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* * * Reflexão em 120 segundos * * *

Tag: Acontecimento (Página 2 de 5)

Feliz Ano Novo

Solidariedade é um sentimento conhecido e reconhecido pela maioria das pessoas diante de infortúnios, desgraças, tragédias. Essa manifestação, tão comum em acontecimentos que não raro transformam o rumo da vida de tantas pessoas – às vezes de maneira irreversível -, deixa marcas indeléveis naqueles tocados pelo gesto. E não são poucos os protagonistas anônimos perdidos na multidão.

Causa-me forte impressão situações em que pessoas que sequer conhecemos se abrem, se expõem sem qualquer receio, descortinam aspectos até íntimos de suas vidas, simplesmente quando recebem um pouco de atenção. Momentos em que nossa anatomia exerce sua melhor função – eis que possuímos dois ouvidos e apenas uma boca. Não há quem não queira dividir com alguém suas angústias e histórias. Ser solidário com solitários requer uma vida marcada por atitudes que levem à confiança até de desconhecidos. A solidão de imensa parcela da população, de amigos, familiares, conhecidos, pode estar mascarada através de olhares e gestos que transformam pessoas comuns em excelentes atores e atrizes.

Nesta época de festas de Natal e Ano Novo são muitos os solitários. Em contrapartida, são muitos, também, os que voluntariamente se dispõem a amenizar um pouco o sofrimento dos que enfrentam as datas solitários, internados em hospitais, sós em suas casas, longe de familiares por inúmeras razões, relegados ao esquecimento.

Aqueles lembrados – certamente privilegiados – ainda que vítimas das circunstâncias vivem uma das sensações mais profundas, que nos levam a acreditar que existe mais trigo que joio na vida de todos nós. Estou certo de que a alegria – ainda que silenciosa – sentida por esses afortunados, só não é maior do que aquela sentida por todos que se manifestam. Acredito piamente que estejamos mais protegidos e cercados pela solidariedade do que imaginamos. Apresente-se o momento e lá estará ela de plantão, gratuitamente, sem falsos interesses.

Estes últimos dias do ano dias são comemorados com a alegria contagiosa dos ambientes, confraternizações, descontração, expectativa de assistir ou participar do “réveillon” com celebrações, fogos de artificio, comes e bebes, contagem regressiva.

Mas por que não uma visitinha rápida ou um simples telefonema àqueles que possam estar enfrentando situações de solidão – ou esquecimento – no último dia do ano? O gesto poderá vir a marcar, com um pouco alegria, o ano de quem se sente ou está só.

Feliz Ano Novo!

$ Dia dos Pais $

Como tantas outras datas comemorativas o Dia dos Pais tem, também, forte apelo comercial cujo objetivo é incrementar as vendas já que a vida parece girar em torno do pião economia. Consumir mais, com ou sem qualidade e critério, tem sido a palavra de ordem. A aquisição de bens de consumo além das necessidades básicas vem atingindo níveis que, a meu ver e em inúmeros casos, comprometem a economia familiar gerando as mazelas conhecidas.

Graças à propaganda e ao marketing agressivo torna-se quase impossível resistir aos apelos e facilidades oferecidas pelo comércio para adquirir até mesmo o supérfluo e o desnecessário. Estou consciente que não sou unanimidade nesse aspecto considerado por muitos como parte inerente de nossa vida cotidiana. Apesar dos juros nas alturas e da concessão de prazo de égua para pagar as compras… rrsss

Não tenho grande apreço por bancos e instituições financeiras, já que os considero verdadeiros sanguessugas, os quais auferem lucros exorbitantes sem qualquer contribuição produtiva, usufruindo do seu e meu dinheiro para fazerem crescer seus patrimônios. Tenho sérias dúvidas se os impostos cobrados desses privilegiados são proporcionais e compatíveis com aqueles pagos pelos mortais, ao menos por aqui onde até os benefícios de aposentadoria são considerados “renda”. Tenho minhas dúvidas! A verdade é que mundo afora derrubam economias mediante concessão de empréstimos duvidosos levando à derrocada múltiplas instituições e causando sofrimentos às populações chamadas, em última instância, para pagar a conta.

