PONDERANDO

* * * Reflexão em 120 segundos * * *

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Hora de virar o jogo

Semana passada, em minha coluna no jornal e site na internet, escrevi com veemência – “Pense fora da caixa” – sobre o momento que o país vem atravessando. Desde o início da Operação Lava Jato – em realidade desde o Mensalão, nos idos de 2005 e 2006 – a Justiça brasileira vem se constituindo em um baluarte contra a corrupção entranhada nos intestinos da política e de grandes empresas.     (Continua…)

Pense fora da caixa

Em ano de eleição, a devoção dos parlamentares está voltada para a sobrevivência de seus mandatos. A manipulação na votação de projetos importantes para o país tem sido uma realidade e uma bofetada na cara do eleitor. Descaradamente! (Continua…)

Utopia ou distopia?

Estamos vivendo dentro de um caldeirão transbordante de violência, descaso absoluto pelo próximo, educação formal e informal em decadência. Talvez tenha sido sempre assim, mundo afora e desde tempos imemoriais, mas – com a socialização da informação – a transparência tem sido cristalina. (Continua…)

Agora é pegar ou largar

O mundo acordou hoje com a triste notícia do falecimento de Stephen Hawking aos 76 anos. Físico teórico e cosmólogo, esse gênio britânico ajudou a entender a origem do Universo e o papel dos buracos negros. Para quem desconhece, Cosmologia é a Ciência que estuda o Universo na sua origem, estrutura, evolução e composição. (Continua…)

Envelhescência

A palavra envelhecer – com seus variados significados – entra no vocabulário das pessoas à medida em que transitam pela vida. Inicialmente na adolescência e durante a “primeira idade”, a expressão é usada como referência para definir… os outros. Paulatinamente, com o tempo avançando, a si próprio. Se bem que, nesse último caso, sua admissão se torna menos atraente e difícil de ser digerida. (Continua…)

Bônus e ônus da tecnologia

Ao longo das últimas décadas, o desenvolvimento tecnológico sem precedentes vem ocupando lugar de destaque em nossas vidas alterando hábitos e costumes. Mudanças radicais, inclusive de comportamento, transformaram o perfil das sociedades levando-as a serem mais complacentes, libertas de preconceitos, mais autênticas em diversos sentidos. (Continua…)

O lado obscuro de todos

Em 17 de março a Operação Lava-Jato aniversaria. Quatro anos de trabalho intenso e competente por parte da Polícia Federal – apesar da morosidade da Justiça – resultaram em um novo perfil dessas instituições.

O início da nova História do Brasil começou a ser escrito em junho de 2005, com as revelações de um escândalo escancarado de corrupção na política de compra e venda de votos no parlamento visando garantir a maioria do governo em todas as suas propostas. Uma democracia corrompida ou um capitalismo autoritário? (Continua…)

O modelo se exauriu

“Este é um blog que acredita na magia da palavra escrita como elo de aproximação entre pessoas que comungam de um mesmo pensamento e fonte de oportunidades para reflexão de outras tantas que assim não pensam”.

Após alguns anos como colunista do JC Holambra e ter colocado o Ponderando na internet –- cunhei a frase acima para definir o espírito que me levou a escrever artigos e crônicas analisando e refletindo nosso viver ao longo dos tempos.

Não tive, nem tenho, como avaliar o resultado de meu propósito. Apenas a consciência de que não poderia me furtar à responsabilidade de contribuir para que possamos, todos, viver em harmonia e coexistir pacificamente apesar das divergências.  

Vivemos em um mundo globalmente conturbado por razões políticas, econômicas, éticas e sociais. Fronteiras e barreiras que salvaguardavam e respeitavam culturas e costumes vêm sendo demolidas. A desconfiança paira em todos os estratos das sociedades, seja por conflitos étnicos ou insegurança pessoal e familiar, diante da violência incontida por aqui e mundo afora.

A sobrevivência do planeta depende do bom senso de governos que dominam a tecnologia da energia nuclear bélica. Um resvalo em momento crítico e mergulharemos em hecatombe jamais vista.

O ser humano parece desconhecer a razão de sua existência. Inconsciente, persegue o poder e a riqueza como se sua saúde mental e física, bem como sua permanência por aqui fosse sem data para terminar e, ainda, lhe assegurasse qualidade de vida nesta que é efêmera por natureza.

Em detrimento da Saúde, Educação e Segurança, governos priorizam seus laços com a Economia –  maestrina das soluções para o bem-estar de seus povos. Parece não ser assim. A África, com países ricos em recursos minerais, padece com populações paupérrimas e governos autoritários ricos com contas na Suíça. Os Estados Unidos – maior potência mundial – escondem que apenas vinte por cento da população desfrutam de curso superior e tem bons empregos enquanto oitenta por cento vivem o setor de baixa renda. No Brasil as seis pessoas mais ricas concentram, juntas, a mesma riqueza que os 100 milhões mais pobres do país, ou seja, a metade da população brasileira.

A ONU prevê que dentro de 30 anos os terráqueos serão algo como 9 bilhões. O espaço físico a ser ocupado permanecerá o mesmo e os valores a serem respeitados para uma convivência pacífica, possivelmente distintos dos de hoje.

A miscigenação racial no mundo é crescente. Uma realidade sem volta com a Europa dando as cartas e o Oriente Médio se fazendo cada vez mais presente no Ocidente.

O modelo atual se exauriu. Vale refletir.

