PONDERANDO

* * * Reflexão em 120 segundos * * *

Tag: Internacional (Página 2 de 5)

Café Suspenso

 

Que atitude! Tomara possamos um dia seguir este exemplo… alguém tem de começar. Por que não nós? 

SERÁ QUE AINDA VEREMOS NOSSO PAÍS  COM ESSE PATAMAR DE  HONESTIDADE?

 

 

Entramos num pequeno café na Bélgica com um amigo meu e fizemos o nosso pedido. Enquanto estamos a aproximar-nos da nossa mesa duas pessoas chegam e vão para o balcão:

– “Cinco cafés, por favor. Dois deles para nós e três suspensos.”

Eles pagaram a sua conta, pegaram em dois e saíram.

Perguntei ao meu amigo:

– “O que são esses cafés suspensos?”

O meu amigo respondeu-me:

– “Espera e vais ver.”

Algumas pessoas mais entraram. Duas meninas pediram um café cada, pagaram e foram embora. A ordem seguinte foi para sete cafés e foi feita por três advogados – três para eles e quatro “suspensos”. Enquanto eu ainda me pergunto qual é o significado dos “suspensos” eles saem. De repente, um homem vestido com roupas gastas que parece um mendigo chega na porta e pede cordialmente:

– “Você tem um café suspenso?”

Resumindo, as pessoas pagam com antecedência um café que servirá para quem não pode pagar uma bebida quente. Esta tradição começou em Nápoles, mas espalhou-se por todo o mundo e em alguns lugares é possível encomendar não só cafés “suspensos” mas também um sanduíche ou refeição inteira.

“Partilhe no sentido de divulgar esta ideia”

(Reproduzido de e-mail enviado por amigos na Europa)

 

 

Newton e Gandhi

O emprego abusivo da força impera nos quatro cantos do planeta. Na Síria chamam de guerra civil o fratricídio que já contabiliza mais de 100 mil mortos. No Afeganistão civis inocentes morrem diariamente no conflito armado e por erros crassos cometidos, como o da OTAN semana passada, matando doze civis afegãos durante ofensiva contra os Talibãs. O Egito, que até o final da Era Mubarak vinha sendo mantido dentro da ordem pela mão ditatorial de décadas, mergulhou em tumultos diários após a fracassada tentativa de democratização do país. O Oriente Médio mergulha em um barril de pólvora com estopim pronto para ser aceso por árabes ou israelenses.

O país que se considera arauto da democracia – com bases militares em quase o mundo todo – instalou em 2002 uma prisão na Baía de Guantánamo, Cuba, por onde já passaram mais de 700 prisioneiros sem acusação formada, sem processo constituído e, obviamente, sem direito a julgamento. Relatos confirmados de tortura e ausência de quaisquer direitos nos colocam diante uma aberração que em nada difere das atrocidades cometidas pelos bárbaros do norte da Europa em tempos idos.

O vandalismo incrustado nas manifestações pacíficas do Rio de Janeiro e São Paulo através dos conhecidos “Black Blocs”, mentores de protestos anarquistas, está levando a sociedade a se posicionar frente à violência crescente que a todos atinge, por razões perfeitamente identificadas.

Teria a desesperança tomado conta das populações que assistem ao crescimento de crimes hediondos, rotineiros, do consumo de drogas de todos os tipos, do descaso e desconfiança nas instituições? Estaria a dedicação de não poucos voltada a amenizar o sofrimento de milhões de pessoas comprometida pela magnitude da insensibilidade de alguns que simplesmente olham para o outro lado diante das tragédias assistidas ao vivo e a cores?

Segundo a terceira Lei de Newton (Princípio da Ação e Reação) “a cada ação corresponde uma reação igual e em sentido contrário”.

Populações ainda subjugadas pela opressão, muitas, pela corrupção desenfreada, outras, pela obsessão de governos em se perpetuarem no poder, quase todas, enfrentam o desafio da mudança. Estamos a assistir a reação de sociedades inteiras indo à luta, defendendo seus mais elementares direitos, tentando estabelecer uma nova ordem de convivência. E por fim, parafraseando Mahatma Gandhi : “Você nunca sabe que resultados advirão da sua ação. Mas se você não fizer nada, não existirão resultados”.

