PONDERANDO

* * * Reflexão em 120 segundos * * *

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Bodas de Prata

Holambra: amor à primeira vista.

Duas décadas e meia depois, momentos que não voltam mais, que deixam saudades, se oferecem vivos como recordações para reflexões sobre tudo que se foi e ainda está por vir. Era o início da primavera em festa, e em um lugar ainda bucólico, campestre, o cenário contrastava com o conhecido, a quilômetros dali. E lá estava ela. Como encontros nem sempre são planejados, aquele fora encomendado pelo acaso. Com uma simplicidade cativante, aparência impossível de passar despercebida, imagem para se guardar na memória. Difícil resistir à tentação de propor-lhe uma “juntada de trapos” para todo o sempre. Mas ela era para poucos.

Bodas de Prata1 (Continua…)

Homenagem ao Dia Internacional da Mulher

Dia-internacional-da-MulherMULHER

Para entender uma mulher
é preciso mais que deitar-se com ela…
Há de se ter mais sonhos e cartas na mesa
que se possa prever nossa vã pretensão…

(Continua…)

Estamos prestes a celebrar o nascimento de Jesus

Estamos prestes a celebrar o nascimento de JesusDurante o último mês campanhas para venda de produtos natalinos e nem tanto, vem nos bombardeando para que nosso rico dinheirinho seja captado para felicidade e alegria dos comerciantes. Sempre fui um pouco arredio nesta época do ano: eis que o mercantilismo, em nome da celebração de importante data religiosa para os cristãos, faz com que muitos deles deem mais atenção ao materialismo, relegando a introspecção ao esquecimento.
 
 A compra de presentes e requintes ornamentais, de bebidas e comidas para a ceia, parece merecer mais destaque que o dedicado à data para comemorar o nascimento de Jesus Cristo. Quantos cristãos, ou aqueles que se dizem cristãos, conhecem a história e a razão de ser do dia Natal? O afã nas ruas e pesquisa de preços nas lojas para comprar um presente por obrigação – e ficar bem, de acordo com a data, senão fica chato… – contrasta, a meu ver, com a realidade da história de mais de dois mil anos atrás quando humildade, modéstia, recato iluminaram um momento que viria gerar profundas transformações nos destinos da humanidade.
 
 A beleza plástica de cidades, residências e estabelecimentos comerciais, brilha nos olhos, nos leva a entrar em um clima de alegria e, até mesmo, de fraternidade. Parece que por alguns dias vivemos a “magia do Natal” impulsionada pela expectativa gerada pela festa a ser celebrada na noite de 24 de dezembro.
 
 A confraternização em família, com amigos e colegas de trabalho, não impede que se mantenha viva a razão de celebração da data sugerindo um refletir, também, sobre como o sentimento de Amor e Fraternidade anda em nossa vida. A reflexão sobre Seus ensinamentos e exemplos, legados a gerações e gerações que se sucederam no tempo, não impede o desfrutar do lado festivo do momento. Momento de júbilo e de esperança por dias de maior compreensão entre povos sofridos, inúmeros carentes de paz, harmonia e bem estar.
 
 Assim, talvez esse seja um bom momento para ponderar sobre o que realmente significa desejar um “Feliz Natal” a alguém! Pode até, quem sabe, vir a fazer a diferença para esse alguém.
 
 Feliz Natal para você e sua família.

Mais um passo…

Durante algumas décadas, em meados do século passado, um badalado colunista social carioca, talvez o primeiro de tantos que vieram depois, ficou famoso por sua história de sucesso. Ibrahim Sued, esse o seu nome, filho de imigrantes árabes, não vinha de nenhuma linhagem, muito pelo contrário, fez seu caminho abrindo todas as portas com persistência, enfrentando desafios com a garra que lhe era peculiar. Vindo do nada, com escolaridade limitada, determinação incomum, venceu em um ambiente com muitos degraus acima do seu. Uma admirável, guerreira e saudosa figura.

Ibrahim é um dos inúmeros personagens que a vida coloca no circuito e que conseguiram chegar “lá” enfrentando todo tipo de desventuras e preconceitos. E a história, ao longo dos tempos, está repleta de narrativas sobre desbravadores que à custa de muito suor e lágrimas – às vezes até sangue – perseguiram seus ideais e lutaram pela sobrevivência, sem esmorecimento diante das adversidades.

