PONDERANDO

* * * Reflexão em 120 segundos * * *

Tag: Educação (Página 2 de 3)

Brasil, florão da América

O país encontra-se diante de uma oportunidade, única talvez, para corrigir as enormes distorções em sua carente infraestrutura viária, aérea e logística. Os próximos eventos – Copa do Mundo e Olimpíadas – estão a movimentar bilhões de reais de recursos que poderão nos colocar em patamar que faça jus ao título de sexta potência econômica mundial.

Vejo com otimismo o esforço do governo federal – apesar das pedrinhas colocadas em seu sapato por um Congresso pequeno – de tentar oferecer a cerca de 190 milhões de brasileiros uma vida mais digna. Mas vejo com preocupação, também, que modestas verbas alocadas para educação e saúde, esbarram no discurso do Planalto, quando empregos são gerados e a mão de obra qualificada não atende à demanda.  Incoerência.

Com a longevidade humana atingindo patamares inéditos, a preservação da saúde da população passa a ser tópico para ação e não mais reação. Principalmente por aqui, onde mais geladeiras, fogões  e automóveis colocados no mercado com isenções tributárias não substituem a falta de leitos em hospitais públicos, atendimento médico precário e 55.5% de municípios brasileiros desatendidos pelo serviço de saneamento básico.

Estimula-se a gastança e não a poupança. Argumenta-se que o modelo ideal – questionável – de se conceder mais crédito às pessoas que não tem como pagar por mais bens duráveis no momento estimula o crescimento industrial, a geração de empregos, seu status de vida. Meia verdade. Foi exatamente assim que os nossos irmãos do continente norte-americano derrubaram a economia mundial poucos anos atrás. Ainda cambaleante, o sistema não consegue se reerguer. E a diferença crucial é que sua moeda é impressa em casa e o quanto quiserem, deixando a conta para ser paga pelo mundo. Não por acaso sua divida pública é superior a 14 trilhões de dólares.

A crise econômica que assola boa parte do planeta não permite arroubos de posse indiscriminada por lá. Mas para os países com desenvolvimento econômico saudável, todos medidos por PIBs e outros índices, sem levar em conta a necessidade real e qualidade de vida de suas populações, a porteira está aberta. É o nosso caso.

Não há como colher sem plantar. Mas preparar o solo para a colheita exige tempo, conhecimento e investimento. Dispomos de todos, mais que ninguém. Questão apenas de ordem.

Tamanho, no caso do Brasil, é documento. Bem nutrido e saudável, pronto para ser educado, se mostrará rapidamente como um continente, mais que um país. E que país!

Bem-vindo ao Mundo da Geração Z

O mercado de trabalho sofre transformações profundas em todos os países: a tarefa de colocar à disposição de empresas e serviços pessoal altamente qualificado visando atender à demanda de uma nova realidade parece carecer de condições plenas para atingir seus objetivos.

A  CalTech, de Pasadena, EUA, é a melhor universidade do mundo de acordo com a classificação anual da Times Higher Education. Pela primeira vez em oito edições, a Universidade de Harvard não aparece no topo e empata na segunda posição com a Universidade de Stanford.

Existem milhares de universidades espalhadas pelo planeta e, certamente, a maioria delas não dispõe de corpos docentes e ferramental de ensino condizentes às exigências de nossos dias. Como conseqüência, deverá ser crescente o número de diplomados sem qualificação para enfrentar a concorrência de um mercado cada vez mais competitivo.

Novas gerações já nascem com DNA tecnológico embutido, aprendendo a usar computadores e afins antes mesmo de serem alfabetizadas. Sua capacidade de aprendizado é maior e mais rápida que a de seus antecessores e, ao que tudo leva a crer, a tendência futura é extrapolar. Um exemplo é a enorme população participando do Campus Party 2012, em SP, constituída pela geração Y altamente criativa, mas que corre o risco de, em poucos anos, estar defasada e ultrapassada por aquela que corre atrás e nasceu brincando com “gadgets” que nem seus pais conseguem usar (geração Z).

