PONDERANDO

* * * Reflexão em 120 segundos * * *

Categoria: Política (Página 2 de 8)

Ainda há muito o que temer

A negociação para pôr fim à recente greve dos caminhoneiros foi uma clara demonstração do primarismo com que o governo federal trata os assuntos de relevância nacional. Habituado a se recompor politicamente na base do toma lá de cá, vendendo cargos de direção em empresas estatais a políticos protegidos pelo manto do foro privilegiado, sua incompetência para negociar com profissionais – escaldados e astutos – beirou a galhofa. (Continua…)

Chovendo no molhado?

Recentemente, um amigo comentou que lia meus artigos mas fez uma observação: chove no molhado. Ato contínuo, “corrigiu-se” afirmando que muita gente desconhecia os diversos assuntos abordados e que valia a pena ler a coluna semanal no jornal para se informar.

Fiquei remoendo aquela observação e me perguntando se a observação não procederia. Afinal, os leitores são soberanos, não possuem a mesma cultura e formação nem comungam da mesma visão sobre os vieses da vida. Nenhuma surpresa, portanto. (Continua…)

Hora de virar o jogo

Semana passada, em minha coluna no jornal e site na internet, escrevi com veemência – “Pense fora da caixa” – sobre o momento que o país vem atravessando. Desde o início da Operação Lava Jato – em realidade desde o Mensalão, nos idos de 2005 e 2006 – a Justiça brasileira vem se constituindo em um baluarte contra a corrupção entranhada nos intestinos da política e de grandes empresas.     (Continua…)

Pense fora da caixa

Em ano de eleição, a devoção dos parlamentares está voltada para a sobrevivência de seus mandatos. A manipulação na votação de projetos importantes para o país tem sido uma realidade e uma bofetada na cara do eleitor. Descaradamente! (Continua…)

O lado obscuro de todos

Em 17 de março a Operação Lava-Jato aniversaria. Quatro anos de trabalho intenso e competente por parte da Polícia Federal – apesar da morosidade da Justiça – resultaram em um novo perfil dessas instituições.

O início da nova História do Brasil começou a ser escrito em junho de 2005, com as revelações de um escândalo escancarado de corrupção na política de compra e venda de votos no parlamento visando garantir a maioria do governo em todas as suas propostas. Uma democracia corrompida ou um capitalismo autoritário? (Continua…)

O modelo se exauriu

“Este é um blog que acredita na magia da palavra escrita como elo de aproximação entre pessoas que comungam de um mesmo pensamento e fonte de oportunidades para reflexão de outras tantas que assim não pensam”.

Após alguns anos como colunista do JC Holambra e ter colocado o Ponderando na internet –- cunhei a frase acima para definir o espírito que me levou a escrever artigos e crônicas analisando e refletindo nosso viver ao longo dos tempos.

Não tive, nem tenho, como avaliar o resultado de meu propósito. Apenas a consciência de que não poderia me furtar à responsabilidade de contribuir para que possamos, todos, viver em harmonia e coexistir pacificamente apesar das divergências.  

Vivemos em um mundo globalmente conturbado por razões políticas, econômicas, éticas e sociais. Fronteiras e barreiras que salvaguardavam e respeitavam culturas e costumes vêm sendo demolidas. A desconfiança paira em todos os estratos das sociedades, seja por conflitos étnicos ou insegurança pessoal e familiar, diante da violência incontida por aqui e mundo afora.

A sobrevivência do planeta depende do bom senso de governos que dominam a tecnologia da energia nuclear bélica. Um resvalo em momento crítico e mergulharemos em hecatombe jamais vista.

O ser humano parece desconhecer a razão de sua existência. Inconsciente, persegue o poder e a riqueza como se sua saúde mental e física, bem como sua permanência por aqui fosse sem data para terminar e, ainda, lhe assegurasse qualidade de vida nesta que é efêmera por natureza.

