PONDERANDO

* * * Reflexão em 120 segundos * * *

Tag: Educação (Página 1 de 3)

…em se plantando tudo dá!

Semana passada abordei o assunto Educação no país destacando o viés econômico-financeiro-tributário da questão. As prioridades governamentais que relegam a um segundo plano aquele que, a meu ver, deveria ser o carro-chefe da construção de uma sociedade forte, saudável e competitiva – investimentos pesados na Educação com estímulos e isenções tributárias – não estimularam parte de meus leitores a qualquer esboço de reação. A leitura das “curtições” no post publicado no facebook durante a semana revelou que assuntos desta natureza não parecem merecer muitos comentários. A aferição das reações no jornal impresso não pode ser medida apesar de manifestações por e-mail serem sempre possíveis.

A grande virtude da democracia é permitir ao cidadão se manifestar sobre qualquer tema dando-lhe a dimensão que entende merecer. Sem qualquer castração. E mais: oferecer àqueles conscientes a oportunidade de ponderar sobre um futuro que depende – sempre – de ações e reações presentes as quais, de uma ou outra forma, atingirão sua qualidade de vida em todos os momentos.

E por que retomo o assunto esta semana? Porque a mim não parece ser honesto ficar omisso diante de um quadro estarrecedor: o Brasil ocupa hoje o lugar mais alto no pódio da violência em escolas! Pesquisa global com mais de 100 mil professores e diretores de escola do segundo ciclo do ensino fundamental e do ensino médio fez a revelação: 12,5% dos professores ouvidos no Brasil disseram serem vítimas de agressões verbais ou de intimidação de alunos pelo menos uma vez por semana, segundo enquete da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico. Alarmante!

Foram 34 os países pesquisados e a média divulgada pela pesquisa foi de 3.4%. Ressalte-se que o índice na Coréia do Sul, Malásia e Romênia é zero! Claro está que estes resultados refletem a condição de valorização – ou não – da profissão (de professores). Ainda segundo a pesquisa “muitos deles não se sentem apoiados e reconhecidos pela instituição escolar e se veem desconsiderados pela sociedade em geral”.

“Em países asiáticos, os professores possuem um real autoridade pedagógica. Alunos e pais de estudantes não contestam suas decisões ou sanções” comenta um especialista da OCDE. Já por aqui…

E Pero Vaz de Caminha, lá atrás – os que estudaram História do Brasil devem se lembrar – afirmava em carta enviada ao rei D. Manuel I, de Portugal, que “De tal maneira é boa a terra que, em se querendo, dar-se-á nela tudo!”.

É verdade!

O trem da Educação no Brasil

O país nunca priorizou a educação em seus investimentos. Os alocados pelo governo para a área não são animadores se comparados, até, àqueles de outros países da América latina. Existem várias formas de se divulgar números que sempre podem levar a distorções no entendimento comparativo e suscitar polêmicas e defesa de teses.

Dados fornecidos por fonte fidedigna, no entanto, nos revelam o precário quadro da educação na maior potência do hemisfério sul.  Acredito não estar isolado em minha avaliação e crença de que um país para ser pujante, possuir uma sociedade saudável, esclarecida, socialmente justa, tem que assumir em primeiríssimo lugar, como carro-chefe no rol de seus orçamentos e investimentos, os reservados para a Educação.

O imposto de renda – que já peca pelo nome – cobrado à população é injusto. Injusto na correção da tabela, que não acompanha os índices inflacionários (faz tempo!) e ainda taxa o cidadão não apenas pela renda que aufere fruto de seus investimentos, mas também e principalmente os salários que a imensa maioria da população tem apenas como “renda” exclusiva. E aí nem os aposentados escapam das garras do governo.

O governo e sua pesadíssima máquina administrativa e política com 39 ministérios (contra 15 nos EUA – pasme) não se permite a investir pesadamente e isentar do imposto de renda as despesas com educação feitas por cidadãos e empresas. Se assim o fizesse o trem da educação passaria a contar com uma locomotiva eficiente, sucateando a exaurida Maria Fumaça que ainda trafega em bitola estreita.