Assisto com interesse o galgo correndo atrás da cenoura sem conseguir alcançá-la. Ou seja, algumas universidades procuram dotar seus alunos com o melhor conhecimento possível, mas faltam-lhes recursos financeiros para tanto. Infraestrutura compatível exige muito dinheiro, e não apenas o arrecadado com mensalidades e parcos subsídios para centros de ensino governamentais. O fenômeno é mundial e exige, sim, maciços investimentos da sociedade privada a exemplo daqueles feitos nas universidades de ponta.

Os níveis de desemprego e o alto custo da escolarização, principalmente no velho continente e Estados Unidos, colocam em cheque a formação de futuras gerações, quiçá marginalizando talentos sem recursos próprios para enfrentar a empreitada.

Ensinar hoje, sem colocar a alta tecnologia a disposição de professores e alunos, é condenar cidadãos com diplomas universitários a exercer atividades menores incompatíveis com sua formação.

O ensino não pode mais permanecer como objeto comercial que, por limitações de toda ordem, se permite vender apenas conhecimento desatualizado, já obsoleto, para aqueles que procuram uma formação e informações necessárias para desfrutar de uma vida profissional competitiva.

O tempo ruge!

Pés Descalços

Esta não é mais uma de minhas crônicas trazidas para este site.

Mas é a oportunidade de se defrontar com uma extraordinária lição de vida ao acessar o link http://www.ted.com/talks/lang/pt-br/bunker_roy.html#.Tvou35fNtH9.facebook

Talvez o leve a ponderar sobre realidades que não conhecemos, torná-lo mais perceptivo e receptivo ao simples da vida, reavaliar tabus que nos foram impingidos desde crianças.

Estamos, quem sabe, diante de um novo limiar.

Receba meu afetuoso abraço.

 

Dia para a Criança

O dia 12 de outubro foi celebrado esta semana para alegria do comércio, agências de publicidade e, naturalmente, das crianças.  Mais uma data inserida no calendário das compras (e vendas) deixando os envolvidos – comprometidos com a obrigação de atender aos apelos por aquele presentinho obrigatório – sem opção que não seja a de participar da festança geral.

A comemoração desse que se pactuou chamar de Dia da Criança, merece atenção diversa mundo afora. A ONU, por exemplo, comemora o dia de todas as crianças do mundo em 20 de novembro, data em que os países aprovaram a Declaração dos Direitos das Crianças. No Japão, o dia é comemorado em 5 de maio, para os meninos, com exposição de bonecos que lembram samurais; para as meninas, a comemoração é no dia 3 de março, com exposição de bonecas. Cultura pura.

Destaque para a Nova Zelândia onde a comemoração é no primeiro domingo de março e diferencia-se de muitas por não ser um dia para presentes e sim um dia onde se passa tempo com a família, para rir e brincar. Com uma população de pouco mais de 4 milhões de habitantes, 99% alfabetizada, possui o terceiro mais elevado IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do mundo. Sem brincadeira, demonstração de seriedade na condução dos destinos de uma sociedade.

Minha infância já distante me deixa com a impressão que cada vez mais as crianças vêm sendo privadas de desfrutar plenamente de uma de suas fases áureas, da ingenuidade, crenças e sonhos que só a elas pertencem, de maneira ampla e irrestrita.

Subir em árvores,  jogar bola na rua quebrando a vidraça do vizinho – sem querer, é óbvio -; “sumir” de bicicleta sabe-se lá por onde voltando para casa tarde e levando um puxão de orelhas – que à época não era motivo para os pais serem submetidos a acareações em delegacias; meninas usando maquiagem da mamãe, escondidas, mas só de brincadeira; travessuras mil compunham a formação saudável de crianças em pré-adolescentes. Tempos que não voltam mais!