Há que se confiar nos resultados!

Oportunismo amoral

A hipocrisia dita regras não estabelecidas, corrompendo as assinadas com pompa e circunstância. A Organização das Nações Unidas é um lamentável exemplo. Fundada em 1945 após o término da segunda guerra mundial teve como objetivo, entre outros, deter a guerra entre países e fornecer uma plataforma para o diálogo.  Na prática, não atende aos propósitos de quase setenta anos atrás, faz tempo. Verdadeira rainha da Inglaterra.

Recorde-se que a invasão do Iraque (2003) deu-se por obra e graça de Mr. George W. Bush, então presidente dos Estados Unidos. Invasão não autorizada pela ONU acabou dando no que deu: mais de 190 mil mortos a um custo de 2.2 trilhões de dólares. E o resultado?

Agora, o presidente dos Estados Unidos, Barack Hussein Obama, está prestes a agir militarmente na Síria por conta de ataque químico autorizado pelo governo sírio contra rebeldes insurgentes. Pelo noticiário, a ação deverá ocorrer com ou sem autorização do Congresso Americano e do Conselho de Segurança da ONU. Na marra! Até porque Rússia e China, aliados da Síria, vetariam qualquer moção.

Razões humanitárias são alegadas para por fim ao embate, bárbaro é verdade, mas cujos motivos dificilmente são compreendidos pelos ocidentais. A cultura ocidental é incapaz de compreender, de entender, as razões para os conflitos que, não raro, estão presentes na região há séculos. As disputas internas apenas a eles pertencem e apenas a eles caberia resolver. Os exemplos recentes do Iraque, Líbia, Tunísia, Afeganistão, que sofreram intervenção ocidental, demonstram que apenas mudaram os homens no poder. Os conflitos permanecem, pois suas raízes são milenares e existem desde muito antes de os ocidentais se conhecerem por gente.

Não existem santos em guerras. Guerras não surgem do nada. O estopim é sempre a busca do poder, seja ele econômico, politico, até mesmo religioso. Os meios utilizados na perseguição à vitória, muitos inconfessáveis, são cometidos tanto por vencidos como vencedores, Os pecados capitais dos vencedores se tornam veniais. Os dos vencidos, microscopicamente analisados e severamente condenados. Guerras são sujas, e suas regras – desobedecidas – são julgadas apenas pelos que as ganham.

A retórica belicista respaldada no marketing e propaganda enganosa transforma as pessoas, sua forma de pensar e agir. E ao final, depois de tanto sofrimento e dor, com a paz em andamento, a guerra fica para trás.  Mas não apagada da memória dos que sobrevivem. É a repetição da história.

Rei Posto, Salve a Rainha!

E a Holanda esteve em festa pela abdicação da rainha Beatrix ao trono dos Países Baixos, na terça feira desta semana, dando lugar ao seu filho, o príncipe – agora rei – Willem Alexander.

A monarquia veio sendo substituída por repúblicas desde o final do século XIX, princípio do século XX, por várias razões que não cabem ser abordadas aqui. Poucas são as sobreviventes, principalmente na Europa: Noruega, Suécia, Dinamarca, Holanda, Reino Unido, Bélgica, Mônaco, Espanha, Luxemburgo.

Encontra resistência de muitos setores, mas não são poucos os adeptos fervorosos dessa forma de governo. No caso da Holanda, por exemplo, 78% dos holandeses apoiam o regime. Mundo afora se questiona o padrão de vida dos monarcas, os tributos pagos pelos súditos para atender às despesas oficiais – arcadas por fundos públicos -, a pompa e circunstância eventuais. Na verdade, não existe regime que seja integralmente aprovado pela população que sob ele vive, ou sobrevive como em certos países do oriente médio. A monarquia tem seu charme, haja vista o casamento no ano passado do Príncipe William com a plebeia Kate Middleton quando a cunhada, a gata (com todo o respeito) Pippa Middleton arrasou…

Holambra, originalmente núcleo agrícola fundado por imigrantes holandeses a partir de 1948 – depois do sofrimento de ver seu país invadido durante a segunda guerra mundial – foi emancipada apenas em 1992. E para os que desconhecem a origem do nome HOLAMBRA: HOLanda, AMérica, BRAsil. Criativo (o nome), foi mais um tributo à terra que os recebera de braços abertos e assim batizada de forma singela, mas marcante.