Holambra também tem sua história – belíssima história – que nos remete à saga daquela gente que após enfrentar a destruição e o desalento em sua terra natal, ao fim da segunda guerra mundial, buscaram refúgio e um porvir de esperança nesta que é hoje a terra que nos abriga. Foram 43 anos – desde 1948 – de tentativas de sobrevivência digna, confrontando frustrações, sucessos e desapontamentos, mas com um final feliz. Os pioneiros – assim eram conhecidos – e os brasileiros aportados por aqui, conseguiram domar a terra, fazê-la progredir e, em 1991, emancipá-la – mediante referendo popular – permitindo sua municipalização. Já lá se vão 23 anos desde então e as imagens que ficam – para aqueles que viveram parte dessa história – permanecem indeléveis.

Holambra está de parabéns por ter se tornado uma ilha ainda protegida da violência exacerbada que impera pelo país afora. Pelo seu desenvolvimento ordenado, dentro das possibilidades que o ser humano, com seus anseios, permite. Assim devemos, todos, ser eternamente gratos àqueles que abriram o caminho árduo para que pudéssemos, desde a emancipação, desfrutar do bem-estar que, talvez sequer tenhamos consciência de sua preciosa presença. Um privilégio!

A história de Holambra merece fazer parte do curriculum escolar numa demonstração clara de que elas, as crianças de hoje, desfrutam da oportunidade de viver em uma terra abençoada por obra e graça daqueles que, antes, vieram de muito, muito longe, desprotegidos de tudo que hoje lhes é oferecido.

Aos pioneiros – holandeses e brasileiros – que já nos deixaram e àqueles que conosco ainda convivem, nossa gratidão.

Sem luz no fim do túnel

A exemplo da maioria das pessoas que acompanham o noticiário daqui e do mundo, estou estarrecido com o que vem acontecendo no conflito entre Israel e o grupo palestino Hamas, no Oriente médio. Não encontro adjetivos para qualificar a barbárie mostrada pela televisão, fundamentada pelos relatos de jornalistas e especialistas de ambos os lados.

Como cidadão sensível ao tema, mas leigo em assuntos de política internacional, me limito a tentar compreender o que leio e assisto, via informações geradas de forma pouco esclarecedora pela imprensa. A real origem dos desencontros entre israelenses e palestinos é obscura para nós ocidentais, eis que o conhecimento do cidadão médio sobre o contexto não lhe permite desvendar o fio da meada de uma guerra lá no outro lado do mundo.

Mas o que me deixa mais perplexo como ser humano é a hipocrisia com que os atos cometidos são justificados por um lado e condenados pelo outro. A ONU, por exemplo – que mais se assemelha em comportamento à rainha da Inglaterra – usa discurso diplomaticamente contundente mas ineficaz, haja vista que ao longo dos anos e durante conflitos outros já teve sua autoridade não apenas questionada, mas, inequivocamente, ignorada. Uma organização anacrônica, fadada à extinção!

Em realidade, significativo número de nações tem se omitido nesse episódio, de uma ou outra forma, para não comprometer seus interesses geopolíticos e econômicos. A história, ao longo dos séculos, nos ensina que o conflito há de terminar e que, assim, aqueles interesses devem ser preservados para sobrevivência de suas alianças. O suporte econômico e bélico dado aos beligerantes, ostensivo ou dissimulado por “aliados”, resulta de comprometimentos que não privilegiam o ser humano. Muito pelo contrário. O mercantilismo na guerra sempre fala mais alto e os políticos, artífices que são dos desatinos causados às populações inocentes, dificilmente sofrem na pele as consequências de seus atos insanos, sem dó nem piedade.

As diferenças de pensamento e ideias entre pessoas de etnias distintas, agressivas ao extremo com o próximo – sob o manto de respeitar princípios culturais e religiosos – tem se perpetuado desde sempre. A faixa de Gaza, onde se concentram os combates entre palestinos e israelenses, não tem exclusividade com o morticínio. Síria, Iraque, Líbia e diversos países da África vivem em permanente estado de choque fratricida dando sua contribuição para que contingentes de civis inocentes sofram e superem, em muito, o número de vítimas fatais em combates. Armagedom a vista?

