PONDERANDO

* * * Reflexão em 120 segundos * * *

Tag: Saúde (Página 2 de 3)

Sob o sol da Somália

O noticiário da semana foi dominado por documentários, entrevistas, reportagens contínuas, sobre o 11 de Setembro, data do décimo aniversário dos atentados terroristas nos Estados Unidos em 2001.

Se não me falha a memória, nossa imprensa, apenas de maneira um tanto concisa, deu alguma relevância sobre a situação de seca e fome em um país do leste da África, a República da Somália. Se suas aulas de geografia foram de qualidade, você ter aprendido que sua localização está no conhecido “Corno da África”. Se não foram, nada custa abrir o mapa e aprender um pouco mais.

O país, com cerca de 13 milhões de habitantes, possui IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) equivalente a 0,284, que o coloca como o 161º na tabela mundial. Números que também impressionam são a expectativa de vida, de apenas de 48.2 anos, e a mortalidade infantil de 116.3/mil nascimentos.

O assunto passou um tanto batido por aqui em meio às notícias consideradas mais importantes como futebol e suas musas, temas de novelas sempre em primeira mão, sofisticação da alta moda, divulgação dos melhores restaurantes e seus cardápios, além de outras tantas relevantes para o faturamento da publicidade e propaganda. Fome, seca, miséria quase absoluta, não dão Ibope e pouco vendem para os mais chegados ao lado glamouroso da vida.

A Organização das Nações Unidas decretou crise de fome em mais uma região do sul do país, assolada por uma seca catastrófica, e alertou que a situação ameaça expandir-se a mais regiões.

“Quatro milhões de pessoas estão em crise na Somália e 750 mil correm o risco de morrer nos próximos quatro meses se não houver uma resposta adequada. Dezenas de milhares de pessoas já morreram e mais da metade eram crianças”, relata o Jornal de Angola. A ONU estima que 12,4 milhões de pessoas residentes no Corno de África sofrem com a calamidade e precisam de ajuda humanitária. A Somália é o país mais afetado da região.

Segundo um relatório do Centro de Análise para Segurança Alimentar das Nações Unidas, os países do Corno de África dependem da comunidade internacional. E, segundo informam grupos humanitários 1,4 bilhão de dólares seriam necessários em caráter emergencial para minimizar a tragédia. Dificuldades e burocracia sem fim.

Enquanto isso… os EUA, que já gastaram na última década mais de US$ 1,1 trilhão com as invasões do Iraque e Afeganistão continuam explodindo até mesmo orçamentos. Silenciam sobre genocídios de países que não possuem petróleo e gás, mas sustentam os que têm.

Difícil silenciar!

Tanto por tão pouco

Tenho estado a pensar nos animais com os quais tenho compartilhado minha caminhada ao longo da vida. Convivência restrita a cães e pássaros.

Mais prazeroso que ouvir bate-estacas em sonoras caixas promotoras de surdos-precoces é apreciar pela janela aqueles que gorjeiam, os que trabalham buscando o néctar das flores, os que se estabelecem na fiação das ruas.

Tenho o privilégio de viver onde, ao entardecer, garças retornam para seu santuário à beira de um lago, em sinfonia silenciosa, como bom filho que a casa torna. Imagem que a correria do dia-a-dia esconde de tantos, mas que, também e sempre, no dia seguinte, lá insistem em oferecer sem qualquer custo a oportunidade de um happy hour para introspecção e revisão do dia.

À exceção do Tuim, cuja história já contei em outra crônica (disponível em meu site www.ponderando.com.br), sou dos que apreciam ter pássaros em liberdade zanzando pelo jardim. Se chamados, comparecem à “mesa” para nos brindar com cenas apenas absorvidas por aqueles dotados de sensibilidade aguçada. Se a descrição lhe soa poética, fico feliz.

Quanto aos cães, jamais me decepcionaram. Apenas arrasado, quando partiram na viagem sem volta. Foi o caso da boxer Tula, que nos deixou com apenas oito anos.

