PONDERANDO

* * * Reflexão em 120 segundos * * *

Tag: Esporte

Blitzkrieg* no Mineirão e mais um pouco

Os que gostam de futebol e estão a acompanhar os jogos da Copa do Mundo FIFA tiveram a oportunidade de assistir a fatos históricos ocorridos no mundo da bola durante a última semana. A *guerra-relâmpago em Belo Horizonte, conduzida pela seleção da Alemanha sapecando 7 gols na ex-canarinho no mata-mata das semifinais foi o destaque. Vou poupar-lhe de detalhes já que a imprensa e mídia internacionais estão explorando o assunto. Mas esta foi a maior derrota sofrida pela Seleção Brasileira em 100 anos de futebol!

E ainda levar brasileiros por aqui e torcedores mundo afora a assistirem o jogador alemão Miroslav Klose desbancar o ex-fenômeno Ronaldo, em casa e com casa cheia, como o maior goleador de Copas de todos os tempos. Dose.  Por outro lado, acompanhar um jogo entre Davi e Golias – leia-se Seleção da Costa Rica vs. Seleção da Holanda – com a primeira sendo desclassificada apenas nos pênaltis, após permanecer invicta durante todas as etapas, foi emocionante. Os costarriquenhos bem que mereceriam uma taça simbólica pelo que produziram e ofereceram à população de seu país. País centro-americano sem grande expressão futebolística mostrou-se uma grata revelação que vem a comprovar que a globalização atingiu, também, o mundo do futebol, via intercâmbio de técnicos e jogadores mundo afora.

Digno de nota foi a marca deixada pelo técnico da Holanda, o competente e brilhante estrategista Louis Van Gaal. Faltando apenas um minuto para o término do segundo tempo da prorrogação no jogo contra a Costa Rica, fez a terceira e última substituição possível em sua seleção trocando o goleiro titular em todos os jogos pelo… terceiro goleiro, Tim Krul. Alto, braços compridos, mãos grandes, era a aposta de Gaal para barrar as aspirações da aguerrida seleção da Costa Rica. E não deu outra: Krull, além de ter pegado dois pênaltis, pulou para o lado certo em todas as cobranças. Um Técnico que não esbraveja, conhece futebol, qualidades técnicas e limitações de seus jogadores é para nos causar inveja.

Para encerrar, note-se que toda e qualquer divulgação da Copa não faz qualquer referência à palavra “futebol”. É Copa do Mundo FIFA e ponto final. É FIFA em tudo que é lugar e possivelmente, até, na pasta de dentes de Herr Blatter, seu presidente. O nome – que já deve ser uma marca e não mais apenas uma sigla – está sendo visto centenas de vezes via TV, há duas semanas, mas não sem respingos em sua reputação pelo escândalo da venda ilegal de ingressos para os jogos.

No domingo, segundo divulgado pela imprensa, a presidente Dilma estará no Maracanã para entregar a taça à campeã do Mundo FIFA. A conferir…

A alegria (efêmera!…) do futebol

Enquanto meio mundo se debruça sobre conflitos de toda ordem – bárbaros e contundentes muitos – a outra metade se envolve emocionadamente com os jogos da Copa do Mundo sendo realizados por aqui. O país recebeu milhares de visitantes-torcedores os quais, até onde se sabe via imprensa, têm se comportado civilizadamente com raras exceções. Claro está que os milhões de problemas e dificuldades enfrentadas pelos organizadores e investidores fora dos gramados não estão expostos à vista do público, que jamais virá a conhecer sequer metade deles. Há muito dinheiro correndo: bilhões – não de reais, mas de dólares – investidos nos negócios do futebol que aguardam por retorno compatível e devem ter suas marcas protegidas pelas “intempéries” invisíveis. Afinal, segundo estimativas oficiais dos mercadores da bola, cerca de três bilhões de espectadores mundo afora estarão “ligados” assistindo aos jogos e, natural e involuntariamente, sendo bombardeados por toda sorte de propaganda que corre atrás de seu rico dinheirinho na hora de consumir.

A cada 90 minutos, fato que se repete três vezes ao dia, por enquanto, as atenções de boa parte daqueles três bilhões de torcedores tem seus olhos fixos nas telas e telões dentro e fora de casa, aguardando para explodir a palavrinha mágica “gol”. Mas como na vida tudo é equilibrado – ainda que assim não pareça à primeira vista – ao final de cada jogo coexistem alegres e tristes, eufóricos e frustrados. Como unanimidade não existe, a não ser “burramente”, como se manifestava o saudoso e fanático torcedor do clube tricolor do Rio de Janeiro, jornalista e escritor Nelson Rodrigues, vitórias e derrotas são irmãs visitadas por aqueles apaixonados pelo mundo da bola.

São momentos de desprendimento e ansiedade em que boa parte das populações enterra no baú das despreocupações o salário que não chega até o fim do mês, a caquética situação econômica do país, a insegurança diária dentro e fora de casa (aqui por nossas plagas), o enfrentamento das estúpidas e imorais ações fratricidas ocorrendo em parte do Oriente e da Ásia por populações que tudo perderam tendo como pano de fundo guerras que se dizem religiosas.

Uma verdadeira comédia que a muitos ajuda a suportar a vida, com alegrias efêmeras de momentos como estes, da bola rolando.

Bola prá frente.