Rubem e Ubaldo

Neste mundo conturbado que estamos a viver fica difícil desligar-se da dura realidade: as mídias com suas manchetes, dando prioridade a desastres e tragédias outras, focam nossa atenção primeira nessa faixa de informação.

Não bastasse isso, vez por outra, somos surpreendidos com a notícia do desaparecimento de pessoas chegadas que nos deixam e até mesmo daquelas – não tão chegadas – mas que admiramos por razões diversas.

Semana passada este país perdeu duas personalidades representativas do mundo literário, educacional, homens de cultura e visão impar do mundo e das pessoas comuns. João Ubaldo Ribeiro, escritor, jornalista, professor, formado em Direito e membro da Academia Brasileira de Letras fez sua passagem primeiro. O grande mestre Rubem Alves, psicanalista, educador, teólogo e escritor brasileiro, autor de livros e artigos abordando temas religiosos, educacionais e existenciais, além de uma série de livros infantis, nos deixou logo a seguir.

A natureza humana, tão diversa como a água e o vinho, sobrevive, sem alternativa, entre polos tão antagônicos que levam os mais sensatos a buscar respostas para perguntas a séculos formuladas e ainda carentes de esclarecimento. Homens fazem e desfazem, alegram e entristecem, tornam a vida de muitos um calvário sem fim em nome da manutenção do poder, da religiosidade segundo suas crenças, do apego à riqueza.

São morticínios na Síria, atentados a civis no Iraque e Afeganistão, embates fratricidas na Ucrânia, conflitos insolúveis entre Israel e palestinos, barbáries cometidas em países da África cujas histórias a maioria de nós desconhece. São centenas de milhares de crianças sem futuro e pais desalojados de suas terras – quando sobreviventes – aguardando pelo raiar de uma sociedade mais lúcida onde o nós se tornará mais importante que o eu.

Na contramão dos acontecimentos sombrios, a lucidez e ensinamentos de Rubem Alves e João Ubaldo, cada um no seu estilo, garantiram e privilegiaram algumas gerações. Gerações interessadas na boa leitura e aprendizado sobre a vida, no desfrutar do conhecimento e visão do mundo que a nem todos é perceptível.

Se você ainda não teve a oportunidade de ler os livros desses dois ícones da escrita, aventure-se nos seus textos. Uma viagem imperdível.

Nossa reverência aos dois mestres.

Glückwunsch, Deutschland – Parabéns, Alemanha

Que somos um país de contrastes ninguém discute. Mega contrastes coexistindo lado a lado, nem sempre harmoniosamente. Desde favelas convivendo com bairros que abrigam classes média e alta até hospitais com infraestrutura precária instalados próximos àqueles que recebem políticos e personalidades de alto poder aquisitivo. Possuímos uma indústria aeronáutica de primeiro mundo – capitaneada pela Embraer – enquanto transportamos as riquezas agrícolas por caminhões trafegando em estradas precárias, elevando o custo Brasil, apesar de possuirmos na cabotagem excelente alternativa de transporte marítimo.

O país não é exceção nesse contexto das diferenças marcantes, mas sua exposição junto à mídia internacional é inevitável e fruto de seus belos cenários paisagísticos, clima para todos os gostos, gente bonita e alegre. Na contramão, deixamos nossas mazelas às claras por falta de um maior cuidado das autoridades que zelam pela imagem do país. A imprensa, inclusive a internacional, prioriza a divulgação de tudo que mais choca, como tragédias por exemplo.

Mas, como por encanto e diante das previsões mais sombrias, o Brasil conseguiu realizar uma Copa do Mundo FIFA – sem atropelos maiores e com sua seleção levando um inédito baile germânico, verdadeira “Julifest”. Baile germânico dentro e fora dos campos, eis que além de levarem a Taça para casa, deixaram para trás algumas lições inesperadas vindas de um povo considerado frio e de reações comedidas.

Foi a única seleção a construir seu próprio reduto – um moderno complexo com 14 casas destinadas aos atletas, comissão técnica e centro de treinamento – financiado em parte por patrocinadores da federação alemã. O cenário, paradisíaco, com vista para o mar, fica na vila de Santo André a 40 quilômetros de Porto Seguro, Bahia. Detalhe: projeto concluído em cinco meses de trabalho e a se tornar um empreendimento para o turismo brasileiro e internacional após a Copa. Eficiência pura!