Sua passagem marcou-me profundamente, em duas oportunidades: a primeira, ao dar a luz a 10 filhotes na sala de jantar onde estava abrigada devido ao frio daquele saudoso inverno. Indescritível, a experiência de assistir ao vivo o parto desassistido de um animal movido apenas pela mão da mãe natureza. Comovente, vivenciar os primeiros momentos de cada filhote ao vir a este mundo, ainda de olhos fechados, sendo pela mãe acariciados e lambidos. Inacreditável, presenciar os rebentos se dirigirem – sem qualquer auxilio – diretamente para as tetas daquela que lhes deu a luz para a primeira mamada.

A segunda marca deixada, com Tula já precocemente doente, foi contar com a dedicação extraordinária de um veterinário, meu inestimável amigo Eddie van de Groes, que das 02h30min de uma fria madrugada até as primeiras horas da manhã tentou salvá-la do pior. Apesar da experiência traumática, jamais tive a oportunidade de vivenciar tanta dedicação a dois animais distintos: o considerado irracional e o racional. Dívida impagável, jamais esquecida. Gratidão eterna!

Homens se comportam mais animalescamente que muitos animais que atacam e podem agir ferozmente, mas que o fazem para apenas sobreviver. Nós humanos, dotados de inteligência – segundo consta – somos mais predadores que a espécie em questão, eis que nossas razões, irrazoáveis, nos transformam em animais falantes, pensantes, farsantes, beligerantes.

Quando puder, olhe pela janela.

1/2 Ambiente?

Domingo passado, 5 de junho, celebrou-se o Dia Mundial da Ecologia e do Meio Ambiente. Não me incluo entre aqueles que apenas esbravejam contra o lamentável estado em que se encontra o meio ambiente em que vivemos.

A ganância de empresários na busca do lucro a qualquer custo e de governos coniventes com a insalubridade de suas sociedades, encontram ainda na maior parte da população uma aliada para incrementar os avanços deletérios da qualidade do ar que respiramos, da água que bebemos, do solo em que plantamos.

Calamidades ocorrem todos os dias como parte integrante de um fenômeno de reajuste só permitido a partir de um desajuste maior. É necessária uma causa para produzir um efeito e, como nos ensina a física, com a terceira lei de Newton, “a toda ação corresponde uma reação de igual intensidade que age na mesma direção e em sentido contrário”.

As barbaridades que vêm sendo cometidas há décadas pelo ser humano na agressão à natureza teriam que, em algum momento, provocar reações; e assim dar início à reversão do processo suicida engendrado por políticas econômicas que levam de roldão inocentes impotentes.

É inegável que esse processo já começou com a maior conscientização das pessoas em todo o planeta. Manifestações diárias em prol da saúde coletiva ocorrem mundo afora dando uma demonstração de que o jogo começa a virar. É uma questão de tempo, ainda longo infelizmente, mas inexorável. E não serão os governos irresponsáveis, eleitos pelo comprometimento com aqueles que financiam suas campanhas – arrastando eleitores ingênuos convencidos por poderosas máquinas de propaganda – que acolherão sorridentes as mudanças em andamento.

A responsabilidade e a batuta para condução dessa tarefa cabem a professores e educadores sensibilizados – sem compromisso com o possível engessamento da burocracia escolar – dentro e fora das salas de aula formais. Cabe ainda aos pais, a você e a mim, em seu contato diário com os filhos e amigos, às refeições, passeios, momentos de lazer viajando ou assistindo televisão, coletando o lixo, dar o exemplo com mínimas atitudes que marquem; exemplos mais que palavras deixam registros indeléveis.

Posso ser tachado de crédulo, mas se times de futebol arregimentam milhões, isto mesmo, milhões de torcedores a participar de uma “causa”, por que pais, educadores e professores não podem fazer o mesmo?

“Um pássaro nunca faz seu ninho em uma árvore seca.”

 

Manutenção da Saúde

Meu concunhado e amigo, gente fina e boa praça, já beirando a casa dos 80, espirituoso por natureza, vez por outra solta umas que meu pai chamava de “algibeira” (que pode ser dito sem esforço).

