dois poderes, está transformando a República em um Apocalipse, palavra grega que significa “Exposição” ou “Revelação”. Continue reading

Em ponto morto

Nestes tempos conturbados devido a interceptação de informações sigilosas – que alguns consideram crime – o Judiciário brasileiro se apresenta diante dos olhos da população como que possuído por uma catarata inoperável embaçando a visão correta sobre o que é e o que não é em termos de justiça. Continue reading

Mordendo a língua

Já havia me proposto a desligar – por uns tempos – assuntos políticos de minha tomada 440v nos artigos que aqui ouso colocar. Mas é só abrir o noticiário da hora e eis que me defronto com uma avalanche de informações que incomodam, tanto como pessoa como cidadão. Afinal, estamos vivendo e reagindo a todo tipo de estímulo visual, sonoro, psicológico, não raro sem que o percebamos. E mais: estabelecemos um “link” entre eles passando a ser peças de uma manipulação que os amantes da tecnologia na prateleira podem explicar muito bem. Continue reading

Aguardemos o gran finale da ópera bufa

Parece não haver mais dúvidas que prossegue a candidatura do deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do Presidente da República, para ocupar a Embaixada do Brasil nos Estados Unidos da América. Segundo seu pai, “da minha parte está definida [a indicação)”. Disse mais, em evento no plenário da Câmara (15/07/19).: “Se está sendo tão criticado pela mídia é sinal de que é a pessoa adequada”. Não entendi a alusão, mas de qualquer forma, são críticas oriundas não apenas da imprensa. Inclusive minha, destacaria eu.

Por fim, conclui o Presidente Jair Bolsonaro: “Tem um caminho todo grande pela frente. Tem um termo técnico para os Estados Unidos verem se tem alguma coisa contra [a nomeação]. Tem que conversar com o Parlamento” (sic). Sem comentário.

Aliás, o anúncio da indicação para ocupar a embaixada em Washington foi, curiosamente, feito tão logo o filho completou 35 anos, idade mínima estabelecida por lei para chefiar qualquer missão diplomática no exterior. Reto e direto!

Em função desse quadro e segundo o jornal Folha de S. Paulo, interlocutores do governo já começaram a se movimentar nos bastidores para tentar aprovar – em votação secreta – o nome de Eduardo Bolsonaro no Senado. Pois é! “Brasil acima de tudo…”

Imagina-se que o “efeito Trump” tenha algo a ver com a indicação, haja vista determinadas coincidências de atitudes e pensamento entre os dois presidentes. Todas sobejamente conhecidas. Saliente-se que mundo afora, exceto em ditaduras, dificilmente indicar-se-ia alguém para ocupar cargo topo da diplomacia – principalmente em embaixada na maior potência mundial – apenas com credenciais relevantes como na culinária (fritar hamburger no país), fazer treinamento cardiovascular de resistência ao frio montanhas do Colorado e enfrentar o gélido clima no estado do Maine na fronteira do Canadá.

E a propósito: aceitaria o Brasil, como embaixador para representar seu país aqui, alguém que apenas aprecia uma caipirinha, já brincou no carnaval e tenha visitado as belas praias do nordeste?

Mas como já expresso anteriormente, a forma como o maestro conduz sua sinfônica, sempre dispensando o “spala” (responsável por afinar a orquestra, antes da entrada do maestro) permanece intacta e inalterada.

Assim, aguardemos o gran finale da ópera bufa!

Curtiu? Compartilhe

e-mail: radeathayde@ponderando.com.br

 

O Brasil e a Questão Ambiental

Aprendi – em um documentário sobre o clima – seus desvarios e soluções pragmáticas para deter a mudança climática, que todo e qualquer vegetal, principalmente árvores e florestas, por óbvio, absorvem o CO2 (dióxido de carbono) da atmosfera, liberam o oxigênio e retém o carbono. Resultado: redução dos níveis de carbono na camada de gases que envolve o planeta, tornando-o mais saudável para a humanidade.

O dióxido de carbono, também conhecido como gás carbônico, é associado ao chamado efeito estufa e considerado prejudicial ao meio ambiente, como visto acima. Informações geradas pela Wikipédia demonstram que, entre 1991 e 2000, a área total desmatada para a pecuária e abertura de estradas da maior floresta tropical do mundo aumentou mais que seis vezes que a área de Portugal, 64% maior que a da Alemanha, 55% maior que a do Japão. E você nem desconfiava…

A maior parte da população desconhece que, em 2008, foi criado o Fundo Amazônia para prevenir, monitorar e combater o desmatamento. Entre os maiores doadores do Fundo estão países comprometidos seriamente com a qualidade do clima: Noruega (94%), Alemanha (5%). A Petrobrás participou com modestos 1%.

Mas a preocupação com notícias da imprensa que dão conta que o governo federal pretende usar recursos do Fundo para indenizar fazendeiros que possuem imóveis em áreas de proteção ambiental pode levar os dois países europeus a encerrar suas doações. São doações para investimentos, não reembolsáveis, a fundo perdido, que já disponibilizaram cerca de R$ 3 bilhões para o país. Verba que, entre outros destinos louváveis, permite que o Brasil possa pesquisar e preservar a floresta amazônica sem gastar um centavo sequer.

Vale lembrar, no entanto, que o desmatamento na floresta amazônica em junho deste ano foi 88% superior ao verificado no mesmo período de 2018, segundo dados do INPE divulgados nesta semana. No ano passado, ainda no governo Temer, e devido ao aumento do desmatamento entre 2015 e 2016, os europeus chegaram a cogitar suspender as doações. Dando um voto de confiança ao Brasil, acreditando que o país faria sua parte para reverter o problema, suspenderam a intenção. Não fizemos o dever de casa!

Assim, nossa sociedade deve ficar alerta para o papel que este país representa na questão ambiental dentro da ordem mundial. Que não deixe ficar na mão – ou bolsos – de políticos a parcela de responsabilidade que lhe cabe na preservação de um meio ambiente sustentável para todos. Ou, que se revele de uma vez.

Somos parte do problema… e da solução! Falta-nos credibilidade!

Curtiu? Compartilhe

email: radeathayde@ponderando.com.br

« Older posts

© 2019 PONDERANDO

Theme by Anders NorenUp ↑