Talvez por isso, você já tenha ouvido falar sobre a iniciativa do rei do Butão (país do continente asiático encravado na Cordilheira do Himalaia) em substituir o tradicional PIB (Produto Interno Bruto) – um dos indicadores mais utilizados na macroeconomia para mensurar a atividade econômica de uma região – pelo FIB (Felicidade Interna Bruta) parâmetro que mede o bem-estar e o desenvolvimento socioeconômico sustentável e igualitário de seu povo, a preservação e promoção dos valores culturais de sua sociedade, a conservação do meio ambiente natural e, finalmente, o estabelecimento de uma boa governança. Acredite: isso existe!

Mas e o que tudo isso tem a ver com o Dia dos Pais? Apenas lembrar que seu pai, se ainda tiver o privilégio de tê-lo por aqui, pode estar mais para FIB que para PIB sem que você saiba, ou seja: ser lembrado todos os dias com um beijo, um abraço carinhoso, um olho no olho silencioso sem palavras e dispensando até, quem sabe, aquilo que em apenas um determinado dia se compra nas lojas para… comemorar. A ponderar!

Francisco se foi: recado dado

A estadia do Papa Francisco entre nós, para participar da Jornada Mundial da Juventude, mostrou ao Brasil e ao mundo que a fé, alheia a argumentos da razão, está presente na vida de não poucos, principalmente jovens; jovens muitas vezes olhados como alienados, descompromissados com a realidade, dotados de atitudes irresponsáveis na visão dos mais velhos. Incompreendidos, são condenados sem julgamento por muitos daqueles que, quando jovens, não obtiveram sucesso em suas reivindicações, mas que fazem parte hoje até mesmo da desordenança política e econômica em que o país se encontra; recentemente – e corajosamente – foram os que deram uma demonstração inequívoca de sua repulsa contra o “status quo” hipócrita de mais uma geração de políticos comprometidos apenas com a manutenção do poder pelo poder. Com reivindicações legítimas “acordaram” um legislativo preguiçoso e um executivo que ainda busca respostas irrespondíveis, há tanto almejadas.

Peregrinos do mundo todo, enfrentando o frio e a chuva inclementes, o desconforto absoluto oferecido pela carência, até, de condições dignas de higiene, permaneceram fieis aos seus ideais enfrentando todas as adversidades com a bravura que apenas jovens determinados podem demonstrar. O líder espiritual que os trouxe até o Rio de Janeiro e Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida teve sua peregrinação recompensada por uma acolhida sem precedentes. Retribuiu – incansavelmente – com humildade, presença marcante e coragem admiráveis, deixando cristalina a reponsabilidade que lhe cabe na reformulação de uma igreja que ao longo dos séculos foi se distanciando de seu rebanho, como S.S. aprecia se referir.

Os discursos de Francisco, de forte conotação pastoral como esperado, não dispensaram em muita de suas entrelinhas recados para ouvidos mais atentos, não moucos. Mensagens que devem ecoar como vibrações para profunda reflexão sobre os dias que vivemos; dias onde os impunes dificilmente serão perdoados, os que menos podem e menos têm merecem um lugar ao sol, os que lançam o olhar para o outro lado diante das agruras de seus semelhantes serão responsabilizados por seus atos.

Palavras são palavras, ações são ações. Como na multiplicação dos pães no início dos tempos, os três milhões de peregrinos e cidadãos de todas as idades e nacionalidades presentes ao ato final em Copacabana levarão para seus redutos uma mensagem multiplicadora de fé e esperança em um futuro melhor.

Foi-se o Papa Francisco. O recado ficou.

Caminhos e descaminhos

Muito se tem escrito e comentado sobre a visita do papa Francisco ao Brasil para participar da Jornada Mundial da Juventude. A mídia, sempre ávida por notícias, como é seu papel, encontra democraticamente espaços para publicar avaliações e manifestações, até antagônicas, sobre o desenrolar do evento.

“A porta de entrada do povo brasileiro é o coração. E eu peço permissão para bater suavemente à sua porta e poder entrar”. Esta frase, proferida em discurso ao chegar ao Brasil, dá a dimensão da educação, simplicidade, tato diplomático e humildade desse que é o líder espiritual de mais de um bilhão de católicos em todo o mundo. Uma demonstração clara e inequívoca de que os preceitos d´Aquele que levou a palavra ao mundo há mais de dois mil anos estão voltando.