Com uma lucidez incomum, saiu-se com essa após mastigar um tira-gosto antes do almoço familiar no Dia das Mães: ”que maravilha esses meus dentes, mastigam todos os dias, há mais de setenta anos, e continuam me servindo até hoje”.

Nunca havia pensado eu sobre o tratamento que damos ao imenso ‘ferramental” que nosso corpo dispõe para manter-nos vivos e com saúde. Até mesmo ignorar sua importância quando tudo está bem e a negligência com que o tratamos eventualmente. A manutenção corretiva para manter-nos em forma supera muitas vezes aquela preventiva, para alegria de médicos e laboratórios farmacêuticos.

A fadiga de material, que acontece não apenas com materiais usados pelas indústrias, mas também com nossos órgãos – sabidamente – pode causar estragos consideráveis. Não me parece exagero fazer esse tipo de comparação, haja vista nossa complexidade e recursos comuns utilizados para a boa manutenção dos “status quo”: de materiais e órgãos humanos.

Tanto em um quanto em outro caso, faz-se uso de raios-x, ultrassom, ressonância magnética, amostras laboratoriais, “substituição de peças”, entre vários expedientes. Os resultados, sempre aguardados com alguma ansiedade, vão revelar aos engenheiros ou mecânicos de plantão, no caso médicos, a  orientação a ser dada.

E isto me faz lembrar um médico homeopata puro, cabeça branca desde quando o conheci, que me acompanhou por longos anos, tratando de minha embalagem e conteúdo. Figura rara na medicina, além de prescrever os medicamentos sempre sugeria que se conversasse com o órgão a ser tratado. Sem pretender entrar no mérito dessa questão sabe-se que, cientificamente, as células de nosso corpo são renováveis e que, também, possuem memória.

A maioria das pessoas crê que a cura de alguma enfermidade ocorre apenas através de um medicamento. É inegável sua participação no processo, mas fatores outros comprovados pela ciência, contribuem igualmente para o alívio e recuperação da saúde.

Dessa história toda, responsabilidade de meu querido concunhado que veio cutucar meus neurônios, ficou marcada a  relevância da bagagem que nos permite viver. Assim, procuro não me esquecer de minhas ferramentas, agradecer-lhes pelo bom funcionamento e, quando em pane, dar-lhes uma mãozinha batendo um papo também.

Papo legal.

 

Alerta no mar, na terra, no ar

Continuo acompanhando, com apreensão, os acontecimentos decorrentes do terremoto e tsunamis que abalaram o Japão recentemente. As autoridades e técnicos em Fukushima parecem não conseguir estancar o vazamento da radioatividade, apesar dos inúmeros recursos utilizados e dedicação de verdadeiros mártires na frente de trabalho.

A perda de vidas agora, felizmente, em nada se compara àquela de 230 mil mortes causadas pelo tsunami que assolou a Indonésia em 2004. Mas a tragédia no Japão coloca o resto do planeta de prontidão pela ameaça à saúde de populações distantes, ameaça esta de proporções ainda desconhecidas, fruto da radioatividade que impregna o mar, a terra e o ar.

Com tantas informações desencontradas, selecionadas pelos governos ou até mesmo censuradas – sabe-se lá -, fica a população civil exposta a conseqüências que poderão se manifestar apenas anos à frente.

O monitoramento dos níveis de radioatividade por radares em diversos países revela poucas informações para o público. Aqui no Brasil, a ANVISA passou a monitorar, desde o dia 4, os alimentos procedentes do Japão para evitar a entrada de produtos eventualmente contaminados. Ao que parece, só.

Dada nossa ignorância, no sentido lato da palavra, não nos chega qualquer relato que possa, por exemplo, indicar a possibilidade de a radiação proveniente de Fukushima vir a atingir o continente sul-americano em algum momento. Mas sabemos que na costa oeste dos Estados Unidos, zona mais próxima do Japão, já foram detectados níveis baixos de radiação.

