PONDERANDO

* * * Reflexão em 120 segundos * * *

Tag: Economia (Página 1 de 2)

Justiça cega, surda e muda?

 Justiça cega, surda e mudaExercer a cidadania neste país não é tarefa fácil. Tenho ponderado em minha coluna no jornal que a abriga sobre o quadro político e econômico que atravessamos faz tempo. Reconheço que o assunto possa ser árido para número incerto de leitores. Mas como na famosa frase de Martin Luther King Jr.: “O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons”, calar-se e não se posicionar é ruim para a democracia e para os destinos do país. 

 Vivemos fatos cruciais que urge serem passados a limpo. Só a força da coletividade mais esclarecida, lida, formadora de opinião, pode desbravar a tentativa de colaborar para o aperfeiçoamento de nossas instituições. O estado letárgico ao qual já nos habituamos, de conformismo diante da insegurança nas ruas, assassinatos de inocentes e policiais como em guerra civil, descaso pela vida humana sem atendimento digno em hospitais, passividade diante de tanta corrupção em todas as instâncias, não mais nos estarrece.

 Noticiário da semana passada no jornal O Estado de S.Paulo revelou que “os executivos da Camargo Corrêa João Auler (presidente do Conselho de Administração), Dalton Avancini (presidente da construtora) e Eduardo Leite (vice-presidente) negociavam, em sigilo, suas delações premiadas com os investigadores da Lava Jato, em Curitiba, mas as tratativas de delação dos três réus retrocederam”.

 Curiosamente e por coincidência, à mesma época, o jornal Folha de S. Paulo noticiava que “o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo – chefe da Polícia Federal que investiga o chamado “Petrolão” e candidato a uma vaga no STF -, teve ao menos três encontros, só neste mês, com advogados que defendem empresas acusadas por investigadores da Operação Lava Jato de pagar propina para conquistar obras da Petrobras, como a UTC e a Camargo Corrêa”.

 Complementando o quadro, a resolução 74/2015 editada em tempo recorde pelo Tribunal de Contas da União – 48 horas antes do início do carnaval -regula a participação do TCU na negociação e na celebração de acordos de leniência entre empresas acusadas de corrupção e a União. “O TCU, que não faz parte do sistema que acompanha os acordos de leniência, vai agora tomar parte do processo.”

 Não é preciso ser causídico para saber que a oratória cativante ou o traquejo com a mídia produzem, também, resultados protelatórios em nosso ordenamento jurídico. Vozes já se levantam aqui e ali visando equilibrar – ou até mesmo desequilibrar – o fiel da balança da justiça brasileira.

 Justiça cega, surda e muda?

Que país é esse?

Que país é esseO Brasil vive em um clima de amoralidade plena. Além da corrupção desenfreada nos meios governamentais, políticos e corporativos nos últimos anos – impossível de acontecer sem a conivência de bancos – enfrentamos a manipulação de dados macroeconômicos e financeiros por parte do governo que levaram o país à beira do caos absoluto.

 Orquestrada nos recônditos dos gabinetes em Brasília, vimos assistindo à tentativa de desmonte da estrutura democrática conquistada pelo país a duras penas. Até a Petrobras, considerada uma das maiores empresas do mundo anos atrás, foi alvejada por tentáculos invisíveis que estimularam a corrupção interna a fim de abastecer os cofres do partido instalado no poder, visando sua perpetuação.

 Paralelamente, o sistema financeiro brasileiro nadou de braçada, travando a indústria nacional através de políticas desastrosas, se locupletando sem limites, gerando lucros estratosféricos, colocando-se entre os mais rentáveis do mundo.

 E não é segredo para ninguém que o sistema financeiro internacional (SFI) é uma verdadeira caixa preta!  

 O ICIJ – The International Consortium of Investigative Journalists – obteve através do jornal francês “Le Monde” informações confidenciais sobre 5,549 contas de pessoas físicas e jurídicas – brasileiras – no HSBC, na Suíça. Saldo das contas: US$ 7 bilhões. O jornal publica, ainda, que o banco contava com clientes envolvidos em múltiplas atividades ilegais, escondendo centenas de milhões de dólares das autoridades monetárias.

