PONDERANDO

* * * Reflexão em 120 segundos * * *

Tag: Cotidiano (Página 1 de 7)

Economia de guerra

Houve uma época em que neste país existia uma classe média mais “rica” que a atual. A noção de classe média varia de país para país – e até mesmo entre Economia de guerraregiões dentro do país – não devendo ser, portanto, comparada com qualquer outra.

 Cresci em meio a uma família considerada de classe média. Já tendo percorrido um longo trajeto no calendário e fazendo um retrospecto da “paisagem” desde então, imagens e sentimentos retornam à mente como lembranças que, inevitavelmente, servem de termo de comparação. (Continua…)

Sopa de Letras

Manhã de segunda feira cedo, tempo encoberto, temperatura agradável, solzinho outonal. Momento de enfrentar o batente, aliás, enfrentar não, debruçar-me sobre as notícias depois de (mais um) feriado prolongado. Feriadão que no domingo deixou as estradas com cara de avenidas no horário do “rush” paulistano. (Continua…)

O mundo de cada um

O mundo de cada umPerdas ao longo da vida são inevitáveis. Perdemos parentes, amigos, animais de estimação, bens, negócios e oportunidades. E ainda, por vezes, a autoestima em face de adversidades inesperadas ou o encanto por belos momentos desperdiçados. São privações e provações, pegando-nos de surpresa aqui e ali e não há quem delas escape de uma ou outra forma. (Continua…)

Que se abra o leque

Lottery Number BallsO novo ano recebe a todos com portas abertas e sem distinção. Sem preconceitos, sem ideologia, respeitando a cor da pele, ignorando nossas diferenças. Já na “virada”, não foram poucos os que se comprometeram consigo mesmos a rever posturas, comportamentos, formas de enxergar a vida. Não seria surpresa se houvesse – para muitos – um “replay” dos votos proferidos na virada do ano anterior. Afinal, voltar ao mundo real depois de tantos dias entregue a preocupações outras – certamente mais agradáveis que as deixadas para trás – o cidadão comum enfrenta a síndrome do “déjà-vu”. Como não é possível mudar a realidade, que não é virtual, há que se respirar fundo e seguir em frente.
 
 Aliás, sempre existiu gente entrando pela porta do novo ano com o sorriso escancarado, certamente atordoada, que foi dormir pobre e acordou multimilionária. A mãozinha dada por meia dúzia de números de uma tal de mega-sena tem feito a alegria de famílias para o resto da vida. Todo ano é a mesma coisa: milhões apostando na sua sorte para ganhar milhões.
 
 Penso que o sistema adotado por essa loteria é profundamente injusto! Tudo demais é muito. lembra-nos o ditado. O ser humano, vulnerável a cantos de sereia, deslumbrado, não está, a meu ver, preparado para passar a conviver com tamanha benesse da noite para dia, com milhões de reais em sua conta bancária rendendo por dia o que a maioria dos mortais está longe de ganhar em um ano trabalhando.
 
 Em um momento tão festivo quanto o da virada, permitir-se que um número maior de pessoas possa partilhar de um quinhão tão generoso como os R$ 263 milhões do prêmio este ano – ganho por apenas quatro pessoas – seria um ato de “divisão dos pães”. Fossem 4000 os vencedores, – sorteados mediante aproximação sucessiva dos números premiados – cada um deles receberia pouco mais de R$ 60 mil. Quantia nada desprezível para uma população com nosso perfil, mas que certamente faria o sol nascer mais luminoso para muito mais gente. Para quem já tem muito não iria fazer diferença. Mas para quem não tem, talvez pudesse significar a redenção, quem sabe?
 
 Com a palavra a Caixa Econômica Federal.

Ainda para poucos (2)

Eternos aprendizesEstamos sempre a aprender. Aprendemos por necessidade, vontade própria e até mesmo contra nosso desejo, na marra. Aliás, desde que nascemos tem gente nos ensinando algo que, a eles ou elas, lhes parece útil, mas para nós, necessariamente, não. Enquanto não aprendemos a falar vamos perdendo de goleada, mas à medida que soltamos a língua o jogo começa a virar. É bem verdade que, fazendo birra, quando ainda subjugados pelos grandões, levávamos a pior. Na minha infância, umas palmadas caiam bem… Já na dos meus filhos, nem pensar!
 
 Fomos crescendo – e à guisa de nos educarem- orientados sobre o que fazer e o que não, como se preceitos e costumes fossem universais. Existem regras escritas, bem definidas pelas sociedades ao longo tempo, mas também permanentemente alteradas pelo mesmo tempo, existem aquelas feitas para serem quebradas: as que nunca pegam.   
 