Lionel Messi

Gosto de assistir a jogos de futebol, eventualmente, já que o esporte se transformou em um comércio sofisticado, movimentando milhões de euros e reais para jogadores, empresários, clubes, técnicos e apaniguados.

Por aqui, clubes com dívidas até para o INSS, pagam a boleiros e técnicos importâncias mensais que superam os R$ 500.000,00. Na Europa, que passa por crise econômica sem precedentes, clubes são comprados por sheiks e bilionários russos.

Assim, o futebol de outros tempos faz parte da memória: praticado por jogadores que tinham amor à camisa, ao clube, sem as mordomias de hoje, sem empresários para dirigir suas carreiras, agentes de imprensa e que tais. O futebol-negócio passou a fazer parte do “show business” internacional.

Negócio envolvendo a comercialização de marcas e produtos de toda ordem, os jogos, a exemplo de telenovelas, arregimentam milhões de pessoas mirando em seus consumidores em potencial.

Como fã da empresa Barcelona e de seu protagonista maior, Lionel, rendo-me à magia de um clube que é muito maior que sua fantástica equipe de futebol. Não vou me estender aqui sobre o que o Barça é ou representa. Sua filosofia de trabalho, objetivos, história enfim, podem ser conhecidos no seu site na internet (http://www.fcbarcelona.com/). Vale a pena acessá-lo.

Quero dedicar algumas linhas a uma extraordinária pessoa, homem que desde cedo se tornou jogador de futebol ajudado e orientado em sua vida, desde os 13 anos de idade, por uma instituição aplaudida, reconhecida mundialmente; não apenas pelo futebol praticado por sua equipe profissional, mas por sua filosofia  empresarial e trabalho realizado com seriedade e profissionalismo.

Lionel, formado como homem e jogador pelo clube que o abrigou e deu rumo à sua vida – inicialmente periclitante em termos de saúde – é um exemplo a ser seguido por profissionais em suas carreiras. Seu comportamento em campo e fora dele é mais que exemplar destacando-se tanto quanto seu genial futebol.

Modesto, humilde, na forma de se apresentar com a bola nos pés  levando pancada sem exibicionismos ou na vida do dia-a-dia, Messi se mostra mais como Lionel, o melhor jogador do planeta por 3 anos consecutivos, com apenas 24 anos.

Lamenta-se que o exemplo não seja seguido por deslumbradas estrelas, enricadas da noite para o dia, que se deixam levar pelo canto da sereia.

Lionel Messi, homem baixo, mas de estatura e caráter, multimilionário, modelo para jovens de qualquer idade ou profissão: aceite minhas homenagens e agradecimentos por nos brindar com seu futebol-arte e postura exemplar de vida.

Nem mar encapelado pode ofuscar sua genialidade e comedimento. Parabéns, Lio!

Em ritmo de guarânia e a peso de euros

A derrocada do futebol verde e amarelo na Argentina alegrou nossos “hermanos” que deram o troco às nossas gozações menos de uma semana depois de sua desclassificação na Copa América. No caso, diante da seleção uruguaia que comemorou, na véspera, 61 anos da conquista conhecida como Maracanazo, quando venceu a do Brasil no Maracanã lotado, na final da Copa do Mundo de 1950.

A atual seleção brasileira, que já foi chamada de “canarinho” um dia, carregou um verdadeiro peso. Peso nas pernas de jogadores cansados por carregar em seus bolsos milhões de euros, fruto do trato da bola com certa maestria. Incompetentes, contudo, para – após 120 minutos de jogo – sequer marcar um golzinho contra uma seleção paraguaia sem astros, mas com muita gana e aplicação. Sobrou soberba!

O que se assistiu pela TV após o vexame, gravado em tape para a posteridade, com a perda da cobrança de quatro pênaltis consecutivos por badaladíssimos boleiros-milionários, foi uma reação sem emoções. Afinal, à exceção de apenas cinco dos 23 convocados, todos vivem na Europa em mansões, recebendo polpudos cheques em euros a cada trinta dias. Como resultado, deixaram de ganhar a classificação e alguns milhares de euros do “bicho” por uma vitória. Não vai lhes fazer falta.

Voltaram para casa confortavelmente viajando em aviões fretados, dispensados do enfrentamento das dificuldades em aeroportos atulhados de meros mortais e deixando para trás milhões de torcedores frustrados neste país de samba e futebol.

O negócio futebol extrapolou as raias da esportividade pura e simples, transformando um esporte antes praticado por devotados profissionais em espetaculares transações comerciais de vulto insonhável onde as preciosas mercadorias são alegres e riquíssimas marionetes manipuladas pelas mãos de agentes, clubes e bancos. Endeusados pelas mídias interessadas no faturamento publicitário, estes homens de origem humilde, em sua maioria, ao despontarem como promissores investimentos de retorno incalculável são negociados a peso de ouro, por cifras nunca inferiores a milhões de euros, como se peças de arte rara fossem.

A sofisticação desse negócio chegou ao ponto de jogadores de renome contarem com agentes que programam suas carreiras, assessores de imprensa, patrocinadores exclusivos, salários invejados por presidentes de multinacionais, direitos de imagem, gratificação extra por partidas e torneios ganhos, e sabe-se lá o quanto mais. Uma fábula!

Apesar de tudo isto, ficaram devendo – e muito – a milhões de torcedores. Vencimento da fatura: 2014.

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