Os custos arcados pelos contribuintes com educação no Brasil são desproporcionais aos seus rendimentos. Ainda assim, a dedução com gastos educacionais está sujeita ao limite anual de R$ 3.230,46 por contribuinte e seus dependentes, ou seja, menos de R$ 300,00 por mês. Ressalte-se que não se enquadram no conceito de gastos dedutíveis com educação sequer despesas com instrução feitas a instituições que criem e eduquem menores órfãos ou abandonados, ainda que sejam destinados ao custeio de sua educação.

O governo que tanto estimula o consumo poderia – deveria – isentar integral e prioritariamente as despesas com educação por parte de pessoas físicas e jurídicas concedendo, ainda, isenções tributárias a empresas e instituições que investem ou venham a investir em educação em todos os níveis.

Posso estar equivocado, mas com o trem da Educação nos trilhos o perigo de descarrilamento com saúde, segurança, corrupção desenfreada, congresso corporativista, seria próximo do zero em apenas 20 anos, ou até menos.

 

Talento e profissão

Há algumas décadas, paulatinamente, os objetivos de vida das pessoas vêm se alterando – para melhor, a meu ver. Estamos vivendo mais, com mais saúde e maior diversificação de interesses. A qualidade de vida passou a ocupar lugar de destaque na jornada e, para não poucos, colocada no topo da lista de prioridades. Caminhamos bastante, mas não o suficiente para driblar o trator do consumo que nos consome, mantendo-nos prisioneiros e sem liberdade para vivermos uma vida mais simples e autêntica.

Os objetivos de vida, que começam a ser desenhados ainda na adolescência, são fortemente influenciados por pais e escolas. Os primeiros, com inúmeros exemplos, procuram ver seus filhos “realizados” ao se formarem em algum curso superior. As segundas, com interesses comerciais fazendo a ligação direta entre o ensino médio e as faculdades. Rolo compressor agindo em uma das fases mais importantes da vida de um jovem inexperiente, reduzindo seus espaços para uma avaliação mais profunda de como projetar um futuro promissor.

Afinal, a vida não é só trabalho, ainda que fundamental e imprescindível para a subsistência de todos nós. E aí, quero crer, é que reside o nó górdio da questão. Que questão? A de como compatibilizar o tipo de vida desejado com os recursos necessários para mantê-la. Conflito existencial! Em realidade, no momento em que os jovens fazem suas opções – influenciados em sua maioria pelos agentes catalizadores mencionados – eles não se encontram suficientemente maduros nem possuem, ainda, uma visão de qual a melhor rota para enfrentar e desfrutar de uma vida plena.

Acredito que o desfrutar de uma vida plena, profissional, envolve o casamento do talento de cada um, ou uma, com a profissão escolhida. Se a escolha não for acertada muito provavelmente a união terminará em divórcio ou, pior ainda, em uma vida sacrificada e infeliz até a aposentadoria. Mas as nuvens estão a prenunciar novos tempos à frente com o crescente número de jovens pensando em ter seus próprios negócios, sem depender de empregos; até mesmo a escolherem melhor seus cursos técnicos ou superiores ao se decidirem pela amada (profissão).

Não é improvável que você conheça alguém ou alguns que transitaram pela experiência, qualquer que seja ela. E se seus filhos ou netos estiverem no ponto de enfrentar a hora da verdade ofereça-lhes a oportunidade de aprender a voar com as próprias asas. Sua própria história de vida – não importa qual – talvez lhes sirva de exemplo. Pondere!

Repensando o futuro

Comerciantes do município pernambucano de Abreu e Lima – Região Metropolitana do Recife – durante a greve da Policia Militar e de Bombeiros realizada há duas semanas, tiveram suas lojas saqueadas e depredadas em atos de destruição deplorável. Foram roubados desde eletrônicos até geladeiras, fogões e lavadoras de roupa. Os atos não são exclusividade daquela cidade, haja vista que pelo Brasil afora demonstrações e protestos vem ocorrendo quase que diariamente pelos mais variados motivos. Cumpre lembrar – sem qualquer justificativa – que ações dessa natureza ocorrem, também, em países do chamado primeiro mundo e em momentos de crise social, política ou econômica.