O Rio de Janeiro (não) continua lindo

Faz tempo, mas…

O nome dele era Mischetti. Não, não era italiano. Era um negão de 1,90 m de altura, simpático, amigo de todos e malandro típico. Malandro é aquele que não trabalha, que emprega recursos engenhosos para sobreviver. Popular entre a rapaziada de Ipanema (RJ), com quem jogava bola na praia e sinuca no bar da esquina próxima ao Bar Vinte, era uma figura memorável.

Para quem nunca ouviu falar, o Bar Vinte era o final da principal rua interna do bairro – a Visconde de Pirajá – “giratória” do fim da linha do bonde da linha 13, Ipanema, e do 11, Jardim Leblon, que vinha em sentido contrário.

Respeitado pela mini favela vizinha – localizada no início do bairro Leblon e caminho mais curto para, a pé, chegar-se ao “campo do Flamengo” – sua companhia era a garantia de trajeto tranquilo sem percalços em dias de jogo. Ressalte-se, no entanto, que nunca se soube de qualquer atividade perigosa na dita, à época chamada de Praia do Pinto.

Falando em praia, Ipanema, como as outras da região – Leblon e Copacabana – eram tranquilas, frequentadas basicamente pelos moradores dos bairros, sem a presença incômoda de ratos de areia (ladrões) e arrastões, água de coco ou chuveiros, com belas ondas para pegar “jacaré” (precursor do surf), tatuís na areia, arraias e água-viva no mar sempre azul.   

Mas malandro que era malandro, quando vestido a caráter usava terno jaquetão, camisa de seda (para evitar corte de navalha em eventuais rusgas com desafetos) chapéu de aba larga e calça de boca fina. Aliás, segundo a lenda – era um tempo em que o delegado responsável por Ipanema fazia rondas sempre munido de uma laranja e que, ao se deparar com um suspeito, jogava-lhe a laranja calça adentro para confirmar se passaria pela boca da dita. Se não passasse, cana! Folclore carioca.

Ainda naqueles tempos, nos fins de semana à noite, a “turma” ficava na porta do cinema Astória (moderníssimo) jogando conversa fora olhando as meninas e, aos domingos, tirando sarro dos cadetes do Exército cuja fardas possuíam seis botões dourados na parte de trás. Eram vários aguardando a chegada do ônibus que os levaria para a Escola e o sarro era chamar-lhes de “seis na bunda”… Bem carioca!!!

Já em Copacabana, mais sofisticada e mundialmente conhecida, o “footing” – flertar, paquerar, caminhar pela calçada desenhada com pedras portuguesas – era bem concorrido. Os mais abonados iam e viam do Posto 6 ao Leme desfilando em “conversíveis” de dar inveja. Sem qualquer preocupação com a segurança.

Mas aquela não era a praia do Mischetti.  

 

A porteira está aberta

Desde que me entendo por gente ouço dizer que o brasileiro não sabe votar. Descartando o emocional de muitos, creio ser verdadeira a assertiva, considerando nossa realidade indiscutível. Indiscutível por que a realidade se encontra diante de nossos olhos, comprovadamente, a cada dois anos.

Somos todos obrigados, por lei, a votar. Caso contrário, “democraticamente”  punidos com multas e impedimentos, exceto se apresentarmos justificativas em tempo hábil.

Hoje, o voto facultativo está vigente em 205 países do mundo e só em 24 deles (13 na América Latina) continua sendo obrigatório. Logo, o Brasil continua entre os poucos países com voto obrigatório, uma clara anormalidade democrática.

A obrigação atinge os brasileiros alfabetizados que têm entre 18 e 70 anos de idade. Para os analfabetos, os maiores de 70 e os que têm entre 16 e 18 anos, o voto é facultativo. Ou seja, analfabetos podem, também, votar! Quero crer que a baixa escolaridade da sociedade contribui para a também baixa politização de nosso povo, com consequências fartamente conhecidas.

Diante desse quadro, fácil entender-se porque este país se encontra na contramão da história. Enclausurados, políticos que administram e legislam em causa própria são, todos e ainda, protegidos pelo guarda-chuva de uma estranha justiça quando pegos em prevaricação.

As instâncias a que réus podem recorrer no Judiciário – desde que possuam cacife suficiente para poder pagar, a peso de ouro, advogados influentes – são intermináveis, como vem sendo demonstrado no caso de muitos “expoentes“ réus da Lava-Jato. Já em Pedrinhas, Ceará…

Aliás, o Brasil é o único país do mundo que tem quatro instâncias recursais podendo ampliar a duração dos processos quase indefinidamente. 

Ademais, contamos com um Superior Tribunal Federal cujos ministros, inexplicavelmente, mantem “dormindo” em suas gavetas – há anos – processos de políticos com foro privilegiado aguardando julgamento. E dizem que a justiça é cega. Deve mesmo ser!

Afinal, como em uma reação em cadeia, todos os que ocupam suas cadeiras no Executivo, Legislativo e Judiciário, foram lá colocados por nós cidadãos: direta ou indiretamente. Assim, somos, sem choro nem vela, os únicos responsáveis pela tragédia nacional que assola o país.

A porteira da eleição majoritária de outubro está aberta. “Fazemos qualquer negócio, só não vale xingar a mãe”, vociferam os arautos das urnas.

Segundo já afirmou o deputado federal Tiririca: “pior que está não pode ficar”. Pode sim! Cabe a nós desmenti-lo, apesar de tudo e do tempo nublado.

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