Com marcante presença franciscana, desde o uso de automóvel da classe média circulando em meio à população com vidros abaixados, interagindo em perfeito português com seus interlocutores, vestindo traje “papal” que em absolutamente nada lembra a ostentação de uma igreja que ao longo dos séculos primou pela suntuosidade contrastante com a realidade da maioria dos povos, Sua Santidade transmite seu recado de que novos ventos estão a soprar para os lados da Igreja de Roma.

O ser humano, desde sempre, teve e tem necessidade de acreditar em algo supremo qualquer que seja sua conotação. Respeito e reverência às coisas sagradas não se perderam com o tempo. Tempo e tecnologia que vêm causando transformações impensáveis décadas atrás na forma de se entender a vida, trazendo à tona realidades que não podem mais ser ofuscadas por discursos incontestáveis. Papa Francisco sabe disto.

Respeitar a fé, crença, idolatria ou qualquer dogma diferente do seu é o mínimo que se pode esperar de qualquer cidadão civilizado. Quando mais não seja, por mera educação, comportamento em franca extinção. Lamenta-se que grupos fazendo uso da liberdade de expressão venham achincalhando ritos da igreja católica durante a visita do Sumo Pontífice ao nosso país. Deploráveis atitudes por parte daqueles que não tiveram a oportunidade de aprender que seus direitos terminam onde começam os do próximo.

Manifestar-se sobre os custos do evento é um ato legítimo. Depreciar-se doutrina de livre escolha de seus semelhantes, qualquer que seja ela, é atitude desprezível. No epílogo, mesmo os que não professam a mesma fé – e até mesmo os que tenham fé nenhuma – estarão sendo abençoados, sem distinção, por Jorge Mario Bergoglio, aliás, papa Francisco.

As religiões são caminhos diferentes convergindo para o mesmo ponto. Que importância tem se seguimos por caminhos diferentes, desde que alcancemos o mesmo objetivo?(Mahatma Gandhi)

Mãe Nossa de Todo Dia

Segundo nos revela a história, a data a ser celebrada no próximo domingo “surgiu em virtude do sofrimento de uma americana que, após perder a mãe, passou por um processo depressivo. As amigas mais próximas de Anna M. Jarvis, para livrá-la de tal sofrimento, fizeram uma homenagem para sua mãe, que havia trabalhado na guerra civil do país, os Estados Unidos da América. A festa fez tanto sucesso que, em 1914, o presidente Thomas Woodrow Wilson oficializou a data e a comemoração se difundiu pelo mundo afora”.

No Brasil, em 1932, o então presidente Getúlio Vargas oficializou, também, o segundo domingo de maio como aquele para prestar homenagens às mães. Em 1947, Dom Jaime de Barros Câmara, Cardeal-Arcebispo do Rio de Janeiro, determinou, igualmente, que essa data fizesse parte do calendário oficial da Igreja Católica.

Com o passar do tempo, a história ficou para trás. Passou a ser uma data importante para o comércio que a explora através de campanhas publicitárias intensas não permitindo que alguém fique de fora.

Uma das mais belas frases que já tive oportunidade de ler sobre mãe, que nada tem a ver com Dia em questão, é esta escrita por Rajneesh: “No momento em que uma criança nasce a mãe também nasce. Ela nunca existiu antes. A mulher existia, mas a mãe, nunca. Uma mãe é algo absolutamente novo”.

Este pensamento, profundo a meu ver, revela cristalinamente a primordial diferença entre um pai e uma mãe. As mães permanecem à frente do dos pais, durante toda a vida de seus filhos, a começar por ser a primeira a tomar conhecimento da concepção. Além de dar-lhes vida, cedendo-lhes parte da sua por nove meses, surgem como as fadas dos contos, extrapolando seu papel de serem simplesmente mulheres. Nós homens – e mesmo pais, muitos – não temos a menor noção do que significa gestar no sentido lato do termo. Somos a centelha que inicia um processo mágico de transformação, mas não mais que coadjuvantes, espectadores apaixonados, orgulhosos como espécie.

Não há como presentear nossas mães biológicas e aquelas de nossos filhos, sem nos lembrarmos daquelas que não o são. Estas merecem estar, também, no topo do pódio. Tanto umas como outras, estou certo, anseiam, mais que lembranças compradas em lojas, por lembranças diárias vindas do coração, por palavras, gestos, afagos e até mesmo simples olhares.