Na contramão de tudo que aconteceu, pouco destaque foi dado ao fato de que muitas pessoas – por receio de serem presas, denunciadas ou encaminhadas às autoridades policiais por familiares – devolveram às delegacias muito do que foi roubado. Entre elas encontravam-se aquelas arrependidas que confessaram ter agido por impulso no meio da confusão reinante. A imprensa não teve como quantificar estas últimas – de elogiável conduta – e o assunto aqui no sudeste desapareceu do noticiário.

O que me parece relevante ponderar é que a índole do brasileiro é, por natureza, pacífica; apesar de virmos assistindo nos últimos tempos a algumas barbáries antes inexistentes em nossa sociedade. Acredito que a mudança no perfil de nossa gente, tornando-a mais agressiva por vezes, possa ser creditada, entre outras, à torrente de propaganda que estimula o consumo desenfreado. Consumo ao qual nem todos podem ter acesso, mas que com o desejo exacerbado pelo anseio de possuir leva não poucos ao desvio de conduta. E, sem dúvida, também, ao crescente consumo de drogas por todas as classes sociais.

As informações e sua divulgação em tempo real têm sido banalizadas, sem qualquer maquiagem, tornando mais transparentes as diferenças entre os indivíduos e suas classes. A globalização parece estar nivelando comportamentos por baixo, alterando perfis sociais e evidenciando, também, sentidos reprimidos.

Tomo a liberdade de incluir-me entre aqueles que entendem que a volta por cima nesse quadro preocupante esteja na Educação. A começar em casa junto à família, na escola através da formação e cidadania, no seio da sociedade pelo exemplo. Etapas utópicas se não forem precedidas por uma Educação de qualidade oferecida pelos governos em escolas públicas de qualidade, capitaneadas por professores qualificados e bem remunerados. A escola pública é a única que pode democratizar a formação dos cidadãos do futuro oferecendo oportunidades iguais para os desiguais.

Portal para o futuro

O perfil do mercado de trabalho é fruto de permanente mutação. O fator determinante nas últimas décadas, no entanto, tem sido a velocidade com que isto tem acontecido. E como seria de se esperar, o impacto maior se dá na formação dos profissionais que entram no mercado já relativamente desatualizados. O que o mercado exige no ano 1 de um estudante entrando na faculdade se mostrará defasado quatro, cinco ou seis anos mais tarde quando este mesmo estudante estiver se diplomando. Na formação de técnicos do ensino profissionalizante não é diferente. Há meio século, o número de profissões existentes era praticamente estático e pequeno, sem muitas alternativas. Com o passar do tempo, principalmente após o fim da segunda guerra mundial, com tantos inventos revolucionários surgindo em termos tecnológicos, o leque de opções foi se ampliando.

A última década tem sido pródiga em despertar novas profissões, antes inexistentes e alavancadas pela tecnologia. Fenômeno que permanece em alta e que só tende a se acelerar. As novíssimas gerações já possuem outra cabeça, o que faz com que os formados há poucos anos se encontrem em desvantagem no concorridíssimo mercado de trabalho na metade da pirâmide para cima. A outra metade, para baixo, no Brasil, sofre com a qualidade de instrução e formação, precária que é. Sem contestação e infelizmente, o ensino em qualquer nível no país está abaixo da linha d´agua, se comparado a muitos dos desenvolvidos.

As limitações antes impostas e hoje superadas com a ajuda da tecnologia têm seduzido muitos futuros profissionais a optarem por carreiras (se empregados vierem a se tornar) para as quais suas vocações naturais não se encontram à altura. O retorno financeiro, desafortunadamente, baliza o vislumbre de um futuro de sucesso. E aí reside o nó górdio da questão. Observe-se, no entanto, que estes são tempos onde significativa parcela dos jovens realiza intercâmbios conhecendo o mundo e novas culturas tornando suas opções na escolha de uma profissão mais autênticas e realistas. Talvez seja esta uma das causas para o crescimento do empreendedorismo no país, em todos os segmentos do estrato social, independente da formação de cada um.

Assisto, por isto, com bons olhos e otimismo, a transformação – ainda que embrionária – da cultura profissional das novas gerações procurando descartar o mesmismo, enveredando por caminhos onde o talento inato fala mais alto e a percepção do que seja o sucesso difere daquela de seus pais e avós.