Mas a verdade é: sociedades estão mais inseguras pelo avanço da violência, uso exacerbado e não raro inconseqüente das tecnologias de comunicação, mudança no perfil dos pais – menos disponíveis face à priorização de suas profissões -, deixando muitas crianças crescendo sob a batuta de creches e “nannies” freqüentando escolas já a partir dos dois anos de idade. Um fato.

Agrada-me o “modelito” da Nova Zelândia para celebrar o Dia da Criança. Quem sabe com menos presentes e mais presença possamos fazer a cabeça delas ensinado-as desde cedo a importância maior de ser que de ter.

Sua majestade o automóvel – e nós

Semana passada, em 22 de setembro, foi celebrado o Dia Mundial sem Carro em todas as cidades do planeta. Bem verdade que umas mais outras menos atenderam à convocação, mas ainda bem que pelo menos uma vez ao ano são muitos os que tentam conscientizar políticos, autoridades e pessoas a fazer uso do automóvel de forma consciente e responsável.

A divulgação foi relativamente ampla e seus resultados pouco alentadores para os mais atentos. A exemplo das campanhas contra o fumo, álcool e drogas, a eficácia das tentativas daqueles bem intencionados é sempre relativa. No caso do carro, o mais desejado depois da casa própria, além do conforto que propicia ao seu proprietário para se deslocar é ele, ainda, referência-símbolo de status.

Em nossa cidade nada vi ou ouvi sobre o assunto. Os jornais locais calaram,  o que significa que – presumo eu e salvo desinformação minha – o assunto não mereceu destaque nem atenção devida.

Cidades dotadas de transporte coletivo civilizado e vias de acesso compatíveis com a sua realidade são minoria dentro do contexto mundial. Refletem a cultura de  povos dotados de responsabilidade e conscientização por parte de governantes em relação aos seus cidadãos e, da parte destes, seu respeito pelo outro. São países aonde a bicicleta chega a ser, em alguns casos, maioria em relação aos automotores.

Se o automóvel reina absoluto,  seu impacto na qualidade de vida dos cidadãos causa transtornos crescentes via poluição, desrespeito às leis de trânsito, congestionamentos monstruosos, perda de horas preciosas, elevação do stress. E pior: por trás dos volantes muitos são os motoristas que se transformam em seres irreconhecíveis.

O município em que vivemos está a merecer atenção urgente das autoridades. O trânsito no centro está indisciplinado – sem fiscalização – com motos estacionando descontraidamente em vagas exclusivas para carros, inclusive as reservadas para idosos e deficientes. Motoristas dos carros continuam a desrespeitar as ditas vagas reservadas e a não respeitar pedestres que tentam atravessar nas faixas a eles dedicadas, visando sua segurança. Placas de PARE e rótulas começam a perder sua finalidade.

As bicicletas, que deveriam ter prioridade, juntamente com transeuntes, estão correndo crescente risco de acidentes. As poucas vias a elas destinadas, dada sua concepção errônea, vêm sendo utilizadas como calçadas por ausência destas.

Uma boa dose de educação e orientação, regada à civilidade,  pode tentar reverter nossa rica incultura. Está nas mãos de todos!

Por princípio, e por fim

Houve uma época em que as pessoas eram educadas para serem educadas. Aprendia-se, então, a falar baixo em público, a respeitar os mais velhos dando-lhes o lugar em transportes coletivos, a cumprimentar as pessoas antes de iniciar qualquer diálogo, a permitir o acesso prioritário de senhoras a ambientes diversos, a obedecer e respeitar pais e professores. A lista completa é por demais extensa para ser aqui incluída.

Abordar este assunto nos dias de hoje pode soar como caretice – termo que você talvez não conheça se tiver menos de 40 anos -, haja vista que costumes se modificam, continuamente, através dos tempos. A contestação, sempre presente desde que você se entende por gente, e até mesmo antes, tem sido a mola propulsora das mudanças.