Aquela que lhe permitiu estar aqui e agora pode estar presente apenas na saudade. Aproveite o domingo e todo o tempo que lhes resta, durante o ano todo, para lembrar que você simplesmente respira porque alguém, algum dia, lhe concedeu o privilégio de viver.

Não há dinheiro que compre o incomprável.

Rei Posto, Salve a Rainha!

E a Holanda esteve em festa pela abdicação da rainha Beatrix ao trono dos Países Baixos, na terça feira desta semana, dando lugar ao seu filho, o príncipe – agora rei – Willem Alexander.

A monarquia veio sendo substituída por repúblicas desde o final do século XIX, princípio do século XX, por várias razões que não cabem ser abordadas aqui. Poucas são as sobreviventes, principalmente na Europa: Noruega, Suécia, Dinamarca, Holanda, Reino Unido, Bélgica, Mônaco, Espanha, Luxemburgo.

Encontra resistência de muitos setores, mas não são poucos os adeptos fervorosos dessa forma de governo. No caso da Holanda, por exemplo, 78% dos holandeses apoiam o regime. Mundo afora se questiona o padrão de vida dos monarcas, os tributos pagos pelos súditos para atender às despesas oficiais – arcadas por fundos públicos -, a pompa e circunstância eventuais. Na verdade, não existe regime que seja integralmente aprovado pela população que sob ele vive, ou sobrevive como em certos países do oriente médio. A monarquia tem seu charme, haja vista o casamento no ano passado do Príncipe William com a plebeia Kate Middleton quando a cunhada, a gata (com todo o respeito) Pippa Middleton arrasou…

Holambra, originalmente núcleo agrícola fundado por imigrantes holandeses a partir de 1948 – depois do sofrimento de ver seu país invadido durante a segunda guerra mundial – foi emancipada apenas em 1992. E para os que desconhecem a origem do nome HOLAMBRA: HOLanda, AMérica, BRAsil. Criativo (o nome), foi mais um tributo à terra que os recebera de braços abertos e assim batizada de forma singela, mas marcante.

O Dia da Rainha (holandes: Koninginnedag) – 30 de abril – é um feriado nacional nos Países Baixos, nas Antilhas Holandesas e Aruba, sempre celebrado em grande estilo. Na Holambra, como não poderia deixar de ser, a data festiva foi comemorada no domingo passado, dia 27, com entusiasmo e grande apoio popular. A prefeitura, mencione-se em destaque, está de parabéns pela organização do evento realizado com absoluto sucesso. A rainha Beatrix certamente agradeceria.

E para encerrar, o Rei Willem-Alexander tem como esposa a argentina Máxima Zorreguieta que, sem qualquer trocadilho, é bela, culta e inteligente. Para gáudio de “los hermanos”, que não contentes em ter um papa abocanham, agora, a posição de esposa do rei dos Países Baixos (tecnicamente impreciso chamado de Holanda): a Rainha Máxima.

Não é o máximo, “hermanos”?

A todos os nossos amigos e amigas

Habemus Papam

E Jorge Mario Bergoglio, o simpático jesuíta argentino, deu início ao seu pontificado como papa eleito no último conclave, já entronizado como chefe da Igreja Católica Apostólica Romana. Adotando o nome de Francisco, o ex-arcebispo de Buenos Aires terá pela frente um longo e árduo caminho. Muito já se falou e escreveu sobre isto.

Ser líder de mais de mais 1,2 bilhão daqueles que professam a fé católica, dezessete por cento da população mundial, não é tarefa diminuta. Com cerca de 40% dos devotos residindo na América Latina, sua presença marcante está no Brasil, maior país católico do mundo congregando 10% de todos os fiéis.

O crescimento de outras religiões – em redutos antes intocados dos católicos – vem acendendo a luz vermelha daquela que se constituiu como instituição apenas no Império Romano: a Igreja Católica Apostólica Romana. Os problemas sobejamente conhecidos por todos, dentro e fora do Vaticano, são desafios hercúleos que o Papa Francisco terá de enfrentar.

A tecnologia da informação permitiu que as fendas existentes dentro da Igreja se tornassem públicas desiludindo muitos dos adeptos dessa religião cristã. Não praticar em sua plenitude o que se prega, em um mundo com transparência absoluta sobre tudo que se faz e se comenta em qualquer ponto do planeta, é deixar a porta aberta para o desvelamento de ações impróprias a qualquer pregação.

