PONDERANDO

* * * Reflexão em 120 segundos * * *

Categoria: Política (Página 2 de 8)

A porteira está aberta

Desde que me entendo por gente ouço dizer que o brasileiro não sabe votar. Descartando o emocional de muitos, creio ser verdadeira a assertiva, considerando nossa realidade indiscutível. Indiscutível por que a realidade se encontra diante de nossos olhos, comprovadamente, a cada dois anos.

Somos todos obrigados, por lei, a votar. Caso contrário, “democraticamente”  punidos com multas e impedimentos, exceto se apresentarmos justificativas em tempo hábil.

Hoje, o voto facultativo está vigente em 205 países do mundo e só em 24 deles (13 na América Latina) continua sendo obrigatório. Logo, o Brasil continua entre os poucos países com voto obrigatório, uma clara anormalidade democrática.

A obrigação atinge os brasileiros alfabetizados que têm entre 18 e 70 anos de idade. Para os analfabetos, os maiores de 70 e os que têm entre 16 e 18 anos, o voto é facultativo. Ou seja, analfabetos podem, também, votar! Quero crer que a baixa escolaridade da sociedade contribui para a também baixa politização de nosso povo, com consequências fartamente conhecidas.

Diante desse quadro, fácil entender-se porque este país se encontra na contramão da história. Enclausurados, políticos que administram e legislam em causa própria são, todos e ainda, protegidos pelo guarda-chuva de uma estranha justiça quando pegos em prevaricação.

As instâncias a que réus podem recorrer no Judiciário – desde que possuam cacife suficiente para poder pagar, a peso de ouro, advogados influentes – são intermináveis, como vem sendo demonstrado no caso de muitos “expoentes“ réus da Lava-Jato. Já em Pedrinhas, Ceará…

Aliás, o Brasil é o único país do mundo que tem quatro instâncias recursais podendo ampliar a duração dos processos quase indefinidamente. 

Ademais, contamos com um Superior Tribunal Federal cujos ministros, inexplicavelmente, mantem “dormindo” em suas gavetas – há anos – processos de políticos com foro privilegiado aguardando julgamento. E dizem que a justiça é cega. Deve mesmo ser!

Afinal, como em uma reação em cadeia, todos os que ocupam suas cadeiras no Executivo, Legislativo e Judiciário, foram lá colocados por nós cidadãos: direta ou indiretamente. Assim, somos, sem choro nem vela, os únicos responsáveis pela tragédia nacional que assola o país.

A porteira da eleição majoritária de outubro está aberta. “Fazemos qualquer negócio, só não vale xingar a mãe”, vociferam os arautos das urnas.

Segundo já afirmou o deputado federal Tiririca: “pior que está não pode ficar”. Pode sim! Cabe a nós desmenti-lo, apesar de tudo e do tempo nublado.

As moscas são as mesmas

A Corte das Cortesias

Por mais que oportuno, transcrevo texto de Chico Alencar, autor de BR-500: um guia para a redescoberta do Brasil, Ed. Vozes. 

“Há 210 anos, em 22 de janeiro de 1808, aconteceu um “segundo descobrimento” do Brasil. Aportou em Salvador, fugindo das guerras napoleônicas, a esquadra que trazia nada menos 15 mil fidalgos da Corte Portuguesa. Escoltada pela Inglaterra, a “senhora dos mares”, e tendo D. João à frente, os nobres logo se estabeleceram na capital da Colônia, o Rio de Janeiro.

Dom João VI ganhou de um traficante de escravos uma bela mansão na Quinta da Boa Vista. E, no seu curto reinado brasileiro (ficou até 1821), distribuiu mais títulos de nobreza do que em toda a história da monarquia portuguesa.

O historiador Pedro Calmon (1902-1985) dizia que “para ganhar um título de nobreza em Portugal eram necessários 500 anos, mas no Brasil bastavam 500 contos”

Passados pouco mais de 200 anos, só mudaram as moscas!

Há que se temer pelo futuro!

Aves de Rapina

Dez anos atrás o mundo enfrentava uma gravíssima crise financeira que ameaçava a estabilidade até de governos. Hoje, os tempos são outros, ventos das economias dos países desenvolvidos sopram a favor.  Mas como tudo é cíclico…

Àquela época escrevi um artigo abordando o tema que agora considero pertinente e a ser lembrado. Afinal, é “quando não chove, que se conserta o telhado!” Estamos em ano de eleição majoritária, mudança do inquilino do Palácio do Planalto e, quem dera, de 513 deputados federais e muitos senadores em fim de mandato que defendem com unhas e dentes apenas seus interesses pessoais.

A não ser no frio de Curitiba e pleno verão no Rio de Janeiro, a Justiça brasileira – também e com ressalvas – não parece ser tão cega nem expedita como sonha a sociedade. Daí arriscar-me a relembrar trechos de meu artigo “Lições de uma crise global” (outubro de 2008).