Na juventude plena queremos consertar o mundo, somos críticos ao extremo, pensamos saber mais – o que é verdade muitas vezes – trombamos de frente com as instituições na perseguição por transformações.

Na adaptação a novos costumes não existe parto indolor. A vida nos torna prisioneiros de hábitos que, arraigados, se tornam difíceis de serem revistos. A pergunta que fica é: até quando somos protagonistas de transformações e em que momento passamos para o outro lado, o de contestadores das contestações?

Viajante do carrossel dos acontecimentos, não tenho a exata noção de quando aconteceu o “corte” entre as duas situações em minha vida. Admito que, na educação de meus filhos, vivi o conflito entre o que me havia sido imposto como filho, impregnado em meu ser, e o esforço para me adaptar aos costumes da geração que me sucedia, vivendo hábitos e costumes distintos dos meus, tentando evitar o conflito.

Creio que a minha foi a geração sanduíche. Viveu o rigor implacável dos pais para, mais tarde, já como pai, sofrer com a liberação abrupta de regras pré-estabelecidas.

Se mergulharmos na vida da espécie animal nos damos conta que, via de regra, suas sociedades são mais libertas que a nossa, mais autênticas, mais despojadas, menos exigente, sem certo nem errado explícitos. Nós, humanos, criamos leis e regras de conduta que precisam ser avaliadas, julgadas, obedecidas e merecedoras de punição, se infringidas. Somos, em realidade, prisioneiros de conceitos impostos, conceitos cerceadores da liberdade que só os animais têm. Nem por isso somos mais felizes.

Na próxima, quero ser um pássaro suficientemente perspicaz para escapar da gaiola de algum ser inteligente, e poder – de livre vontade e com independência – agir apenas por instinto sem por isso ser condenado.

1/2 Ambiente?

Domingo passado, 5 de junho, celebrou-se o Dia Mundial da Ecologia e do Meio Ambiente. Não me incluo entre aqueles que apenas esbravejam contra o lamentável estado em que se encontra o meio ambiente em que vivemos.

A ganância de empresários na busca do lucro a qualquer custo e de governos coniventes com a insalubridade de suas sociedades, encontram ainda na maior parte da população uma aliada para incrementar os avanços deletérios da qualidade do ar que respiramos, da água que bebemos, do solo em que plantamos.

Calamidades ocorrem todos os dias como parte integrante de um fenômeno de reajuste só permitido a partir de um desajuste maior. É necessária uma causa para produzir um efeito e, como nos ensina a física, com a terceira lei de Newton, “a toda ação corresponde uma reação de igual intensidade que age na mesma direção e em sentido contrário”.

As barbaridades que vêm sendo cometidas há décadas pelo ser humano na agressão à natureza teriam que, em algum momento, provocar reações; e assim dar início à reversão do processo suicida engendrado por políticas econômicas que levam de roldão inocentes impotentes.

É inegável que esse processo já começou com a maior conscientização das pessoas em todo o planeta. Manifestações diárias em prol da saúde coletiva ocorrem mundo afora dando uma demonstração de que o jogo começa a virar. É uma questão de tempo, ainda longo infelizmente, mas inexorável. E não serão os governos irresponsáveis, eleitos pelo comprometimento com aqueles que financiam suas campanhas – arrastando eleitores ingênuos convencidos por poderosas máquinas de propaganda – que acolherão sorridentes as mudanças em andamento.

A responsabilidade e a batuta para condução dessa tarefa cabem a professores e educadores sensibilizados – sem compromisso com o possível engessamento da burocracia escolar – dentro e fora das salas de aula formais. Cabe ainda aos pais, a você e a mim, em seu contato diário com os filhos e amigos, às refeições, passeios, momentos de lazer viajando ou assistindo televisão, coletando o lixo, dar o exemplo com mínimas atitudes que marquem; exemplos mais que palavras deixam registros indeléveis.

