PONDERANDO

* * * Reflexão em 120 segundos * * *

Tag: Brasil (Página 1 de 15)

Bodas de Prata

Holambra: amor à primeira vista.

Duas décadas e meia depois, momentos que não voltam mais, que deixam saudades, se oferecem vivos como recordações para reflexões sobre tudo que se foi e ainda está por vir. Era o início da primavera em festa, e em um lugar ainda bucólico, campestre, o cenário contrastava com o conhecido, a quilômetros dali. E lá estava ela. Como encontros nem sempre são planejados, aquele fora encomendado pelo acaso. Com uma simplicidade cativante, aparência impossível de passar despercebida, imagem para se guardar na memória. Difícil resistir à tentação de propor-lhe uma “juntada de trapos” para todo o sempre. Mas ela era para poucos.

Bodas de Prata1 (Continua…)

Sopa de Letras

Manhã de segunda feira cedo, tempo encoberto, temperatura agradável, solzinho outonal. Momento de enfrentar o batente, aliás, enfrentar não, debruçar-me sobre as notícias depois de (mais um) feriado prolongado. Feriadão que no domingo deixou as estradas com cara de avenidas no horário do “rush” paulistano. (Continua…)

Repensando o sistema

Repensando o sistema

Desde o início do Dilma-2, três meses atrás, o país enfrenta uma turbulência jamais vista em início de qualquer governo, sem qualquer transparência quanto ao futuro que nos aguarda. As manifestações de rua no último domingo, Brasil afora, podem servir de termômetro para a febre que pode transformar o país em área politicamente pandêmica. (Continua…)

Quem é quem?

Quem é quemLuiz Inácio Lula da Silva, ex-retirante do nordeste, ex-metalúrgico, ex-líder sindical, ex-deputado federal e ex-presidente da República está na periferia dos acontecimentos nacionais, mas presentíssimo no centro do poder que o Palácio do Planalto abriga.

(Continua…)

Brasil: Fique e Aja!

Fique e ajaA Câmara dos Deputados é comandada por uma autoridade imperial. Via decisão monocrática decidiu agraciar seus 513 súditos fiéis e infiéis – além de a si mesmo – com benesses que fariam ruborizar um monge casto. Os ditos, eleitos por uma população politicamente ignorante, além do salário de R$ 33,7 mil têm direito a ajuda de custo, cotão e verba de gabinete para até 25 funcionários. Acrescente-se a estes custos verba para material de escritório, auxílio-moradia para congressistas que não utilizam apartamentos funcionais, passagens aéreas com direito às milhagens, transporte, telefonia e alimentação. Custo anual de cada parlamentar aos cofres públicos: R$ 1.792.164,24. (Continua…)

Pesos e medidas

Roman Emperor Nero Shows Death Sentence to a Gladiator 1900 Color lithographAmar este país é complicado. Henrique Pizzolato, ex-diretor de marketing do Banco do Brasil foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 12 anos e sete meses de prisão no julgamento da Ação Penal 470 (Mensalão) no ano passado. Conseguiu fugir para a Itália, foi preso, teve negada sua extradição – em primeira instância – por força das precárias condições de presídios no Brasil. Ao fim do processo, em final de julgamento, caberá ao Ministro da Justiça daquele país autorizar ou não sua extradição.  

 Respeitados os meandros jurídicos de Itália e Brasil, processo semelhante ocorreu com o da extradição do ativista italiano Cesare Battisti, condenado naquele país à prisão perpétua por assassinatos. Foragido por aqui, o Supremo Tribunal Federal autorizou sua extradição e o ex-presidente Lula usando de prerrogativa imperial desacreditou o STF, concedendo asilo ao criminoso.

 Lá, como cá – depois de percorridas as instâncias de um julgamento por via jurídica – tem-se como desfecho uma ação política decidida por apenas um homem, no melhor estilo dos tempos de Nero: polegar para cima ou para baixo e a sorte está lançada!

 O episódio é por si só constrangedor, eis que o nó górdio da questão citada lá foi a condição dos presídios brasileiros. A extradição foi, inicialmente, negada com base no risco de o preso vir a receber tratamento humilhante no sistema prisional brasileiro. Alegou-se que nos presídios federais encontram-se os piores e mais violentos presos do país transferidos dos presídios estaduais devidos à sua periculosidade.

 No entanto, é de domínio público que existem presos e “presos”. Mensaleiros como José Dirceu, José Genoíno, Delúbio Soares, por exemplo, gozaram de prerrogativas, na Papuda, de causar inveja a hóspedes de hotéis três estrelas. Atualmente, são aproximadamente 537,7 mil pessoas presas para 317,7 mil vagas no Brasil dentro das conhecidas condições – deploráveis – dos presídios. Desumano!

 Investimentos na infraestrutura de hospitais públicos e estabelecimentos penais – degradantes – não tem sido prioridade para o governo, faz tempo, por declarada falta de recursos. Recursos que não faltaram para financiar obras de infraestrutura na Bolívia, Venezuela e Cuba com retorno em dividendos político-ideológicos.