  Reconheçamos que aprender a não aprender é uma virtude. Quando algo nos é imposto – e resolvemos deixar prá lá – o preço a pagar pode ser alto dependendo se dói na pele, no bolso ou na consciência. Se for à pele, um curativo resolve; se no bolso, dependendo de sua conta bancária, ignora-se; atingindo a consciência, depende da cuca de cada um.
 
 Tem-se como fato que aprendizado exige inteligência, talento ou ambos. Para nós, bípedes pensantes, que nem sempre fazemos uso da faculdade (de pensar), o processo é calibrado por aquelas virtudes. Não menos verdade que aptidões podem ser desenvolvidas resultando, muitas vezes, em seres geniais.
 
 Mas não nos esqueçamos dos animais e das crianças, magistrais na arte de ensinar e que nos levam a ver a vida sob outro prisma, enriquecendo-a. Desde que tenhamos olhos para enxergar e não apenas olhar, sensibilidade para sentir e, ainda, atentarmos para nuances que nossa percepção viciada pode não captar.
 
 Os irracionais, sem qualquer formação cultural, constroem seus ninhos e casas, cuidam e alimentam seus filhotes com esmero, protegem-se quando doentes. As crianças, com sua singeleza, pureza de
espírito, sem qualquer juízo formado ou espírito prevenido, dão uma demonstração inequívoca de que o bicho homem, sendo ensinado ao longo da vida, terminou por perder a espontaneidade, o contato saudável entre seus semelhantes e o entendimento com a natureza.
 
 Na verdade, continuamos eternos aprendizes. 

Ainda para poucos (1)

Ainda para poucosViver o essencial expressa um estilo de vida, uma forma peculiar de transitarmos por esta Terra. Quero crer que este pensar, olhar a existência sob esse prisma, vem ganhando adeptos planeta afora. E os simpatizantes dessa que, talvez, possamos considerar uma filosofia de vida, não se restringe ao universo de ambientalistas, conscientes que são, sobre a importância do que é realmente importante.
 
Viver com simplicidade é o objetivo de muita gente que tenta se desapegar do que não precisa para viver bem o dia-a-dia. Mas não tanta gente que possa fazer uma diferença gritante para enfrentar entre o ter e o ser, jargão mais que batido, amassado, estropiado.
 
Como somos todos diferentes, o que é importante para mim pode não ser para você. Óbvio! Além disso, a faixa etária em que nos encontramos tem muito a ver com nossas expectativas e nisso, acredito, os fins se aproximam dos meios não importando muito se você está na casa dos vinte ou dos sessenta (ou mais). A cabeça dos jovens vem mudando – para melhor, a meu ver – encontrando caminhos nada ortodoxos. Os mais avançados no tempo avançam se enquadrando no perfil clássico da idade.
 
Quem tem muito, normalmente esbanja muito, ostenta muito (com exceções) e não raro se vê prisioneiro de suas posses. Os estilos de vida da população norte-americana e japonesa são um exemplo contundente. A sociedade do Tio Sam – quem se lembra da figura? – se debruça na abundância concentrada em território continental, conquistado e expandido na “marra”, produzindo e consumindo quase tudo. A do Sol Nascente, sem bens naturais e espaço exíguo, aprendeu ao longo dos milênios a conviver com clima adverso, a transformar limões em limonadas, a dar valor ao que possui, questionando a aritmética e demonstrando que 1+1=3… Quem teve Nagasaki e Hiroshima visitada por bombas atômicas na segunda guerra mundial conhece de perto o valor das coisas.
 
Por aqui, na terrinha, sem bombas e outros artefatos, temos sido mais catequisados pelos irmãos dos norte que pelos do oriente. O consumo exacerbado e as ilusões criadas pelo marketing competente nos colocam a ferros. Ficamos deslumbrados diante do canto da sereia, sem muita consciência do mundo que nos cerca. Um desperdício que vem custando caro.
 
A miséria e a fome que assolam boa parte do nosso planeta estão a exigir uma reflexão sobre como sobreviver em um mundo onde o muito de tudo que nos foi oferecido de mão beijada começa a escassear. Não vivemos no mundo da fantasia, apesar dos esforços de não poucos que trabalham incessantemente para nos catequizar.
 
Estão ganhando batalhas, mas não a guerra. 

Quero aprender com você

“Não sou jovem o suficiente para saber tudo” (Oscar Wilde)

Durante a existência aprendemos muito, ensinamos um pouco, ignoramos outro tanto, vamos percorrendo cada ano vivido com mais conhecimento adquirido, muito embora nem sempre com a devida sabedoria. Em nossos primeiros trinta anos de vida – se tanto – conseguimos nos manter atualizados no desenvolvimento de nossas carreiras profissionais, manter em dia o vocabulário e gírias da moda, a par dos acontecimentos mundiais e mais uma infinidade de situações que a velocidade dos fatos e atos do momento nos vão deixando para trás.