Geografias

Ouvimos e assistimos às notícias vindas do mundo todo, todos os dias. As internacionais, vindas dos quatro cantos do globo, surgem nas telinhas e telões apenas rapidamente e são disponibilizadas para consumo imediato e descartadas instantes após serem digeridas. São oriundas (as notícias) de países conhecidos, muitos, e outros nem tanto, mas que deixamos passar batido sem muita preocupação em saber onde se localizam. Quando muito, identificamos em que continente se situam. Assim mesmo se você passou pela escola, foi aluno aplicado de geografia e ainda se lembra do mapa…

Dentro desse contexto, quero crer que uma das áreas mais fascinantes do conhecimento humano é a geografia. No meu tempo de colégio, a geografia mundial era outra, principalmente a do continente africano. A independência de muitos países por lá, levando à troca de seus nomes inclusive, deixou muitos como eu sempre em dúvida sobre as “atualizações”: a Zâmbia era Rodésia do Norte; o Zimbábue, Rodésia do Sul; Botswana, África do Sul Britânica; Etiópia era Abissínia. Franceses, holandeses, ingleses, belgas, italianos, portugueses dominando boa parte do continente e exaurindo suas riquezas, ao deixarem suas conquistas para trás deixaram, também, a pobreza e a desigualdade social instaladas. A história registra.

Após o fim da segunda guerra mundial, a geografia política da Europa, leste europeu em particular, também tomou contornos que nos deixaram ignorantes com tantas modificações na geografia daqueles territórios. Sem nenhum constrangimento, afirmaria que a maioria da população, até hoje, pouco ou nada sabe sobre as regiões do leste europeu e oriente. Sérvia, Montenegro e Iêmen estão no seu mapa?

Curiosamente, vivemos em um mundo globalizado, “linkados” pela tecnologia, consumindo produtos cuja matéria prima é extraída na América Latina, beneficiada na Ásia, montada na Europa e distribuída por diversos países. A produção e a comercialização de bens e produtos deixaram de ter nacionalidade para se travestirem em algo acabado onde o último da fila coloca seu carimbo. É a geografia econômica fazendo seu dever de casa enquanto a política (geografia) permanece com seus contornos definidos.

É improvável que venhamos a presenciar alterações na geografia de países e continentes daqui para frente. A militarização, que sempre existiu agregando territórios pela força faz, agora, parte da história. O poder nuclear de potências consagradas, e até mesmo daqueles como o Paquistão e a Índia – que não são potências -, tendem a levar o mundo a se entender pela diplomacia – esfarrapada, muitas vezes – interesseira como sempre, mas cautelosa por razões óbvias.

Assim seja.

Ordem do Dia: DESAPRENDER

Procuro acompanhar os principais acontecimentos mundiais através dos diversos órgãos de divulgação. As estampadas pelo portal de meu provedor, por exemplo, – em sua página inicial -, priorizam a publicidade e o marketing massacrantes. Claro está que cada mídia tem sua pauta criteriosamente definida pelos editores competentes tendo como intenção primeira atingir objetivos comerciais, naturalmente.

Vivemos dentro um sistema de alta, altíssima velocidade, onde tudo – ou quase tudo – se torna descartável em pouquíssimo tempo. Basta olhar em volta, para si mesmo, atento às ocorrências diárias e constata-se com espanto, não raro, que o que era já não mais é como em um piscar de olhos em sentido figurado.

Fico com a impressão que nos defrontamos com uma maquiavélica máquina de formação de opinião e inculcamento subliminar de desejos como a anestesiar nossa autoafirmação, asfixiando nossa capacidade de percepção. O tempo disponível para tudo é sempre insuficiente – para a maioria das pessoas – colocando em xeque nossa disposição para pensar, meditar sobre acontecimentos e suas razões, examinar com ponderação situações complexas e sobre elas concluir sensatamente.

O famoso escritor, sociólogo e futurista norte=americano Alvin Toffler, influente no mundo da economia e da gestão, cunhou a famosa frase “Os analfabetos no século XXI não serão os que não souberem ler ou escrever, mas os que não souberem aprender, desaprender e reaprender”. Genial!

O desenvolvimento tecnológico, sempre à nossa frente, parece estar nos levando pelo bico e acelerando as transformações que ainda estão nos primórdios dos novos tempos. Se anteriormente, até poucas décadas atrás, nos imaginávamos senhores das situações ignorantemente, ousaria afirmar, cientistas hoje e novos gênios ainda imberbes estão a nos orientar para um futuro que nem eles, nem ninguém, conseguem saber como será. Desafiador, fascinante, transformante!