A importância deste assunto não pode ser minimizada nem ignorada. A população tem o direito de ser informada, em linguagem acessível, para aprender e compreender que nossa aldeia global está mais global que nunca. Não me parece que deva ser assunto para ficar restrito, apenas, ao âmbito de técnicos e especialistas. É sempre bom lembrar que nós, também, possuímos duas usinas nucleares. E mais uma terceira, que deverá estar operando já em 2015!

A conscientização da população sobre o que é energia nuclear, problemas, prevenção, perigos e proteção deveria estar presente na discussão; desde salas de aula em todos os níveis até fóruns de debates, com cobertura da imprensa, focando no esclarecimento.

O mundo está mais alerta depois de Fukushima. E por aqui, não devemos esperar pelas conseqüências ainda nebulosas do desastre para, só então, aprendermos a lição já disponível.

Até porque, temos cá as nossas Angras!

Fissura Nuclear

A tragédia que assola o Japão mobiliza todos os povos via ajuda humanitária, tecnológica e de recursos humanos.

O país, arquipélago com mais de 6800 ilhas e população de 128 milhões de habitantes, possui a maior área metropolitana do mundo composta por Tóquio, sua capital, e prefeituras adjacentes. Possui, ainda, a terceira economia do planeta, a maior expectativa de vida em todos os continentes e a terceira menor taxa de mortalidade infantil (82.6 anos e 3.2/1000 nascimentos respectivamente). Por fim, 99% de sua população é alfabetizada.

Sessenta anos se passaram desde que duas das mais importantes cidades do país – Hiroshima e Nagasaki – foram devastadas por bombas atômicas lançadas pelos Estados Unidos, ao final da segunda guerra mundial, deixando 220 mil mortos e um número desconhecido por exposição à radiação. O Japão se vê agora, novamente e apesar de toda sua tecnologia, diante de nova angústia atômica detonada pelo terremoto de intensidade 8.9 na escala Richter, que gerou um tsunami devastador semana passada, viajando a cerca de 700 km/hora.

Sociedade organizada, talvez a mais organizada e disciplinada que se conhece, única a sofrer um ataque atômico em toda a história da humanidade, impressiona por sua capacidade de recuperação e superação frente aos infortúnios. A calamidade que se abateu sobre o país pode – e talvez deva – servir de exemplo e alerta na busca de objetivos alternativos de vida e sobrevivência. Seres humanos não são números, apesar de assim serem contabilizados. A solidariedade que ora observamos, visando minimizar a dor e a angústia dos flagelados no oriente, deveriam nos lembrar que é possível – se não mandatório – rever conceitos e propósitos para levarmos uma vida mais saudável.

São 104 os reatores nucleares nos Estados Unidos e 119 na União Européia. Livres de resíduos de energia nuclear mundo afora – que não se sabe onde são descartados – poderemos tentar salvar o planeta de catástrofes ainda maiores. E sobreviver!

Uma ampla discussão sobre o assunto certamente será desencadeada depois de Fukushima. Cabe aos políticos, lobistas e economistas efetuar uma análise crítica e honesta do polêmico tema e levar em consideração as características peculiares de cada país.

No nosso – onde se plantando tudo dá –, Aquele que é brasileiro permitiu que fôssemos agraciados com água, sol, vento, biomassa em abundância para, inclusive, gerarmos energia elétrica sem riscos de grandes catástrofes.

Sejamos, portanto, fissurados pela energia renovável, não a nuclear!

 

 

Pelo Silêncio Retumbante

Podemos escolher o que semear, mas somos obrigados a colher aquilo que plantamos”

O direito ao sossego está resguardado pelo artigo 225 da Constituição Federal. Apesar de existir uma legislação ambiental ampla, constante de inúmeras leis – Lei 6.938/81, Lei 8.078/90, Lei 9.605/98 – que visam proteger o cidadão dos danos à saúde causados pela poluição sonora, o descaso com que autoridades tratam o assunto deixa-nos todos absolutamente impotentes.