O Dia da Rainha (holandes: Koninginnedag) – 30 de abril – é um feriado nacional nos Países Baixos, nas Antilhas Holandesas e Aruba, sempre celebrado em grande estilo. Na Holambra, como não poderia deixar de ser, a data festiva foi comemorada no domingo passado, dia 27, com entusiasmo e grande apoio popular. A prefeitura, mencione-se em destaque, está de parabéns pela organização do evento realizado com absoluto sucesso. A rainha Beatrix certamente agradeceria.

E para encerrar, o Rei Willem-Alexander tem como esposa a argentina Máxima Zorreguieta que, sem qualquer trocadilho, é bela, culta e inteligente. Para gáudio de “los hermanos”, que não contentes em ter um papa abocanham, agora, a posição de esposa do rei dos Países Baixos (tecnicamente impreciso chamado de Holanda): a Rainha Máxima.

Não é o máximo, “hermanos”?

Dinheirama

Enquanto as disputas por medalhas de ouro, prata e bronze acontecem nas Olimpíadas de Londres – onde o Brasil melancolicamente pouco consegue se sobressair – a roda do mundo continua girando.

Por aqui, foi dada a largada para o julgamento do Mensalão no Superior Tribunal Federal (STF) com dinheiro duvidoso sobrando por toda parte. Ainda não há como se antecipar qualquer resultado diante da atuação de advogados manhosos e calejados que se apresentam perante os ministros da casa, os quais demonstram, por vezes, indisfarçável tédio a julgar-se pelas imagens da televisão. Divulga-se, ainda, que os votos dos ministros já estariam escritos e que… portanto… apesar de poderem ser revisados a qualquer momento até o pronunciamento do veredicto, os juízos já estariam formados. Para o cidadão, relevante é a acusação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmando que entre outros delitos só do Banco do Brasil foram desviados R$ 73 milhões em recursos públicos para abastecer o esquema.

Nos Estados Unidos, líder de assassinatos em massa, como os dois últimos ocorridos com um intervalo de apenas duas semanas, quando 20 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas, a emenda constitucional que permite a venda legal de armas de qualquer calibre e sofisticação permanece incólume. Assunto intocável pela cultura dominante onde uma em cada três pessoas possui uma arma de fogo e as vendas em âmbito mundial vão além de US$ 21 bilhões. 

As guerras não convencionais mundo afora são abastecidas por armas vendidas no mercado negro para não comprometer aliados e inimigos do momento. Produzidas por países industrializados, Brasil incluso, ninguém sabe ao certo o montante de dinheiro envolvido; certamente bilhões de dólares circulando clandestinamente com a cooperação de bancos acima de qualquer suspeita. Governos e rebeldes da Síria, da Tunísia, Líbia e Egito recentemente, conflitos internos no leste da África, foram e são, todos, armados por potências pertencentes à Organização das Nações Unidas.   

Na contramão das peripécias terrestres o jipe-robô Curiosity, lançado pela NASA, aterrissou em Marte na segunda feira após uma complexa operação de pouso. A viagem que começou em novembro de 2011 levou o robô a percorrer 570 milhões de quilômetros. Foram investidos US$ 2,5 bilhões, o equivalente a R$ 5 bilhões. Uma ninharia, se comparado com o custo da corrupção no Brasil: R$ 82 bilhões por ano. A informação, fidedigna, foi publicada com detalhes pela revista Veja em outubro do ano passado. E como na há erro de digitação, espero que você esteja tão surpreso (e revoltado) como eu.

Dinheirama suficiente para aliviar o sofrimento de milhões de carentes do planeta.

Sem luz no fim do túnel

A situação mundial encontra-se complicada dadas as dificuldades financeiras na Europa e Estados Unidos com implicações que atingem países emergentes. A instabilidade no oriente médio após a deflagração da Primavera Árabe, com a Tunísia liderando o bloco e levando de roldão Líbia e Egito, por fim, literalmente, coloca fogo no caldeirão sírio onde está instalada uma guerra civil deixando o mundo em expectativa.