Posso ser tachado de crédulo, mas se times de futebol arregimentam milhões, isto mesmo, milhões de torcedores a participar de uma “causa”, por que pais, educadores e professores não podem fazer o mesmo?

“Um pássaro nunca faz seu ninho em uma árvore seca.”

 

Navegando pelas letras

Todas as semanas registro aqui minha percepção de acontecimentos que considero importantes. Certamente nem todos compartilham de minha visão, o que considero extremamente saudável. Unanimidade absoluta é indicativa de ignorância dos fatos ou apatia pela informação.

Encontro-me entre aqueles que acreditam que o debate de idéias leva ao crescimento e ao entendimento entre as pessoas. Por isso, estimulo meus leitores a colocar suas apreciações sobre o que lêem; no site ou via e-mail. Apreciações que sempre enriquecem o pensamento e, não raro, descobrem ângulos muitas vezes despercebidos. São o produto da sinergia que leva a uma compreensão maior do aprendizado, de sensações distintas sobre um mesmo tema.

O poder das palavras é mais afiado que cutelo de açougueiro. A evolução da tecnologia das comunicações, que tantos benefícios trouxe para a socialização do conhecimento, tem desestimulado as conversas olho no olho, com seus chats, e-mails, torpedos, criando uma nova geração de pessoas que transmitem e recebem informações fazendo mais uso da palavra escrita que aquela pronunciada.

Paradoxalmente, significativa parte de adultos e nem tanto, não demonstra possuir o domínio da linguagem pelo alfabetismo, fato constatado com facilidade. Lamente-se, ainda, que o nível de escolaridade, de instrução, não guarda qualquer correlação com a prática da boa comunicação escrita. Colaborando com o desconhecimento, programas de computadores, com seus corretores ortográficos, eximem as pessoas de aprender o vernáculo com propriedade. Dá-se o peixe, não se ensina a pescar!

Desentendimentos são freqüentes pela ausência de clareza nas colocações verbais, conseqüência da carência de leitura de qualidade. E como ensina o provérbio chinês: “assim como a flecha lançada, a palavra dita não pode ser recolhida”. Na escrita, passa-se atestado de confirmação, igualmente sem volta.

E assim, retornamos ao assunto que procura levar até você aquela visão mencionada no início. Isenção, acima de tudo, deve ser o lema daquele que escreve. Um compromisso tácito com o comportamento comedido analisando fatos, mas sob uma ótica pessoal.

Acredito que as palavras podem e devem ser usadas de modo consciente visando à construção, apesar de que seu uso ferino, de forma agressiva, abra eventualmente caminho para a desarmonia.

Fiquei encantado com uma das definições de “palavra” em nossa língua latina: “seqüência de letras, com um sentido, entre dois espaços em branco”. Simples, genial.

Seja bem-vindo!

Alerta no mar, na terra, no ar

Continuo acompanhando, com apreensão, os acontecimentos decorrentes do terremoto e tsunamis que abalaram o Japão recentemente. As autoridades e técnicos em Fukushima parecem não conseguir estancar o vazamento da radioatividade, apesar dos inúmeros recursos utilizados e dedicação de verdadeiros mártires na frente de trabalho.

A perda de vidas agora, felizmente, em nada se compara àquela de 230 mil mortes causadas pelo tsunami que assolou a Indonésia em 2004. Mas a tragédia no Japão coloca o resto do planeta de prontidão pela ameaça à saúde de populações distantes, ameaça esta de proporções ainda desconhecidas, fruto da radioatividade que impregna o mar, a terra e o ar.

Com tantas informações desencontradas, selecionadas pelos governos ou até mesmo censuradas – sabe-se lá -, fica a população civil exposta a conseqüências que poderão se manifestar apenas anos à frente.