 A propósito, onde será que se encontram os milhões desviados dos cofres públicos pelo grupo mensaleiro?  

Que país é esse?

Que país é esseO Brasil vive em um clima de amoralidade plena. Além da corrupção desenfreada nos meios governamentais, políticos e corporativos nos últimos anos – impossível de acontecer sem a conivência de bancos – enfrentamos a manipulação de dados macroeconômicos e financeiros por parte do governo que levaram o país à beira do caos absoluto.

 Orquestrada nos recônditos dos gabinetes em Brasília, vimos assistindo à tentativa de desmonte da estrutura democrática conquistada pelo país a duras penas. Até a Petrobras, considerada uma das maiores empresas do mundo anos atrás, foi alvejada por tentáculos invisíveis que estimularam a corrupção interna a fim de abastecer os cofres do partido instalado no poder, visando sua perpetuação.

 Paralelamente, o sistema financeiro brasileiro nadou de braçada, travando a indústria nacional através de políticas desastrosas, se locupletando sem limites, gerando lucros estratosféricos, colocando-se entre os mais rentáveis do mundo.

 E não é segredo para ninguém que o sistema financeiro internacional (SFI) é uma verdadeira caixa preta!  

 O ICIJ – The International Consortium of Investigative Journalists – obteve através do jornal francês “Le Monde” informações confidenciais sobre 5,549 contas de pessoas físicas e jurídicas – brasileiras – no HSBC, na Suíça. Saldo das contas: US$ 7 bilhões. O jornal publica, ainda, que o banco contava com clientes envolvidos em múltiplas atividades ilegais, escondendo centenas de milhões de dólares das autoridades monetárias.

 Por aqui – com a maior taxa real de juros em um grupo de 40 países – como conceber-se que diante do caótico quadro econômico, o Itaú Unibanco tenha apresentado em seu balanço de 2014 lucro líquido de R$ 20,24 bilhões, 29% acima do resultado registrado um ano antes? Que o Bradesco tenha lucrado R$ 15,08 bilhões de reais em 2014, 25,6 %, superior ao de 2013? Que o Santander Brasil, maior banco estrangeiro no país, cravou lucro de R$ 5,85 bilhões, uma alta de 1,8% frente 2013.

Os juros do cheque especial cobrados de pessoas físicas, ao ano, são, pasme: 204,51% no Bradesco; 208,51% no Itaú; 320.81% no Santander Brasil. Bancos que estão entre os mais lucrativos do mundo. Nos cartões de crédito, em dezembro, o sistema atingiu a maior taxa desde 1999: 258,26% ao ano.

 E diante desse quadro sombrio, quem a dona Dilma escolheu para substituir Graça Foster à frente da combalida Petrobras? Um presidente de banco. E logo o do Banco do Brasil! Raposa tomando conta do galinheiro!

 Que país é esse?!

Poder concentrado é bom para a democracia?

Poder concentradoSomos um povo com politização próxima do zero. O assunto congresso nacional dominou a mídia por horas e horas seguidas no último fim de semana transmitindo a posse dos novos congressistas e a eleição para presidentes das duas casas legislativas.  Os políticos investidos para uma legislatura de quatro anos uns (deputados) e oito anos outros (senadores) foram eleitos por nós – incluindo-se na conta até mesmo analfabetos funcionais – com pouquíssimo, ou nenhum, conhecimento de causa.
 
A votação para as presidências da Câmara dos Deputados e Senado Federal movimentou mundos e fundos (literalmente), pressões de grosso calibre do Executivo e base aliada do governo, visando eleger seus fieis escudeiros no Congresso. E não é para menos, eis que em nosso sistema político o presidente da Câmara concentra diversos poderes e prerrogativas, tais como definir sozinho a pauta de proposições a serem deliberadas pelo Plenário, supervisionar o andamento e a ordem dos debates, dar a palavra a cada orador, passando pelo direito de adverti-los quando julgar necessário e forçá-los a encerrar seus pronunciamentos. Pode, ainda, suspender uma sessão e é quem determina o que será registrado em ata, além de autorizar a divulgação das informações sobre os debates. Não fosse pouco, é o segundo na linha sucessória do presidente da República, logo após o vice, por qualquer impedimento de seus dois antecessores. Um verdadeiro czar é uma pedrinha na chuteira de qualquer Executivo, se assim o quiser.
 
Ressalve-se, no entanto, que presidentes da República também possuem certas prerrogativas outras.
 
Em 2010, um ano depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizar a extradição do ex-ativista italiano Cesare Battisti, condenado à revelia por homicídio – assassinato de quatro pessoas entre 1977 e 1979 em seu país – com pena de prisão perpétua decretada, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu – sozinho – negar sua extradição. Isto porque a mais alta corte do país deliberou deixar nas mãos do então presidente a decisão final sobre o assunto, apesar de o art. 83 da Lei nº 6.815/80 rezar: “Nenhuma extradição será concedida sem prévio pronunciamento do Plenário do Supremo Tribunal Federal sobre sua legalidade e procedência, não cabendo recurso da decisão”. À época, a decisão do STF foi pela extradição, mas...
 