A imprensa noticia que paraísos fiscais abrigam a espantosa quantia de 32 trilhões de dólares em seus cofres, produto de lavagem de dinheiro, transferências feitas para evitar a incidência de impostos em seus países de origem e outras maracutaias. O montante representa cerca de 280 bilhões de dólares em sonegação de impostos. Tanto quanto o volume de dinheiro entesourado, surpreende a colocação de nosso país no “ranking” dos líderes da tabela: China, Rússia, Coréia e BRASIL. Somos representantes prioritários da América Latina!

Comenta-se, a todo instante, sobre as desigualdades existentes entre sociedades de boa parte do mundo, sobre a falta de alimentos para sobrevivência de legiões de pessoas na África, pressões de toda ordem sobre cidadãos cujos países se encontram à beira da falência, desordem social, política e econômica. Discutem-se ainda, nos organismos internacionais, fórmulas que permitam aos que mais podem preservar seus interesses em detrimento dos menos favorecidos.   

Torna-se inconcebível que com tanto dinheiro sobrando nas mãos de tão poucos – haja vista a situação dos recursos disponíveis nos paraísos fiscais – aqueles organismos ainda se disponham a discutir, interminavelmente, soluções exclusivamente econômicas para sanar as mazelas causadas por governos desinteressados – ou incompetentes – no bem-estar de suas populações.

Estamos a assistir ao início de uma longa história. Minha visão do quadro que vivenciamos não permite divorciar acontecimentos diversos ocorrendo em paralelo. Turbulências econômicas, sociais e climáticas são consequências e não causas. A atuação de governos compromissados com parceiros que levam dirigentes de países paupérrimos ou não a desfrutar de riqueza pessoal nos paraísos fiscais é uma afronta ao homem comum, ao cidadão de qualquer classe social, de qualquer etnia ou religião.

E por fim, o status quo das condições climáticas, crescentemente adversas, desrespeitando as estações sazonais em hemisferios distintos, leva a assinatura do homem que privilegia os interesses econômicos de corporações mancomunadas com governos sedentos de poder e riqueza fácil. A natureza começa a cobrar a conta pelos desmandos que, infelizmente, vem sendo paga pelos que podem menos.

Até quando, tudo isto?

Los Cabos ou Rio+20?

O fim do mundo está próximo. Segunda uma profecia Maia, a data é 21 de dezembro de 2012. Apesar de considerada por muitos uma especulação, a profecia tem rendido a outros tantos lucros com a venda de produtos de segurança e alimentos para estocagem além da comercialização de áreas imobiliárias entendidas como sendo livres de risco. Por aqui, não tenho notícia de tais ocorrências, mas mundo afora sim.

Enquanto os terráqueos vão vivendo o seu dia-a-dia e a data fatídica não chega, acontecimentos reais estão presentes nas manchetes dos jornais. Guerra fratricida e étnica na Síria – maquiada como conflito -, democracia obscura no Egito, indefinições nos sistemas financeiros de países europeus com a corda no pescoço levando suas populações para o cadafalso, atentados diários no Oriente médio causando a morte de milhares de inocentes, enchentes, terremotos e afins.

Alvoroço de um lado, expectativa de mudança de rumo de outro. Assistimos à realização simultânea de dois eventos que poderiam – ou até mesmo deveriam, a prevalecerem o bom senso e  a lucidez – alterar a vida dos sobreviventes deste planeta insano: a Rio+20, na Cidade Maravilhosa e a reunião do G20, em Los Cabos, no México.

Constrangedora a falta de interesse demonstrada pelo presidente Barack Obama – que dispensa apresentação – do primeiro-ministro da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, David Cameron e da chanceler alemã Angela Merkel. Ausentes do primeiro evento, mas presentes no segundo, a prioridade deles no momento é tentar resolver os problemas criados por seus governos desdenhando os 7 bilhões de habitantes desta esfera que já se disse ser azul. Suas prioridades são sair do buraco financeiro em que se meteram levando outros tantos de roldão. A qualquer preço.

Justiça seja feita, no entanto, à Alemanha, que vem carregando o piano em uma demonstração clara de ter vivenciado a lição que apenas uma derrota devastadora como a da Segunda Guerra Mundial pode ensinar.