O monitoramento dos níveis de radioatividade por radares em diversos países revela poucas informações para o público. Aqui no Brasil, a ANVISA passou a monitorar, desde o dia 4, os alimentos procedentes do Japão para evitar a entrada de produtos eventualmente contaminados. Ao que parece, só.

Dada nossa ignorância, no sentido lato da palavra, não nos chega qualquer relato que possa, por exemplo, indicar a possibilidade de a radiação proveniente de Fukushima vir a atingir o continente sul-americano em algum momento. Mas sabemos que na costa oeste dos Estados Unidos, zona mais próxima do Japão, já foram detectados níveis baixos de radiação.

A importância deste assunto não pode ser minimizada nem ignorada. A população tem o direito de ser informada, em linguagem acessível, para aprender e compreender que nossa aldeia global está mais global que nunca. Não me parece que deva ser assunto para ficar restrito, apenas, ao âmbito de técnicos e especialistas. É sempre bom lembrar que nós, também, possuímos duas usinas nucleares. E mais uma terceira, que deverá estar operando já em 2015!

A conscientização da população sobre o que é energia nuclear, problemas, prevenção, perigos e proteção deveria estar presente na discussão; desde salas de aula em todos os níveis até fóruns de debates, com cobertura da imprensa, focando no esclarecimento.

O mundo está mais alerta depois de Fukushima. E por aqui, não devemos esperar pelas conseqüências ainda nebulosas do desastre para, só então, aprendermos a lição já disponível.

Até porque, temos cá as nossas Angras!

Somos Todos Vizinhos

“Ajuda-me para que eu possa ajudar-te e, assim, possamos juntos subir a montanha.”

Relacionamento entre vizinhos pode vir a ser algo complicado. A base para uma convivência saudável e pacífica tem, e terá sempre a meu ver, íntima relação com a educação e respeito das partes.

Nas grandes cidades, dada a aglomeração de moradias e número descontrolado de pessoas vivendo e convivendo em espaços cada vez mais reduzidos, os atritos são freqüentes não raro terminando em agressões e ocorrências de B.O´s. As pequenas (cidades) não estão isentas do fenômeno, mas estes obviamente ocorrem em menor escala. Moradores de apartamentos e casas, vizinhos de clubes, casas de shows, bares, ora  são vítimas, ora vilões.

Pelo noticiário tomamos conhecimento das razões que levam as pessoas a se desentenderem por motivos até fúteis. Quero crer que o campeão de audiência é o “som” alto, a volumes danosos aos ouvidos humanos, perturbando o sossego dos que merecem ter seu descanso ou momentos preservados.

O que mais me impressiona nestas situações é que os perturbadores muitas vezes se negam a reconhecer o direito à tranqüilidade alheia partindo para agressões que começam verbais e não raro terminam em lesões corporais, quando não em óbitos.

É próprio da natureza humana querer ter razão em qualquer discussão. Quando a argumentação começa a escapar pelos dedos e a teimosia a subir pelas têmporas, o clima esquenta. Sem querer ser pessimista, não vejo outra solução para essa verdadeira calamidade comportamental que não seja a da revisão de atitudes por parte de todos.

O desrespeito ao próximo, ao seu semelhante – seja dentro de sua pequena comunidade na base do “os incomodados que se mudem” ou, como pesarosamente estamos assistindo, o genocídio líbio -, revela que nossa espécie pode ter evoluído em termos tecnológicos, mas mantém inalteradas suas preferências pela autoridade quando não pelo autoritarismo.

Com a internetização das sociedades permitindo a socialização da informação, colaborando para a destituição de governos despóticos, ampliando os horizontes do conhecimento, não podemos mais nos furtar de buscar a convivência pacífica entre as pessoas.

A frase, apesar de antiga, permanece atual: “os meus direitos terminam onde começam os seus”. A invasão do espaço alheio, a qualquer título, fere o direito inalienável a que todos temos direito como seres dotados de inteligência e, quiçá, bom senso.

Portanto, é preciso acreditar, pois a opção é nefasta!

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