Não conseguimos – conscientemente – nos dar conta da defasagem entre o universo dos mais jovens que vem a galope – ou velocidade supersônica, se preferir – e nossa desatualização. Obviamente, com o passar do tempo e o peso dos anos, que nada tem a ver com idade provecta, mas sim com o diferencial de tempo vivido entre gerações, o abismo cresce.

É verdade que a defasagem mencionada varia de pessoa para pessoa, em função de sua escolaridade, inserção no estrato social e interesse individual pelos acontecimentos vários. O computador e seus derivativos, como celulares, tablets, aplicativos, aparelhos de TV inteligentes, livros eletrônicos, acesso a compras pela internet e mais uma infindável alegoria de tecnologias, tem criado uma revolução no comportamento das pessoas distanciando-as ou aproximando-as.

Em termos sociais, não se trata mais de quem tem mais ou tem menos, mas sim de quem sabe e quem não sabe fazer uso das tecnologias colocadas à disposição de todos sem qualquer distinção de classe. A impressão que se tem é que os menos jovens começam a se sentir marginalizados – e até mesmo constrangidos em determinadas situações – como nos terminais de bancos, por exemplo.

Vivemos em uma época de sofisticação tecnológica e tsunamis de informação irreversíveis. Em tempos idos, a avenida de transmissão do conhecimento era de mão única: dos mais velhos para os mais jovens e ponto final. Hoje, com a mão dupla – sem mais essa de exclusividade – pais aprendem com filhos, avôs com os netos, professores com alunos brilhantes.

Maravilha que assim seja, eis que não deixa de ser uma transformação benigna para a aproximação entre as pessoas de sociedades que vem se desintegrando pela violência e omissão. Decifra-me ou te devoro, é o desafio!

Assim, caro leitor, quem sabe possa você me ensinar o muito que ainda não aprendi na vida.

Seja bem-vindo.

Miscelânea

Difícil, nestes tempos de tantas notícias sombrias, buscar-se inspiração para abordar temas que possam nos lavar a alma. Em realidade, fico até constrangido de, ao abrir a página inicial de meu provedor de acesso à internet, ver a ênfase para: – o massacre que vem sofrendo o povo de Gaza em sua luta diante de Israel com vítimas na casa das centenas; – a situação precária de nossa economia com o governo tentando justificar o injustificável; – a projeção de uma alta de 30% na sua conta de luz já em 2015, segundo especialistas; – chacinas pelo Brasil afora diariamente; – comemoração dos cem anos do início da primeira guerra mundial que deixou entre 16 e 40 milhões de mortos; – greves e protestos que entraram em recesso durante a Copa da FIFA. A relação poderia se estender até a última linha deste texto.

Com os assuntos políticos sendo dominados pela eleição de outubro num blá blá blá mais que conhecido, consigo pinçar a alentadora notícia de que o Ministério da Saúde, através do Sistema Único de Saúde, vai incluir a vacina contra o vírus da hepatite A no seu Calendário Nacional de Vacinação com imunização direcionada a crianças de 1 ano até 11 meses a partir deste mês. Na contrapartida, a triste notícia de que um médico especialista em ebola contraiu o vírus e veio a falecer na África.

Estou presente no facebook que me alegra, vez por outra, com vídeos – alguns fantásticos – sobre bichos. Principalmente de cachorros “aprontando” com crianças e, aí sim, me lavando a alma e me levando a lamentar que – infelizmente – não são eles que governam o mundo com sua alegria e carinho não fugindo da braveza na defesa dos que amam e protegem. Claro está que algumas pessoas se aproveitam da criação de Mark Elliot Zuckerberg (um dos fundadores do face) para se comunicar saudavelmente e outras para nos ensinar sobre assuntos curiosos e culturais. Bem verdade que, muitas vezes, nem tanto… Sejamos benevolentes, pois, sem dúvida, a criação de Zuckerberg veio revolucionar a comunicação – ainda que virtual – entre milhões de pessoas em todo o mundo.

É a internet nos dando de comer mais do que podemos digerir. Bom fim de semana.