Os conturbados momentos que atravessamos em muito se assemelham aos de uma hecatombe. Não mais localizada aqui e ali, mas  prenunciando que o pior pode estar por vir. Privilegiar-se Los Cabos, deixando o Rio como estepe na busca de soluções prioritárias para salvar o planeta é admitir-se a perda dos dedos, na tentativa de salvar-se os anéis.

A notícia alentadora é que organizações não governamentais e a sociedade civil, sem rabo preso com compromissos políticos e empresariais, dão sinais de sua evidente consciência e crescente presença. Vozes que vieram para ficar, eloqüentes, nestes dias em que informações e versões não são mais transmitidas a partir dos púlpitos.

Aleluia!

Virando a página

A crise econômica que assola boa parte da Europa e Estados Unidos desnuda a atuação de bancos – sempre eles – credores de cidadãos e governos; na hora da verdade, sacrificam o dia-a-dia de sociedades inteiras obrigando-as a pagar a conta da farra de quem, novamente, sempre pode mais.  E, curiosamente, sobram dólares, trilhões deles, derramados em países bem comportados economicamente, buscando auferir lucros indecentes para seus investidores.

Percebo movimentos em diversos segmentos que trabalham para mudar o perfil do nosso viver contemporâneo gerando expectativas de melhores e mais justas mudanças. Assim, nossa aldeia global – mais consciente de seus direitos e deveres, direito à liberdade de ir e vir e se expressar, deveres para com o próximo, próximo ou distante – me leva a acreditar em revisões abrangentes e profundas no seio de todas as sociedades do planeta.

O resultado das eleições presidenciais na França, por exemplo, pode vir a relativizar as medidas de austeridade fiscal sendo impostas a países em crise como a Grécia e Espanha, para citar apenas dois dos mais comprometidos. O presidente eleito pelos franceses, François Hollande, promete incentivar medidas de afrouxamento e não arrocho como caminho para recuperação das economias em crise. Seu discurso, no entanto, é visto com preocupação pelos demais membros da Comunidade do Euro. Mas o peso da França não é pequeno. Nem tanto por se tratar do maior país da União Européia em área, mas por se tratar de uma grande potência.

Cabe lembrar que, com forte influência econômica, cultural, militar e política a nível europeu e global, o país é um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas. O problema, velho de guerra, consiste em saber quem, mais uma vez, pagará a conta  –  haja vista a complexidade dos interesses em jogo. De qualquer forma, Hollande só sentará em sua cadeira no Palácio do Eliseu a partir de 15 deste mês e as regras aprovadas para resolver o “imbróglio” europeu valerão a partir do inicio do próximo ano. É aguardar para conferir.

Por aqui, agimos na contramão das estratégias européias. As recentes e profundas mudanças introduzidas pelo governo estão forçando a baixa dos escorchantes juros cobrados pelo sistema gerador dos lucros mais torpes do planeta. Por tabela, introduziu modificações na sistemática da caderneta de poupança, o que nos permite sonhar agora com um país mais justo a desestimular que capitais especulativos continuem a se locupletar minando a solidez de nossa economia.

É possível até, quem sabe, que venhamos a servir de exemplo para boa parte do mundo. Oxalá!

Encerrando um ciclo

Nossa aldeia global – mais consciente de seus direitos e deveres, direito à liberdade de ir e vir e se expressar, deveres para com o próximo, próximo ou distante – me leva a acreditar em revisões abrangentes e profundas no seio de todas as sociedades.

Percebo movimentos em diversos segmentos que trabalham para mudar o perfil do nosso viver contemporâneo gerando expectativas de melhores e mais justas mudanças. Não me parece, pois, que pertençam ao acaso as atuais turbulências econômicas, climáticas, sociais e políticas.

Um olhar atento aos acontecimentos que estamos presenciando parece deixar clara a mensagem de que as regras a que temos sido submetidos para viver em sociedade estão com os dias contados.

Senão, vejamos:

Uma nova ordem econômica cujo modelo atual, exaurido, catapultado pela crise européia e norte-americana, exigirá forçosamente profundas alterações. Alterações já iniciadas, ainda que tímidas, mas irreversíveis. O movimento “occupy Wall Street” é um exemplo que, apesar de cerceado, se espalhou por diversos países.