Escolheram como segunda camisa uma idêntica a do clube mais querido do Brasil: Flamengo. Socializaram-se com a comunidade local, inclusive a indígena, deixando doações beneficentes e, ainda, ao celebrarem a vitória final no campo ensaiaram uma dança aprendida com os índios pataxós. Um baile de lições.

Lições de competência, profissionalismo, disciplina, seriedade com o dinheiro público, ausência de badalações e humildade sem estrelismos.

Por fim, vale a pena ler a carta (pic.twitter.com/1EHB8MVj7S) – escrita em português pelo jogador Lukas Podolski  (foto) – agradecendo ao povo brasileiro por tudo que receberam de nossa gente.

“Danke sehr Deutschland”! Muito obrigado, Alemanha!

Face oculta

O nosso país, durante décadas, tem sido considerado o país do futebol por excelência. Sete anos atrás foi escolhido para sediar mais uma Copa do Mundo. Longos sessenta e quatro anos depois de o Rio de Janeiro e o Brasil chorarem a perda da dita, em casa, para um Uruguai humilde – mas guerreiro – como sempre quando o assunto é bola rolando. A euforia verde-amarela pela escolha do Brasil como sede do maior evento do futebol foi, à época, festejado como uma vitória política e esportiva. Os interesses econômicos e comerciais envolvidos em oportunidades desse porte não são desprezíveis haja vista os investimentos a serem feitos para dotar um país da infraestrutura necessária para atender aos padrões exigidos pela entidade máxima do esporte bretão, a FIFA.

Foram concedidos ao país oitenta e quatro meses para colocar o palco em condições de receber não apenas 32 seleções de diversas partes do mundo, mas, também, um mundo de turistas interessados em nos visitar e torcer por sua seleção durante o inverno brasileiro. Inútil repetir e mencionar o “status quo” do palco a vinte dias do apito inicial, no Itaquerão – leia-se “Arena” do Corinthians -, em São Paulo. Segundo a em.com.br: “serão gastos R$ 26 bilhões na empreitada. Esse é o custo da Copa de 2014, de acordo com a última atualização da Matriz de Responsabilidades a cargo do governo federal, dos governos estaduais e cidades-sede. A lista tem de obras em estádios a projetos na área de turismo, passando por telecomunicações, portos e segurança, entre outros, formando um quadro completo.”

A insatisfação social que vem sendo demonstrada por todos os estratos sociais da população diante do volume de recursos governamentais alocados para o evento – deslocados de áreas vitais para o bem estar da sociedade como saúde, educação, segurança, mobilidade urbana – é reveladora. Não há mais como se esconder o sol com a peneira. Não se trata de ser a favor ou contra a realização de uma Copa no Brasil. O futebol, que já foi um esporte competitivo apaixonante, é hoje um negócio mundial a exigir investimentos bilionários de retorno trilionário. Os empresários sabem disso e os políticos beneficiados também. Estariam os meios, então, a justificar os fins?

Não há mais como iludir a sociedade com pão e circo. Incompatível, incoerente, insustentável que como a sétima maior potência do planeta (ainda…) – muito à frente de Coreia do Sul, México e Arábia Saudita, por exemplo – vivamos em condições como as agora reclamadas. Estaríamos nós a revelar ao mundo a nossa face oculta?

Parabéns prá Você

Neste mês de abril o Ponderando completa cinco anos de ininterrupta presença semanal em nosso Jornal da Cidade. Desde então muita água já correu por baixo da ponte, muitas pontes desabaram pelo mau humor da mãe natureza – aborrecida com a insensatez do ser humano – muito malabarismo na esfera econômica vem deixando este país na corda bamba, muita podridão abrigada no seio de políticos imunizados por um congresso corporativista tem vindo à tona, pouca – ou nenhuma – alegria quando olhamos para trás e constatamos a quantas andam a saúde pública, o saneamento básico, a escola pública e a segurança do cidadão neste país abençoado, apesar de tudo.