 Por aqui – com a maior taxa real de juros em um grupo de 40 países – como conceber-se que diante do caótico quadro econômico, o Itaú Unibanco tenha apresentado em seu balanço de 2014 lucro líquido de R$ 20,24 bilhões, 29% acima do resultado registrado um ano antes? Que o Bradesco tenha lucrado R$ 15,08 bilhões de reais em 2014, 25,6 %, superior ao de 2013? Que o Santander Brasil, maior banco estrangeiro no país, cravou lucro de R$ 5,85 bilhões, uma alta de 1,8% frente 2013.

Os juros do cheque especial cobrados de pessoas físicas, ao ano, são, pasme: 204,51% no Bradesco; 208,51% no Itaú; 320.81% no Santander Brasil. Bancos que estão entre os mais lucrativos do mundo. Nos cartões de crédito, em dezembro, o sistema atingiu a maior taxa desde 1999: 258,26% ao ano.

 E diante desse quadro sombrio, quem a dona Dilma escolheu para substituir Graça Foster à frente da combalida Petrobras? Um presidente de banco. E logo o do Banco do Brasil! Raposa tomando conta do galinheiro!

 Que país é esse?!

Hora da lição de casa

Hora da lição de casaO Brasil é um país peculiar, cheio de contrastes, até por se apresentar ao mundo como um continente, em sua dimensão territorial. Muitos de seus estados são maiores que vários países do planeta, com clima diversificado e condições geoeconômicas profundamente distintas. A globalização desenfreada tem provocado um desequilíbrio entre os hemisférios ocidental e oriental tanto na área econômica como política. Por aqui, temos sofrido influências e impactos, mas não deixamos, também, de marcar nossa presença além-fronteiras e além-mar – em uma simbiose cultural pluralista.

Os campos da arquitetura, engenharia e medicina brasileiras são classificados mundialmente como AAA, referência usada por analistas e pesquisadores para avaliar a saúde das economias globais. No entanto, esta condição revela um dos mais clamorosos contrastes de nosso perfil geopolítico: a excelência reconhecida mundo afora e nossa realidade interna. Parece ser um paradoxo, falta de nexo, contradição, que, apesar da proeminência, o país tenha – segundo o governo – que importar médicos, enfrentar carência de engenheiros para atender ao mercado de trabalho e, vergonhosamente, não oferecer condições estruturais para cuidar – dignamente – da população desassistida pela saúde pública.

Estamos com dificuldade, enorme dificuldade, de fazer a lição de casa. Enquanto a maré da economia mundial nos era favorável, anos atrás, navegamos por uma rota equivocada que nos levou à dramática situação atual: contas públicas combalidas, déficit na balança comercial, inflação “inflada” e crescimento próximo do zero. O país está obrigado a recomeçar das cinzas como a enfrentar terra arrasada por conflito bélico.

Aguarda-se, com otimismo incontido, que – à nova “troika” econômica – o Executivo conceda independência de ação – sem qualquer interferência – visando à correção de rota. Inconcebível que nossa projeção usufrua, apenas, de reconhecimento externo. Mais que orgulho internacional o país carece de orgulho nacional. Os caminhos que levam a população a ter acesso à educação e saúde básica de qualidade, desenvolvimento compatível com seu potencial, solidez de sua economia, se desviam daqueles que levam à politicagem barata orquestrada por interesses corporativistas. A grandeza de uma nação é medida por aqueles atributos. O resto é mera consequência.

Este país merece fazer parte do mundo globalizado como protagonista; não como coadjuvante. Nosso cacife é tão forte quanto o de qualquer outro, mas é preciso protegê-lo da rapinagem, catapultando dentro da lei, os assaltantes dos cofres públicos.
Estejam eles onde estiverem!

Cidadania, onde estás?

O cidadão brasileiro continua marginalizado e desrespeitado sob todas as formas. A maioria da população – mais familiarizada com novelas na televisão que com a realidade que vivemos – não tem acesso a informações importantes para formação de juízo e valor sobre o destino desse gigante Brasil.

Somos bombardeados pela propaganda governamental que nos faz crer que este país tem dono e que este dono é você. Não é! Se você o fosse não estaríamos pagando a conta das irresponsabilidades econômico-financeiras produzidas por aqueles que por nós se interessam apenas em épocas de eleição. E nem pela política macroeconômica que suscita dúvidas até nos mais otimistas economistas.