As condições climáticas, cada vez mais adversas em todas as latitudes, estão a exigir – para sobrevivência da espécie – mudanças no comportamento das nações. Privilegiar os interesses econômicos em detrimento da qualidade de vida e saúde dos povos não encontrará mais abrigo em decisões de superpotências em declínio. A tragédia nuclear de Fukushima, Japão, no ano passado – ainda sem conseqüências claras – é um alerta para o mundo.

Países emergentes como os BRICS, passarão a ter voz e certamente veto em decisões de natureza global. É apenas uma questão de tempo a reformulação de organismos como a obsoleta e imperial ONU e suas agencias. Não é mais possível admitir-se, neste século 21, que 195 países a ela filiados tenham seus destinos definidos por apenas cinco cujos interesses não querem ver arranhados.

A geopolítica das regiões vem se alterando dramaticamente, em especial no Oriente Médio e sudoeste da Ásia, afetando o equilíbrio e seu relacionamento com o Ocidente. Conquistas em todos os sentidos estão a desenhar um novo panorama, ainda incerto é verdade, mas sem qualquer perspectiva de reversão.

A tecnologia da informação, permitindo a interação entre culturas diversas, tornou-se arma poderosa para conscientização e disseminação das liberdades individuais em sociedades antes fechadas. A informação, antes controlada em várias partes do mundo, está agora ao alcance de todos desnudando inverdades demagógicas.

Assim, acredito que estejamos, realmente, vivenciando o limiar de uma nova e profícua Era.

O que faz andar o barco não é a vela enfunada, mas o vento que não se vê (Platão)

Lionel Messi

Gosto de assistir a jogos de futebol, eventualmente, já que o esporte se transformou em um comércio sofisticado, movimentando milhões de euros e reais para jogadores, empresários, clubes, técnicos e apaniguados.

Por aqui, clubes com dívidas até para o INSS, pagam a boleiros e técnicos importâncias mensais que superam os R$ 500.000,00. Na Europa, que passa por crise econômica sem precedentes, clubes são comprados por sheiks e bilionários russos.

Assim, o futebol de outros tempos faz parte da memória: praticado por jogadores que tinham amor à camisa, ao clube, sem as mordomias de hoje, sem empresários para dirigir suas carreiras, agentes de imprensa e que tais. O futebol-negócio passou a fazer parte do “show business” internacional.

Negócio envolvendo a comercialização de marcas e produtos de toda ordem, os jogos, a exemplo de telenovelas, arregimentam milhões de pessoas mirando em seus consumidores em potencial.

Como fã da empresa Barcelona e de seu protagonista maior, Lionel, rendo-me à magia de um clube que é muito maior que sua fantástica equipe de futebol. Não vou me estender aqui sobre o que o Barça é ou representa. Sua filosofia de trabalho, objetivos, história enfim, podem ser conhecidos no seu site na internet (http://www.fcbarcelona.com/). Vale a pena acessá-lo.

Quero dedicar algumas linhas a uma extraordinária pessoa, homem que desde cedo se tornou jogador de futebol ajudado e orientado em sua vida, desde os 13 anos de idade, por uma instituição aplaudida, reconhecida mundialmente; não apenas pelo futebol praticado por sua equipe profissional, mas por sua filosofia  empresarial e trabalho realizado com seriedade e profissionalismo.

Lionel, formado como homem e jogador pelo clube que o abrigou e deu rumo à sua vida – inicialmente periclitante em termos de saúde – é um exemplo a ser seguido por profissionais em suas carreiras. Seu comportamento em campo e fora dele é mais que exemplar destacando-se tanto quanto seu genial futebol.

Modesto, humilde, na forma de se apresentar com a bola nos pés  levando pancada sem exibicionismos ou na vida do dia-a-dia, Messi se mostra mais como Lionel, o melhor jogador do planeta por 3 anos consecutivos, com apenas 24 anos.

Lamenta-se que o exemplo não seja seguido por deslumbradas estrelas, enricadas da noite para o dia, que se deixam levar pelo canto da sereia.

Lionel Messi, homem baixo, mas de estatura e caráter, multimilionário, modelo para jovens de qualquer idade ou profissão: aceite minhas homenagens e agradecimentos por nos brindar com seu futebol-arte e postura exemplar de vida.

Nem mar encapelado pode ofuscar sua genialidade e comedimento. Parabéns, Lio!

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