Em detrimento da Saúde, Educação e Segurança, governos priorizam seus laços com a Economia –  maestrina das soluções para o bem-estar de seus povos. Parece não ser assim. A África, com países ricos em recursos minerais, padece com populações paupérrimas e governos autoritários ricos com contas na Suíça. Os Estados Unidos – maior potência mundial – escondem que apenas vinte por cento da população desfrutam de curso superior e tem bons empregos enquanto oitenta por cento vivem o setor de baixa renda. No Brasil as seis pessoas mais ricas concentram, juntas, a mesma riqueza que os 100 milhões mais pobres do país, ou seja, a metade da população brasileira.

A ONU prevê que dentro de 30 anos os terráqueos serão algo como 9 bilhões. O espaço físico a ser ocupado permanecerá o mesmo e os valores a serem respeitados para uma convivência pacífica, possivelmente distintos dos de hoje.

A miscigenação racial no mundo é crescente. Uma realidade sem volta com a Europa dando as cartas e o Oriente Médio se fazendo cada vez mais presente no Ocidente.

O modelo atual se exauriu. Vale refletir.

A porteira está aberta

Desde que me entendo por gente ouço dizer que o brasileiro não sabe votar. Descartando o emocional de muitos, creio ser verdadeira a assertiva, considerando nossa realidade indiscutível. Indiscutível por que a realidade se encontra diante de nossos olhos, comprovadamente, a cada dois anos.

Somos todos obrigados, por lei, a votar. Caso contrário, “democraticamente”  punidos com multas e impedimentos, exceto se apresentarmos justificativas em tempo hábil.

Hoje, o voto facultativo está vigente em 205 países do mundo e só em 24 deles (13 na América Latina) continua sendo obrigatório. Logo, o Brasil continua entre os poucos países com voto obrigatório, uma clara anormalidade democrática.

A obrigação atinge os brasileiros alfabetizados que têm entre 18 e 70 anos de idade. Para os analfabetos, os maiores de 70 e os que têm entre 16 e 18 anos, o voto é facultativo. Ou seja, analfabetos podem, também, votar! Quero crer que a baixa escolaridade da sociedade contribui para a também baixa politização de nosso povo, com consequências fartamente conhecidas.

Diante desse quadro, fácil entender-se porque este país se encontra na contramão da história. Enclausurados, políticos que administram e legislam em causa própria são, todos e ainda, protegidos pelo guarda-chuva de uma estranha justiça quando pegos em prevaricação.

As instâncias a que réus podem recorrer no Judiciário – desde que possuam cacife suficiente para poder pagar, a peso de ouro, advogados influentes – são intermináveis, como vem sendo demonstrado no caso de muitos “expoentes“ réus da Lava-Jato. Já em Pedrinhas, Ceará…

Aliás, o Brasil é o único país do mundo que tem quatro instâncias recursais podendo ampliar a duração dos processos quase indefinidamente. 

Ademais, contamos com um Superior Tribunal Federal cujos ministros, inexplicavelmente, mantem “dormindo” em suas gavetas – há anos – processos de políticos com foro privilegiado aguardando julgamento. E dizem que a justiça é cega. Deve mesmo ser!

Afinal, como em uma reação em cadeia, todos os que ocupam suas cadeiras no Executivo, Legislativo e Judiciário, foram lá colocados por nós cidadãos: direta ou indiretamente. Assim, somos, sem choro nem vela, os únicos responsáveis pela tragédia nacional que assola o país.

A porteira da eleição majoritária de outubro está aberta. “Fazemos qualquer negócio, só não vale xingar a mãe”, vociferam os arautos das urnas.

Segundo já afirmou o deputado federal Tiririca: “pior que está não pode ficar”. Pode sim! Cabe a nós desmenti-lo, apesar de tudo e do tempo nublado.

As moscas são as mesmas

A Corte das Cortesias

Por mais que oportuno, transcrevo texto de Chico Alencar, autor de BR-500: um guia para a redescoberta do Brasil, Ed. Vozes. 