Como sou dos que acreditam que Toffler tem razão, para nos alfabetizarmos nesta Era que ora se inicia, é preciso conhecer os fundamentos de qualquer coisa, ou seja, “o que é”, imutável ao longo do tempo. Aprender o “como é” e constantemente desaprender por sua obsolescência reaprendendo – aprendendo o novo – é a chave para nos livrarmos do analfabetismo contemporâneo.

Crianças com cinco anos de idade usam tablets. E você? “Dumb phones” (telefones ignorantes)? Assim, vivendo tempos supersônicos, o desafio da Esfinge de Tebas, no Egito Antigo, permanece atual: “Deciframe ou te devoro“.

Google explica!

Um olhar atento, por favor!

Existem circunstâncias inexplicáveis na vida de todos nós. Procuramos motivos e razões que justifiquem certos acontecimentos através da ciência, da religião e até mesmo do sobrenatural, por aqueles identificados com o fenômeno.

Um jovem americano, aos dois anos de idade, foi diagnosticado com autismo e prognóstico sombrio para sua qualidade de vida. Colocado em um programa especial de aprendizagem, aos quatro anos, fez terapia para tentar desenvolver suas habilidades e voltar a falar. Mas, depois de um inusitado caminho percorrido, aos 14 anos, Jacob Barnett – este o seu nome – estuda para obter o mestrado em Física Quântica. Aos nove anos, começou a desenvolver trabalhos sobre astrofísica que despertaram a atenção de acadêmicos na Universidade de Princeton, Estados Unidos, trabalhos considerados potenciais ganhadores de um prêmio Nobel futuramente. E mais: aos 11 anos entrou para a universidade, onde faz pesquisas avançadas em física quântica. Alguns especialistas consideram seu QI superior ao de Albert Einstein. Por favor, releia a primeira frase deste parágrafo.

Pessoas que nascem com dons incomuns à luz do conhecimento contemporâneo desafiam aqueles ainda enjaulados em conceitos preconceituosos, presos a preceitos irrefutáveis. Desde que me entendo por gente questiono a forma como somos educados para enfrentar a vida em voo solo. Nossos filhos são educados – salvo honrosas exceções – dentro de um modelo engessado onde raramente lhes é permitido desenvolver habilidades naturais inatas. O comércio do ensino e o comodismo de muitos pais – a quem peço perdão pela ousadia – levam crianças e adolescentes, muitos, a trilhar a estrada de mão única que pressupõe encaminhá-las para uma vida pessoal e profissional de realização intrínseca.

Deixar aflorar um talento inerente a cada indivíduo, independente de sua condição, é tarefa de desprendimento para pais principalmente e educadores em particular. Não se forma um cidadão sem que nele se observe e identifique, desde cedo, seu potencial através do olhar individual e não do coletivo. Prestigiar o talento natural da criança ou jovem – sem qualquer discriminação – permitirá integrá-lo à sociedade como pessoa de bem e como profissional capacitado no disputado mercado de trabalho.

O olhar atento e persistente da mãe de Jacob evitou sua capitulação às “evidências” de padrões preconcebidos ao perceber que atrás de um véu suspeitoso estava presente um ser humano dotado de inteligência superior à nossa, que se revela mediana, quando muito.

A ponderar!

Sem Educação não há Solução

A situação crítica, exasperante, vivida nas últimas semanas por cidades de São Paulo e Santa Catarina dominadas que estão pela violência crescente, insana, desumana, é incompatível com a natureza pacífica do brasileiro. Situação que não permite o alheamento e exige um mínimo de reflexão por todos nós.