São idos os tempos em que o povo tomava conhecimento de fatos e ocorrências a partir dos púlpitos das igrejas. As informações, sempre sujeitas a interpretações de seus sacerdotes e por eles divulgadas concedia-lhes um poder de quase onipotência. O mundo foi mudando, as culturas se aproximando, as informações se socializando, o desconhecido revelado. Segredos guardados por séculos vieram a público – ainda poucos, é verdade – mas suficientes para dar uma nova visão sobre a Igreja de Francisco.

A maioria dos fiéis às várias religiões são exatamente isso: fiéis a elas. Os que professam a mesma doutrina religiosa, qualquer que seja, o fazem por convicção – não importando as eventuais incongruências provocadas aqui e ali por seus discípulos. Como seres humanos imperfeitos em sua essência, seus comportamentos duvidosos são relevados na expectativa permanente de correção de desvios. Afinal, ovelhas negras são encontradas em quaisquer rebanhos; por que não nos de Deus?

Francisco, o “jesuíta franciscano”, através de suas manifestações iniciais parece ser um papa diferenciado, iluminado, pronto a exercer seu pontificado voltado às origens da sua Igreja. A opulência e o fausto dominantes não o atraem, tornando-o um servo de Cristo como prenunciado séculos atrás.

Papa Francisco: “Dominus vobiscum”.

Agradecimento

 

P U B L I C A D O S

UM MILHÃO DE AGRADECIMENTOS

Luto

Muito tem se escrito, comentado, divulgado sobre o acontecimento catastrófico ocorrido no sul do país, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. O incêndio, provocado por inúmeras falhas nos procedimentos de segurança, construção e fiscalização é mais um, de graves consequências, a ocorrer em nosso país.

Vivendo o momento de grande consternação, com famílias enlutadas pelas perdas e outras tantas acompanhando a recuperação de familiares e amigos internados em hospitais, as providências burocráticas estão em curso na tentativa de identificar culpados.

Especialistas nos assuntos que envolvem acidentes dessa natureza são consultados pela mídia, autoridades municipais, federais e órgãos de classe se manifestam a todo instante, assiste-se a um jogo de empurra-empurra de responsabilidades.

Todos, sem exceção, conhecem as soluções e providências que deveriam ter sido tomadas antecipadamente, medidas que teriam evitado a tragédia no sul. Não é novidade que muitos acidentes, de todas as naturezas, poderiam ter sido evitados se o fator humano não estivesse presente. A maioria, talvez. Então fica a pergunta: o que falta às pessoas para que adquiram consciência sobre seus atos responsavelmente?

Brasileiros não são reconhecidos como sendo dos mais sérios e responsáveis em assuntos de segurança, quaisquer que sejam eles. O trânsito, com mais de 40 mil mortos no ano passado, é uma referência. Despreparo de atendentes de enfermagem em hospitais causando danos irreversíveis – quando não letais – em pacientes não são incomuns. Policiais no enfrentamento da criminalidade crescente não dispõem de treinamento e reciclagem suficientes. Fiscalização por parte de órgãos públicos são deficientes quando não venais.

Os responsáveis pelo cumprimento das leis, com exceções, burocratizados no exercício de suas funções, são um atentado contra a segurança da população. Comenta-se, e com razão a meu ver, que o problema brasileiro é cultural. Se assim é, a escola, ao prover mais informação nas disciplinas encontra dificuldades para dar aos jovens formação de cidadania para que possam, quando adultos, atuar com responsabilidade no exercício de suas atividades civis e profissionais.

Somos pródigos em leis, normas e afins, mas levianos na sua execução e cumprimento! A impunidade por crimes cometidos, principalmente pelos que podem mais, leva a sociedade ao afrouxamento da seriedade e da responsabilidade.

O triste e lamentável resultado desse episódio pode, no entanto, vir a ser um ensinamento de que cabe, prioritariamente, a cada um de nós fiscalizar tudo que possa afetar nossa segurança pessoal e agir de acordo com o exercício de nosso direito como cidadãos. O que não exime, em absoluto, a responsabilidade das autoridades que devem ser cobradas por sua ineficiência ou omissão quando for o caso.

Nossas condolências aos familiares das vítimas.

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