A compra de uma refinaria de petróleo em Pasadena (Texas, EUA) pela Petrobrás, por preço que seria 119% superior ao pago pela vendedora dois anos antes, causa frisson no governo. A decisão pela compra foi tomada unanimemente pelo Conselho de Administração da empresa com base em relatório falho – técnica e juridicamente – segundo nota divulgada pela presidente da República, presidente do Conselho à época. Relatório esse produzido pelo então diretor internacional que até a semana passada era mantido como diretor do grupo, quando foi demitido depois de decorridos… oito anos. Cumpre lembrar que os membros do Conselho de Administração e Diretoria da Petrobrás são apadrinhados de políticos de Brasília e regiamente remunerados pela sociedade eis que cabe a nós, impotentes, pagar a conta! Não surpreende, pois, que a empresa que já foi a 12ª maior do planeta seja hoje, apenas, a 120ª. E que a gasolina que você compra continue sendo vendida na bomba por um preço menor que aquele pago pela empresa para sua importação. Ah, sim! A inflação…

E enquanto bolsas várias são distribuídas Brasil afora, o país, carente em educação, saúde e segurança, financia Cuba em obras de sua infraestrutura e arca com prejuízos de monta na pseudo-parceria com a Venezuela para construção de uma refinaria em Pernambuco que vem se arrastando há anos.

Para encerrar, pondere sobre trecho de artigo escrito pelo Dr. Marcus Vinicius Coêlho, presidente do Conselho Federal da OAB, no Diário da Manhã:

“A não correção da tabela de incidência do IRPF de acordo com a inflação fez com que milhões de brasileiros passassem a ter que pagar impostos injustamente. A correção da tabela do IRPF muito inferior à inflação viola, de igual modo, outras expressas normas da Constituição Federal. De janeiro de 1996 até dezembro de 2013, já descontadas todas as correções da tabela do imposto, ainda resta uma perda do poder aquisitivo da moeda brasileira da ordem de 62%.”

Cidadania, onde estás?

* Este texto está protegido pela Lei nº 9.610/98 *


UÁI NÓTI?

O jornalista brasileiro e correspondente internacional Sílio Boccanera mediou durante o Fórum Econômico Mundial ocorrido recentemente em Davos, Suíça, um painel organizado por emissora de TV por assinatura com a participação dos ministros das finanças dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

Todos os participantes, inclusive o jornalista, obviamente, e plateia presente convidada ao final para fazer perguntas aos representantes dos países, se expressaram em inglês como é a praxe em eventos internacionais. Ou melhor, quase todos, haja vista que o representante brasileiro, Ministro Guido Mantega, viu-se obrigado a fazer uso de fones de ouvidos – com a transmissão das questões e respostas por tradutores – visto não estar apto a entender a língua do discurso internacional e nela se comunicar. Situação no mínimo constrangedora. Admissível, talvez, em reuniões do terceiro mundo pouco expressivas. Somos um país qualificado como emergente ou em desenvolvimento, ex-participante daquele mundo (terceiro), depois que a diplomacia mundial decidiu aplainar as diferenças entre certas nações.

Nada justificaria o envio de um ministro despreparado linguisticamente para participar de painel que contava com, pelo menos, duas potências – China e Rússia – cujos ministros fluentes na língua dominante durante o encontro têm como idiomas nativos aqueles tão distantes do inglês quanto Brasília está de Pequim.

O Brasil, pelo menos a meu ver, não se encontra mais deitado eternamente em berço esplêndido e o fato não se deve, em absoluto, aos últimos dez anos de sua história. Com altos e baixos, passos e descompassos, avanços e recuos, o país alçou voos mais altos no último meio século apesar da pobreza intelectual que grassa entre ministros, congressistas e gente do primeiro escalão dos governos. Sua Excelência, o deputado federal e ex-palhaço conhecido por Tiririca que o diga. O que não justifica, em absoluto, a pisada de bola do Itamaraty em não alertar quem de direito – leia-se a presidente – para o vexame televisado para os quatro cantos do mundo.

Sorte do governo federal que o painel não foi apresentado pela tevê aberta e, assim, não precisar abrir espaço na mídia para justificar perante a opinião pública o injustificável. Mas como afirma nossa presidente – sempre que a oportunidade se apresenta -, a Copa no Brasil será a Copa das copas. É o quanto basta e a FIFA agradece.

Como lucrar sem produzir nada

O Brasil de dona Dilma, do Dr. Guido Mantega, ministro da Fazenda e do Dr. Alexandre Tombini, presidente do Banco Central é diferente daquele dos demais tupiniquins como você e eu.