Governos estaduais procuram justificar as ações criminosas olhando para o outro lado e tentando minimizar as evidentes deficiências de um sistema anacrônico, falido, de proteção ao cidadão e à ordem pública. Clamamos e proclamamos que Deus é brasileiro, mas as diferenças gritantes em nossa sociedade, mascaradas por uma economia pouco transparente, não priorizam a ordem das prioridades, a começar pela mola mestra da EDUCAÇÃO. Os investimentos na área não são, em absoluto, condizentes com a alardeada solidez de nossa economia. Segundo o governo, faltam recursos…

Não tapemos o sol com a peneira: o aumento de consumo por parte da população, estimulado a todo vapor pelo governo federal, não vai elevar o nível de escolaridade dos brasileiros, adequar escolas públicas em lugares distantes e nem tanto, valorizar professores, incrementar o saneamento básico. Impossível termos mais saúde, melhor formação, maior consciência cívica de nosso povo sem educação de qualidade.

A construção de estádios financiados pelos governos visando a Copa do Mundo de futebol, com duração de apenas um mês, é uma afronta aos que bradam por escolas e hospitais decentes. As primeiras, sem livros, carteiras e instalações condizentes, mas ambas carentes de infraestrutura. Hospitais públicos superlotados, sem remédios, médicos e enfermeiras de alto padrão, desprovidos de profissionais que não injetem sopa ou vaselina nas veias de pacientes desavisados, vitimas da desassistência do poder público, desvelam a realidade. O Brasil não é apenas o Sul e o Sudeste!

Portanto, não creio que possamos desvincular a violência reinante e preocupante da precária educação gerida pelo Estado. Cumpre lembrar que a Constituição federal define, claramente, as políticas para educação e saúde, interdependentes que são. Não há espaço para omissão e negligência.

Subjugar a qualidade do ensino de qualidade e assistência médica compatível com a ausência de recursos desviados para fins eleitoreiros e de sustentação no poder é crime. Crime hediondo! Tão graves quanto os que vêm sendo cometidos contra pessoas indefesas, policiais ou não, e pacientes internados sem qualquer opção.

É tardia a hora de priorizarmos a EDUCAÇÃO neste país!

O macaco e seu galho

Os primeiros anos de nossas vidas nos mostram o que e quem somos. Dando o benefício da dúvida, são pouquíssimos os que, ainda cedo, tomam consciência da própria capacidade inata para a realização de tudo que ainda não emergiu. Na maioria das vezes o aflorar de nossas habilidades surge mais tarde quando, não raro, muitos enfrentam os novos caminhos com coragem e autoconfiança.

As atividades empresariais, o mundo dos negócios por exemplo, congregam dois protagonistas distintos que muito raramente se confundem em um só: os empreendedores e os que não tendo essa vocação seguem, até com brilhantismo, carreiras profissionais que podem levá-los à realização plena.

Características pessoais – com DNA peculiar dos que ousam se aventurar, acreditando em seus instintos de criar o novo ou reformular o antigo – levam pessoas de ambos os sexos a enxergar em sua volta o que os demais mortais não conseguem perceber. São os empreendedores, que surgem aqui e ali incorporando inovações em nossas vidas, mas que curiosamente podem não ter a necessidade de receber uma educação acadêmica formal para serem bem sucedidos.

Existem casos clássicos de empreendedores que sem qualquer qualificação universitária formal transformaram, alguns, o dia-a-dia de milhões de pessoas em todo o planeta: Bill Gates (Microsoft), Steve Jobs (Apple), Mark Zuckerberg (facebook), Eike Batista (EBX), considerado o homem mais rico do Brasil, Silvio Santos (SBT), ícone do mundo da televisão, são alguns dos nomes famosos e conhecidos incluídos nesse grupo.

Ressalve-se que não existe, aqui, nenhuma apologia contra o ensino formal, acadêmico, superior. Apenas tentar demonstrar que no mundo real, é incomum a universidade diplomar um empreendedor. A cabeça dos que procuram a universidade está voltada, essencialmente, para a busca do conhecimento que lhes permita exercer uma profissão, digamos, formal. Se bem formados e talentosos, colocam seus serviços e conhecimento à disposição daqueles que criaram e criam os novos caminhos mundo afora. E muitos, com o mais absoluto sucesso.

Para complementar, dificilmente o empreendedor seria bem sucedido se colocado à frente da administração do negócio. Esta é uma empreitada reservada a especialistas do ramo. Conheço alguns casos que redundaram em insucesso por terem sido vitimas da inversão dos polos onde o resultado não poderia ser outro que um indesejável curto circuito.

O mundo reserva espaço para todos desde que cada macaco esteja no galho certo. Nada de quebrar galho!

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