“Há 210 anos, em 22 de janeiro de 1808, aconteceu um “segundo descobrimento” do Brasil. Aportou em Salvador, fugindo das guerras napoleônicas, a esquadra que trazia nada menos 15 mil fidalgos da Corte Portuguesa. Escoltada pela Inglaterra, a “senhora dos mares”, e tendo D. João à frente, os nobres logo se estabeleceram na capital da Colônia, o Rio de Janeiro.

Dom João VI ganhou de um traficante de escravos uma bela mansão na Quinta da Boa Vista. E, no seu curto reinado brasileiro (ficou até 1821), distribuiu mais títulos de nobreza do que em toda a história da monarquia portuguesa.

O historiador Pedro Calmon (1902-1985) dizia que “para ganhar um título de nobreza em Portugal eram necessários 500 anos, mas no Brasil bastavam 500 contos”

Passados pouco mais de 200 anos, só mudaram as moscas!

Há que se temer pelo futuro!

Aves de Rapina

Dez anos atrás o mundo enfrentava uma gravíssima crise financeira que ameaçava a estabilidade até de governos. Hoje, os tempos são outros, ventos das economias dos países desenvolvidos sopram a favor.  Mas como tudo é cíclico…

Àquela época escrevi um artigo abordando o tema que agora considero pertinente e a ser lembrado. Afinal, é “quando não chove, que se conserta o telhado!” Estamos em ano de eleição majoritária, mudança do inquilino do Palácio do Planalto e, quem dera, de 513 deputados federais e muitos senadores em fim de mandato que defendem com unhas e dentes apenas seus interesses pessoais.

A não ser no frio de Curitiba e pleno verão no Rio de Janeiro, a Justiça brasileira – também e com ressalvas – não parece ser tão cega nem expedita como sonha a sociedade. Daí arriscar-me a relembrar trechos de meu artigo “Lições de uma crise global” (outubro de 2008).

“Dizem que a necessidade é a mãe da invenção. Sem ação solidária todos perdem. Sem opções, as potências deixam as vaidades de lado. Suas diferenças regionais perdem importância. Seu poderio torna-se virtual. E como dizia o poeta: “Quando a fome bate na porta o amor foge pela janela”. O mundo começa a compreender que sinergia é isso: 1+1=3.

Excelente o momento para que nós, simples mortais, possamos aprender um pouco com esta situação. Não sobre finanças, economia, política internacional.  As razões desta catástrofe, que pode mexer – e muito – com nossas vidas, não têm fundamento técnico. Provavelmente serei excomungado por tal afirmação!

A meu ver, o ser humano é insaciável na busca de suas conquistas individuaisdo lucro fácil, da ostentação e do poder – seja ele econômico, financeiro, bélico ou pessoal. As instituições são geridas por homens e mulheres ansiosos por galgar posições hierarquicamente elevadas. Querem o topo! Visam conseguir uma projeção profissional que lhes permita auferir dos benefícios financeiros advindos de sua participação nas decisões. Quanto mais elevada a posição atingida, maiores as concessões a serem feitas… É a regra do jogo.

Valores pessoais e éticos ficam muitas vezes comprometidos pelo “glamour” do sucesso, pelos holofotes que iluminam seus egos, pela conta bancária generosa. A competência, a lisura, a responsabilidade e respeito pelo “outro” ficam ofuscadas quando as oportunidades duvidosas e tentadoras surgem e falam mais alto.

É chegado o momento de o individualismo se aposentar. Pensar – e agir – com consciência no todo e não apenas nas partes pode ser a tábua de salvação.”

 Qualquer semelhança com os dias atuais, por aqui, é mera coincidência.

Século XXI –Século Chinês

Poucos países no mundo possuem a capacidade de serem autossuficientes. O Brasil poderia ser um sério candidato ao feito, já que não lhe faltam requisitos essenciais como extensão territorial, clima favorável, abundância de água, solo variável, imensa costa propícia à navegação de Cabotagem (7.367 km), rios extensos passíveis de serem navegados. (Continua…)

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