Os juros escorchantes que os bancos se permitem cobrar dos desavisados e impotentes necessitados deveria ser caso de polícia. Deveria, mas nesse país de quem pode, manda e quem tem juízo, obedece – o final seria aquela habitual de mussarela ou calabresa.

Impotência (que não há Viagra que dê jeito!) leva os correntistas dos bancos a – sem qualquer opção – contribuírem para os lucros absurdos daquelas instituições. Juros aviltantes e tarifas bancárias que poucos sabem quais são e o quanto é pago por elas deixariam agiotas ruborizados, mas são chancelados por quem tem a faca e o queijo na mão lá no Planalto Central.

Não é por outra razão que o Bradesco – segundo maior banco privado do país – publicou um lucro líquido, no ano, de R$ 8,924 BILHÕES só não sendo maior em razão de “elevadas despesas de pessoal, reflexo, principalmente, da convenção coletiva de trabalho”…

Já o Itaú Unibanco, maior banco privado do país, registra ganhos acumulados no ano de – pasme – R$ 11,222 BILHÕES. É o maior lucro na história do setor para o período, segundo levantamento da consultoria Economatica.

O Bradesco, sem qualquer pudor, cobra juros (POR MÊS) de 6,27% no empréstimo pessoal, 8,9% no cheque especial e no cartão de crédito 10,5%. Os juros do primeiro no “ranking” (Itaú) ficam por aí. Considerando-se que a inflação no mês de setembro foi de apenas 0,35% e a ANUAL de 5,86%, trata-se de um verdadeiro assalto à mão desarmada! Mas o governo não coloca a mão nesse vespeiro nem por decreto. E olhe que ele (governo) adora decretos… haja vista sua interferência no resto da economia maquiando, inclusive, resultados.

O cidadão comum desconhece que a famosa taxa Selic é um índice pelo qual as taxas de juros cobradas pelas instituições financeiras se balizam. É a taxa básica utilizada como referência pela política monetária. E ela é, hoje, de 9.5% ao ANO! Então, basta você anualizar os juros cobrados pelos bancos e compará-los com a taxa básica para se escandalizar e entender como é fácil os ditos lucrarem sem necessidade alguma de serem produtivos. Entende, agora, porque o Brasil tem o maior juro real do mundo (descontada a inflação)?

Mas se você pesquisar um pouco vai descobrir também – e se arrepiar com – os inúmeros artifícios usados pelos bancos para apresentarem balanços tão ricos que só cabem mesmo nesse traiçoeiro e abominável sistema.

E o custo Brasil, ó!

Sem luz no fim do túnel

A situação mundial encontra-se complicada dadas as dificuldades financeiras na Europa e Estados Unidos com implicações que atingem países emergentes. A instabilidade no oriente médio após a deflagração da Primavera Árabe, com a Tunísia liderando o bloco e levando de roldão Líbia e Egito, por fim, literalmente, coloca fogo no caldeirão sírio onde está instalada uma guerra civil deixando o mundo em expectativa.

A imprensa noticia que paraísos fiscais abrigam a espantosa quantia de 32 trilhões de dólares em seus cofres, produto de lavagem de dinheiro, transferências feitas para evitar a incidência de impostos em seus países de origem e outras maracutaias. O montante representa cerca de 280 bilhões de dólares em sonegação de impostos. Tanto quanto o volume de dinheiro entesourado, surpreende a colocação de nosso país no “ranking” dos líderes da tabela: China, Rússia, Coréia e BRASIL. Somos representantes prioritários da América Latina!

Comenta-se, a todo instante, sobre as desigualdades existentes entre sociedades de boa parte do mundo, sobre a falta de alimentos para sobrevivência de legiões de pessoas na África, pressões de toda ordem sobre cidadãos cujos países se encontram à beira da falência, desordem social, política e econômica. Discutem-se ainda, nos organismos internacionais, fórmulas que permitam aos que mais podem preservar seus interesses em detrimento dos menos favorecidos.   

Torna-se inconcebível que com tanto dinheiro sobrando nas mãos de tão poucos – haja vista a situação dos recursos disponíveis nos paraísos fiscais – aqueles organismos ainda se disponham a discutir, interminavelmente, soluções exclusivamente econômicas para sanar as mazelas causadas por governos desinteressados – ou incompetentes – no bem-estar de suas populações.