“Dizem que a necessidade é a mãe da invenção. Sem ação solidária todos perdem. Sem opções, as potências deixam as vaidades de lado. Suas diferenças regionais perdem importância. Seu poderio torna-se virtual. E como dizia o poeta: “Quando a fome bate na porta o amor foge pela janela”. O mundo começa a compreender que sinergia é isso: 1+1=3.

Excelente o momento para que nós, simples mortais, possamos aprender um pouco com esta situação. Não sobre finanças, economia, política internacional.  As razões desta catástrofe, que pode mexer – e muito – com nossas vidas, não têm fundamento técnico. Provavelmente serei excomungado por tal afirmação!

A meu ver, o ser humano é insaciável na busca de suas conquistas individuaisdo lucro fácil, da ostentação e do poder – seja ele econômico, financeiro, bélico ou pessoal. As instituições são geridas por homens e mulheres ansiosos por galgar posições hierarquicamente elevadas. Querem o topo! Visam conseguir uma projeção profissional que lhes permita auferir dos benefícios financeiros advindos de sua participação nas decisões. Quanto mais elevada a posição atingida, maiores as concessões a serem feitas… É a regra do jogo.

Valores pessoais e éticos ficam muitas vezes comprometidos pelo “glamour” do sucesso, pelos holofotes que iluminam seus egos, pela conta bancária generosa. A competência, a lisura, a responsabilidade e respeito pelo “outro” ficam ofuscadas quando as oportunidades duvidosas e tentadoras surgem e falam mais alto.

É chegado o momento de o individualismo se aposentar. Pensar – e agir – com consciência no todo e não apenas nas partes pode ser a tábua de salvação.”

 Qualquer semelhança com os dias atuais, por aqui, é mera coincidência.

Século XXI –Século Chinês

Poucos países no mundo possuem a capacidade de serem autossuficientes. O Brasil poderia ser um sério candidato ao feito, já que não lhe faltam requisitos essenciais como extensão territorial, clima favorável, abundância de água, solo variável, imensa costa propícia à navegação de Cabotagem (7.367 km), rios extensos passíveis de serem navegados. (Continua…)

Seu futuro pode estar em jogo

“ O Banco Mundial coloca o país como uma das piores economias do mundo para se fazer negócios. E muito disso é fruto da burocracia.

No ranking, que lista 190 economias do mundo todo, o Brasil aparece em 123.ª. Três quesitos puxam a classificação do país para baixo, todos relacionados à burocracia: a dificuldade para começar um negócio, as permissões de zoneamento e o pagamento de impostos. (Continua…)

Última oportunidade

O brasileiro que não é analfabeto funcional começou, recentemente, a conhecer siglas de que jamais ouvira falar antes: STF, MPF, TSE e quantas mais. Até os mais desavisados aprenderam que Câmara dos Deputados e Senado Federal compõem o Legislativo e que “Planalto” – eufemismo criado pela Globo – significa governo. Poder Judiciário, Polícia Federal, Procuradores da República, deixaram de ser entidades desconhecidas – ou conhecidas de ínfima camada da população – passando a despertar a atenção da parte mediana-superior da pirâmide.

(Continua…)

Temporrada de Furacões

O noticiário dos últimos dias tem sido dominado pelos furacões que assolaram o Caribe atingindo também a Flórida, nos Estados Unidos. O Irma, acompanhado por José e Katia, furacões de menor intensidade, tem feito um estrago de bilhões de dólares, abalando a economia do estado no sul do país. (Continua…)

Saudades do Brasil do Ary

Enquanto o boquirroto presidente dos Estados Unidos, Donald. G. Trump, não encontra nada mais útil e produtivo para fazer em prol de seu país, apenas destemperando a imagem de uma nação que se imagina maestra dos destinos do mundo; enquanto um jogador de futebol – com 25 anos de idade – voa da Europa para o Brasil em seu jato particular para passar um fim de semana navegando em seu iate de quinze milhões de reais pelas águas tranquilas do Guarujá; enquanto a Coreia do Norte, firme em seu programa nuclear, lança míssil que sobrevoou o território japonês causando perplexidade e temor pelo que vem pela frente, o mundo continua girando como uma roleta russa. (Continua…)

Entenda o seu País

Até o final de 2018 – ano eleitoral – estaremos obrigados a tolerar a ênfase das mídias nas idas e vindas da política e políticos prostituídos, bem acompanhados pela continuidade nas investigações da Operação Lava-Jato e, ainda, por notícias de insegurança absoluta no Rio de Janeiro onde um policial militar é assassinado a cada 56 horas.   (Continua…)

A Justiça e Você

A Justiça e o Direito, enquanto ciência, não são entendidos por todos. Casos de grande repercussão envolvendo julgamentos, como os ora ocorrendo por aqui, despertam a atenção dos mais politizados. Mesmo desconhecendo os intestinos desse universo – que mais parece ser uma caixa preta aos olhos do homem comum – não há quem não forme opinião (gratuita) sobre acontecimentos que levam os tribunais às nossas casas, via imprensa. (Continua…)

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