Mensagem à reflexão

Ele foi um dos grandes personagens da história por contar histórias, ter sido um homem eclético, aviador, poeta, pensador. Seu nome: Antoine Jean Baptiste de Saint-Exupéry, autor de inúmeras obras inclusive o famoso “O Pequeno Príncipe”. Suas mensagens simples, mas de profundidade incomum, nos legaram ensinamentos válidos em qualquer tempo. Uma delas, “Você é eternamente responsável por aquilo que cativa” cala fundo na vida de todos nós. Ou deveria calar. De caráter filosófico, sua percepção dos acontecimentos tinha como endereço certo adultos de todas as idades.

Cativar é um verbo com inúmeros significados que a tudo atende durante nossa existência. Somos de alguma forma e por não poucas vezes, picados pela mosca que nos leva a aproximação com pessoas ou – muitas vezes – a determinadas situações de forma involuntária. A atitude, quando espontânea – e sem qualquer interesse obscuro – pode se transformar em uma das mais belas formas de convivência humana. E não é difícil nos tornarmos presas de circunstâncias que desaguam na ligação – temporária ou permanente – a algo ou alguém por vínculos fortes independentemente de nossa vontade.

Desconsidero aqui as intenções torpes tão comuns entre aqueles de pouca estatura moral que fazem uso da sedução como recurso para atingir fins escusos. Mantenho-me fiel ao pensamento e ensinamentos de Antoine que possuía uma visão clara e límpida da vida fruto, talvez, de uma existência que lhe permitia ver de cima, dos céus às vezes pouco acolhedores, o comportamento de seus semelhantes.

Nem sempre nos é possível perceber o quanto cativamos alguém simplesmente por sermos como somos ou agimos; e no reverso da medalha, nem o quanto magoamos involuntariamente aqueles que tanto nos admiram e estimam.  Já aconteceu com você e comigo. Não fica ninguém de fora.

Quero crer que a mensagem de Saint-Exupéry seja aquela que nos leva à reflexão e não nos autoriza nem nos dá o direito de, literalmente, atropelarmos sentimentos daqueles que – não raro – silenciosamente, nutrem por nós admiração, respeito e até mesmo amor involuntário. Pensarmos como adultos e reagirmos com a sabedoria despoluída das crianças talvez seja o caminho para nos mantermos acordados diante da responsabilidade que temos perante aqueles que nos cativam e… cativamos.

Vieram para ficar

Valores, conceitos e preconceitos vêm sendo revistos e revisados pelas sociedades ocidentais onde as mulheres já ocupam lugar de destaque e o topo da tabela no sinal dos tempos. Merecidamente, ressalte-se! Ao longo de décadas, lenta e vagarosamente elas vêm preenchendo espaços dominados, até então, apenas por homens. Jamais poderiam eles imaginar que um dia iriam ter que enfrentar a concorrência do não mais considerado sexo frágil cedendo-lhes nichos considerados cativos. Os avanços, timidamente percebidos a partir do século passado, se consolidaram em décadas recentes quando começaram elas a ter seus direitos civis conquistados. Sua competência na política (salvo exceções… naturalmente), na administração de instituições financeiras, indústrias e até mesmo empresas aéreas, estas sempre sujeitas a chuvas e trovoadas voando no limite da sobrevivência, selaram definitivamente seu lugar ao sol. Não creio que se possa atribuir o fenômeno ao acaso, obra (ou manobra…) dos deuses.

Além de todos os predicados presentes em ambos os sexos, as mulheres foram dotadas de alguns outros pelo Criador, que realmente as diferenciam dos varões. A sensibilidade, um sexto sentido e a intuição mais aguçada as colocam – a meu ver e por exemplo – em um patamar acima daquele dos homens. Nesta altura, os homens que me leem podem sentir-se depreciados, mas absolutamente sem qualquer razão. Se a isenção e o bom senso prevalecerem – e me pouparem – haverão de constatar que esta é uma realidade universal. Ousaria afirmar, ainda, que até em países onde as mulheres são subjugadas pelos costumes e pela cultura local, o diferencial está presente. A manifestação lhes é vedada, mas vez por outra tomamos conhecimento de verdadeiras heroínas que se levantam contra a opressão chegando a ocupar cargos de expressão longe de seus países de origem.

Empresários, homens de negócios, comerciantes e prestadores de serviços não raro relutam em admitir profissionais do sexo feminino com receio dos “problemas” decorrentes de ações da mãe natureza como ausências por TPM e maternidade. Levando-se em conta a relação custo/benefício, tão presente na vida financeira dos dito cujos, sopesados os prós e contras, a relutância não procede. Profissionais competentes, preparadas para o exercício de seus cargos ou responsabilidades invariavelmente dão um retorno cuja contribuição compensa, de longe, quaisquer inconvenientes recompensando, ainda e regiamente, os donos dos negócios.

Sem dúvida, eu ficaria com elas!

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