Ponderações semanais tiveram, sempre, como objetivo maior, oferecer ao leitor uma análise isenta sobre situações correntes, críticas muitas, destacadas pela imprensa e que na percepção do autor mereceram uma avaliação também crítica. Acontecimentos dramáticos ocorrendo pelo mundo afora não passaram despercebidos e foram igualmente objeto de exame marcando uma posição.

O inconformismo gerado no âmago deste escriba por acontecimentos que ferem a integridade do homem, a ética e a moral do cidadão, a inteligência dos mais atentos às intempéries assolando nosso turbilhonado mundo o levou, não raro, a se colocar com acidez em suas ponderações. Cumpre lembrar que esse foi o termo usado por um leitor referindo-se ao teor de algumas das matérias publicadas. Agradecido pela franqueza e respeitando seu ponto de vista – democraticamente – prometi-lhe tentar “alcalinizar” minhas futuras reflexões. Promessa nem sempre fácil de ser cumprida, mas a ser tentada.

Por oportuno, pretendia, antes de colocar as ponderações de agora, manifestar-me sobre declarações do senhor Luiz Inácio, ex-presidente da república, em entrevista à televisão de Portugal, em Portugal. Declarações ofensivas à mais alta Corte de Justiça do nosso país e em cujo mérito não vou adentrar para não macular, acidamente, esta matéria. São acontecimentos do gênero que não me permitem permanecer em estado de omissão, mas obrigam-me a posicionar-me revelando minha indignação como cidadão brasileiro. Estou certo, contudo, de que certamente não faltarão oportunidades para que novos fatos de igual calibre venham a se apresentar neste ano eleitoral onde sua presença de ponta de lança já está se fazendo atuante.

Aos leitores e leitoras que têm me acompanhado, meu reconhecimento.

Ilusionismo político

A violência fora de controle que vem assolando o país, principalmente o Sudeste, leva os cidadãos a viverem com medo de tudo e de todos, da polícia aos marginais. Assassinatos gratuitos, roubos, incêndios de ônibus, assaltos à luz do dia, levam a intranquilidade e não raro a dor a famílias inteiras.

A imprensa, que dedica longos períodos de sua programação televisiva para mostrar as barbaridades das últimas 24 horas banaliza a violência. Autoridades e muitos dos representantes da sociedade civil estão a propor leis mais duras para combater a criminalidade, como se isto fosse a solução…

O Brasil é um país pródigo em leis, mas parcimonioso na sua aplicação, haja vista a escandalosa e torrencial burocracia visível no encaminhamento e solução dos diversos processos. Com duas polícias distintas e independentes a proteger a sociedade – uma que prende e outra que investiga – o caminho a ser percorrido até o ministério público para oferecer denúncias é longo e, não raro, cheio de obstáculos – dependendo de quem estamos falando.

Vivendo em uma democracia, distante de problemas que assolam Ucrânia e Venezuela no momento, as manifestações de insatisfação por aqui, descambadas para depredação, violência e vandalismo, parecem ter raízes mais profundas que as de pura e simples insatisfação.

O governo federal adotando um programa de assistência social – onde fornece o peixe, mas não ensina a pescar, leia-se educar – produz resultados que mascaram uma realidade cruel como as constadas todos os dias na carência de hospitais e um sistema corroído de saúde, ausência de saneamento básico em boa parte do país, escolas públicas sem qualidade, insegurança da população em sua liberdade constitucional de ir-e-vir.

Com uma estrutura voltada exclusivamente para composições políticas que visam sua manutenção no poder o governo, com absurdos 39 ministérios constituídos para defender projetos governamentais a custos estratosféricos, tapa os olhos da população mais carente e ignorante – no bom sentido da palavra – desviando sua atenção dos problemas reais levando-a a acreditar em contos da carochinha política. Com absoluto sucesso, ressalve-se!

O país, ao apoiar e financiar governos pouco afeitos à democracia parece deixar claro sua política de perpetuação no poder admitindo conviver com 13.2 milhões de analfabetos com 15 anos de idade ou mais e – atenção – gasto anual por aluno da educação básica de apenas R$ 5 mil (dados da UNESCO). É quanto custa, também, um deputado por dia. E olhe que eles são 513.

Nem Freud explica!!!

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