Estamos a assistir ao início de uma longa história. Minha visão do quadro que vivenciamos não permite divorciar acontecimentos diversos ocorrendo em paralelo. Turbulências econômicas, sociais e climáticas são consequências e não causas. A atuação de governos compromissados com parceiros que levam dirigentes de países paupérrimos ou não a desfrutar de riqueza pessoal nos paraísos fiscais é uma afronta ao homem comum, ao cidadão de qualquer classe social, de qualquer etnia ou religião.

E por fim, o status quo das condições climáticas, crescentemente adversas, desrespeitando as estações sazonais em hemisferios distintos, leva a assinatura do homem que privilegia os interesses econômicos de corporações mancomunadas com governos sedentos de poder e riqueza fácil. A natureza começa a cobrar a conta pelos desmandos que, infelizmente, vem sendo paga pelos que podem menos.

Até quando, tudo isto?

Que sistema é esse?

O sistema financeiro mundial está ruindo. Principalmente na zona do euro envolvendo seus 17 países membros com respingos no resto do globo. Não são poucas as nações que amargam um futuro sombrio sufocadas por travessuras irresponsáveis dos que vivem e sobrevivem dos investimentos e poupanças alheias. São os gestores da indústria do dinheiro, das atividades não produtivas, que apenas transferem recursos financeiros de uns para outros mediante generosas comissões geradoras de lucro, usurariamente. As autoridades monetárias internacionais, sempre agindo como bombeiros no socorro aos bancos – sempre eles –, transferem o ônus  para os indefesos.

Um verdadeiro atentado à honestidade foi divulgado recentemente pela imprensa internacional sobre problemas com a exatidão da taxa de empréstimos interbancários Libor (a taxa de referência para o sistema financeiro global) no fim de 2007. O Federal Reserve dos Estados Unidos (Banco Central de lá) destacou que o banco britânico Barclays reconheceu que – pasme – estava reduzindo “artificialmente” suas estimativas sobre o custo dos empréstimos. Fraude pura. Mas se você nunca ouviu falar daquele banco, saiba que foi fundado em 1690 (não há erro de digitação) e possui mais de 140 mil funcionários. Não se trata, portanto, de um banquinho qualquer, haja vista que nosso Banco do Brasil possui cerca de 110 mil bancários.

Será que aprenderemos as lições sendo ensinadas pelos que não fizeram seu dever de casa? Grécia, Espanha, Portugal, Irlanda, Itália não teriam nada a provar ao mundo levando suas populações ao sacrifício do bem-estar, a perder suas economias de uma vida inteira, a assistir o desaparecimento de seus empregos e a contenção de suas aposentadorias pela austeridade imposta e tardia?

O Brasil, até a pouco se sentindo imune e vivendo como se fora uma ilha da fantasia, foi guindado à posição de destaque por sua capacitação econômica bafejada pelos ventos dos preços das “commodities” em tempos idos. Hoje, encurralado por um PIB declinante – retrato de uma economia claudicante – investe na velha fórmula do estimulo ao consumo desenfreado como alternativa. O alvo, a população endividada até o  pescoço, que continua obrigada a pagar juros de 323,14% anuais no cartão de crédito – as mais altas do planeta – para uma taxa básica (SELIC) de apenas 8% ao ano.

Mas nosso governo confia em reativar a economia com PACs os mais diversos para atender às necessidades prementes de infraestrutura no país visando a Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas em 2016. É sentar no banco… da praça e pagar para ver!

Que sistema é esse?!

Você, o crédito e os impostos

Comprei uma lanterna por incríveis R$ 2,99. Produto manufaturado na terra dos nossos irmãos de olhos puxados lá do outro lado do mundo. Apesar de tão barata, tem funcionado perfeitamente.

Alega-se que o sistema de trabalho por lá é espoliante, as condições deploráveis, com resultado final que apresenta um PIB de mais de 8% em plena crise econômica. Mas na guerra cujo troféu dado ao vencedor é a hegemonia econômica sem ideologia, transformada em poderio político e militar, vale tudo. Lamentavelmente!

Por aqui, o governo abrindo as portas da bondade para estimular o crescimento econômico, que não anda lá muito bem das pernas, via concessão de mais e mais crédito, aliada à pressão por juros mais baixos (finalmente), anseia por resultados estimulantes.