Em ambos os casos: poder concentrado é bom para a democracia?
 

Que se abra o leque

Lottery Number BallsO novo ano recebe a todos com portas abertas e sem distinção. Sem preconceitos, sem ideologia, respeitando a cor da pele, ignorando nossas diferenças. Já na “virada”, não foram poucos os que se comprometeram consigo mesmos a rever posturas, comportamentos, formas de enxergar a vida. Não seria surpresa se houvesse – para muitos – um “replay” dos votos proferidos na virada do ano anterior. Afinal, voltar ao mundo real depois de tantos dias entregue a preocupações outras – certamente mais agradáveis que as deixadas para trás – o cidadão comum enfrenta a síndrome do “déjà-vu”. Como não é possível mudar a realidade, que não é virtual, há que se respirar fundo e seguir em frente.
 
 Aliás, sempre existiu gente entrando pela porta do novo ano com o sorriso escancarado, certamente atordoada, que foi dormir pobre e acordou multimilionária. A mãozinha dada por meia dúzia de números de uma tal de mega-sena tem feito a alegria de famílias para o resto da vida. Todo ano é a mesma coisa: milhões apostando na sua sorte para ganhar milhões.
 
 Penso que o sistema adotado por essa loteria é profundamente injusto! Tudo demais é muito. lembra-nos o ditado. O ser humano, vulnerável a cantos de sereia, deslumbrado, não está, a meu ver, preparado para passar a conviver com tamanha benesse da noite para dia, com milhões de reais em sua conta bancária rendendo por dia o que a maioria dos mortais está longe de ganhar em um ano trabalhando.
 
 Em um momento tão festivo quanto o da virada, permitir-se que um número maior de pessoas possa partilhar de um quinhão tão generoso como os R$ 263 milhões do prêmio este ano – ganho por apenas quatro pessoas – seria um ato de “divisão dos pães”. Fossem 4000 os vencedores, – sorteados mediante aproximação sucessiva dos números premiados – cada um deles receberia pouco mais de R$ 60 mil. Quantia nada desprezível para uma população com nosso perfil, mas que certamente faria o sol nascer mais luminoso para muito mais gente. Para quem já tem muito não iria fazer diferença. Mas para quem não tem, talvez pudesse significar a redenção, quem sabe?
 
 Com a palavra a Caixa Econômica Federal.

Hora da lição de casa

Hora da lição de casaO Brasil é um país peculiar, cheio de contrastes, até por se apresentar ao mundo como um continente, em sua dimensão territorial. Muitos de seus estados são maiores que vários países do planeta, com clima diversificado e condições geoeconômicas profundamente distintas. A globalização desenfreada tem provocado um desequilíbrio entre os hemisférios ocidental e oriental tanto na área econômica como política. Por aqui, temos sofrido influências e impactos, mas não deixamos, também, de marcar nossa presença além-fronteiras e além-mar – em uma simbiose cultural pluralista.

Os campos da arquitetura, engenharia e medicina brasileiras são classificados mundialmente como AAA, referência usada por analistas e pesquisadores para avaliar a saúde das economias globais. No entanto, esta condição revela um dos mais clamorosos contrastes de nosso perfil geopolítico: a excelência reconhecida mundo afora e nossa realidade interna. Parece ser um paradoxo, falta de nexo, contradição, que, apesar da proeminência, o país tenha – segundo o governo – que importar médicos, enfrentar carência de engenheiros para atender ao mercado de trabalho e, vergonhosamente, não oferecer condições estruturais para cuidar – dignamente – da população desassistida pela saúde pública.

Estamos com dificuldade, enorme dificuldade, de fazer a lição de casa. Enquanto a maré da economia mundial nos era favorável, anos atrás, navegamos por uma rota equivocada que nos levou à dramática situação atual: contas públicas combalidas, déficit na balança comercial, inflação “inflada” e crescimento próximo do zero. O país está obrigado a recomeçar das cinzas como a enfrentar terra arrasada por conflito bélico.

Aguarda-se, com otimismo incontido, que – à nova “troika” econômica – o Executivo conceda independência de ação – sem qualquer interferência – visando à correção de rota. Inconcebível que nossa projeção usufrua, apenas, de reconhecimento externo. Mais que orgulho internacional o país carece de orgulho nacional. Os caminhos que levam a população a ter acesso à educação e saúde básica de qualidade, desenvolvimento compatível com seu potencial, solidez de sua economia, se desviam daqueles que levam à politicagem barata orquestrada por interesses corporativistas. A grandeza de uma nação é medida por aqueles atributos. O resto é mera consequência.

Este país merece fazer parte do mundo globalizado como protagonista; não como coadjuvante. Nosso cacife é tão forte quanto o de qualquer outro, mas é preciso protegê-lo da rapinagem, catapultando dentro da lei, os assaltantes dos cofres públicos.
Estejam eles onde estiverem!

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