Essa é a ponta do iceberg sob responsabilidade do consumidor, incentivado a se endividar ainda mais, sem consciência de como irá arcar com os ônus durante os anos de comprometimento financeiro. Se não conseguir quitar suas dívidas o problema é dele. A indústria já vendeu, o comércio fica pendurado com a inadimplência, assim como os bancos – pero no mucho -, eis que estes se protegem com taxas e juros escorchantes.

Mas a pergunta que fica é: e os impostos? O brasileiro é o cidadão que mais paga impostos e aquele que recebe os piores serviços públicos em troca. A conclusão é do “Estudo sobre Carga Tributária/PIB x IDH”, realizado pelo IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário). Como o cidadão desconhece o quanto paga de imposto sobre tudo o que compra e consome, fica fácil para o governo discursar transferindo a responsabilidade do sucesso econômico para a população.

Você tem consciência de que o trigo, base do pãozinho nosso de cada dia é tributado em 34,47% sobre o preço final pago?  O país, autossuficiente na produção de petróleo, mas não na produção de gasolina, taxa a dita em 57,03%, medicamentos em 36%, conta de luz em 45,81%, leite em 33,63%? São poucos esses exemplos, mas muito o quanto  contribuímos para abarrotar os cofres do governo que ano após ano bate recordes de arrecadação.

Alterar-se a legislação para que ao comprar um produto o imposto cobrado a você seja transparente, não interessa ao governo. Nem de longe!

A verdade é que nos sobram incentivos à gastança e nos faltam aqueles para investimentos. Investimentos prioritários, sim, prioritários, em educação, saúde, formação profissional de qualidade e infraestrutura, que são os alicerces capazes de transformar um país em potência. O resto vem por acréscimo, como em um parto indolor.

Mas  – até lá – haja discurso…”amantegado”.

 

Virando a página

A crise econômica que assola boa parte da Europa e Estados Unidos desnuda a atuação de bancos – sempre eles – credores de cidadãos e governos; na hora da verdade, sacrificam o dia-a-dia de sociedades inteiras obrigando-as a pagar a conta da farra de quem, novamente, sempre pode mais.  E, curiosamente, sobram dólares, trilhões deles, derramados em países bem comportados economicamente, buscando auferir lucros indecentes para seus investidores.

Percebo movimentos em diversos segmentos que trabalham para mudar o perfil do nosso viver contemporâneo gerando expectativas de melhores e mais justas mudanças. Assim, nossa aldeia global – mais consciente de seus direitos e deveres, direito à liberdade de ir e vir e se expressar, deveres para com o próximo, próximo ou distante – me leva a acreditar em revisões abrangentes e profundas no seio de todas as sociedades do planeta.

O resultado das eleições presidenciais na França, por exemplo, pode vir a relativizar as medidas de austeridade fiscal sendo impostas a países em crise como a Grécia e Espanha, para citar apenas dois dos mais comprometidos. O presidente eleito pelos franceses, François Hollande, promete incentivar medidas de afrouxamento e não arrocho como caminho para recuperação das economias em crise. Seu discurso, no entanto, é visto com preocupação pelos demais membros da Comunidade do Euro. Mas o peso da França não é pequeno. Nem tanto por se tratar do maior país da União Européia em área, mas por se tratar de uma grande potência.

Cabe lembrar que, com forte influência econômica, cultural, militar e política a nível europeu e global, o país é um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas. O problema, velho de guerra, consiste em saber quem, mais uma vez, pagará a conta  –  haja vista a complexidade dos interesses em jogo. De qualquer forma, Hollande só sentará em sua cadeira no Palácio do Eliseu a partir de 15 deste mês e as regras aprovadas para resolver o “imbróglio” europeu valerão a partir do inicio do próximo ano. É aguardar para conferir.

Por aqui, agimos na contramão das estratégias européias. As recentes e profundas mudanças introduzidas pelo governo estão forçando a baixa dos escorchantes juros cobrados pelo sistema gerador dos lucros mais torpes do planeta. Por tabela, introduziu modificações na sistemática da caderneta de poupança, o que nos permite sonhar agora com um país mais justo a desestimular que capitais especulativos continuem a se locupletar minando a solidez de nossa economia.

É possível até, quem sabe, que venhamos a servir de exemplo para boa parte do mundo. Oxalá!

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