O legislador entende que “por se tratar de problema social difuso, a poluição sonora deve ser combatida pelo poder público e pela sociedade”. Repito, e pela sociedade!

Mas a questão é: a quem recorrer para reverter uma situação calamitosa, produto da irresponsabilidade de certos segmentos de nossa população que, visando apenas o lucro fácil e o lazer comodista, desconsideram sem qualquer pudor o bem estar de seus concidadãos?

Devo ressaltar que nada, absolutamente nada, tenho contra casas de shows, clubes, bares, festas particulares. Desde que respeitem o limite tolerável de decibéis não comprometedores ao ouvido humano e horários de funcionamento.

Se os preceitos legais para liberar espetáculos de casas públicas fossem observados a priori, em termos da proteção acústica exigida pela legislação em vigor, o problema não existiria. Se a consciência e respeito aos vizinhos existissem – por parte daqueles que são festeiros com churrascadas, cervejadas e baladas, acompanhadas de potentes caixas de som até de madrugada, não permitindo que simples mortais tenham direito ao silêncio e ao repouso -,  o problema também não existiria.

Parece-me então que, em suma, estejamos falando – apenas – de FALTA de EDUCAÇÃO, INCIVILIDADE, DESRESPEITO e AUTORIDADE DUVIDOSA e CONIVENTE.

Em um país onde o desrespeito às leis se projeta a partir de legisladores, fica difícil acreditar que algo ainda possa ser feito para tornarmos nossa sociedade mais consciente de seus direitos e obrigações. No caso, defesa da garantia do direito de todos ao sossego.

À mercê dos inconscientes e inconseqüentes que se julgam no direito de desrespeitar o próximo, confiantes e imunes a quaisquer medidas punitivas, a quem recorrer? Não sei!

A bem da verdade, tenho um forte sentimento de me encontrar na contramão dos tempos. Mas não posso resistir a uma ponta de otimismo consciente de não estar agindo como aquele recruta que estava seguro de que o batalhão se encontrava marchando no compasso errado.

A palavra é, agora, sua! Não a desperdice!



Brasil, um sonho intenso, um raio vívido

Dois episódios recentes envolvendo auxiliares de enfermagem causaram pesar irreversível. A que causou a morte de uma menina de 12 anos em fins do ano passado, por ter sido injetado em sua veia vaselina ao invés de soro; e a da semana passada, envolvendo uma pequenina de apenas um ano de idade, que após receber medicação intravenosa, teve a ponta de um dedo decepada por uma tesoura para retirada de bandagem. Onde? Em São Paulo, centro de excelência e referência na área médica.

Sempre entendi que saúde e educação caminham juntas em todos os sentidos. A interação entre ambas é total, pois uma não subsiste sem a outra. Nos casos citados não creio haver dúvida sobre a ausência de intenção. Conhecimento técnico de qualidade duvidosa, incompetência, inexistência de reciclagem, falta de embasamento na formação profissional, supervisão inadequada, são fatores que levam ou podem levar a acontecimentos como os descritos.

As áreas médica e de engenharia são as mais sujeitas a tragédias. Em minha ótica, é inconcebível que diplomados destas áreas não sejam obrigados a prestar exames de proficiência profissional depois de graduados, a exemplo do que já ocorre na área do Direito onde é exigido  que  bacharéis sejam submetidos ao exame da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). A discutível qualidade de nosso ensino superior e técnico, com evidentes exceções, impõe a implantação imediata de um sistema espelhado naquele da OAB para as áreas em questão. Nos exames da Ordem, é notório e alarmante o número de reprovações.

Se os mais elementares preceitos de prevenção e manutenção da saúde e segurança exigem um mínimo de conhecimento compatível – seja ela social ou  familiar  – o que se esperar da formação profissional  dos dedicados às “áreas de risco”?

O país cresce em população, sobejamente carente de qualidade e quantidade nestas áreas e sofre, ainda mais, pela absoluta falta de infra-estrutura nestes e em outros segmentos necessários para atender à demanda crescente pelos serviços essenciais.

Para 2011, o Orçamento Geral da União destina R$ 70,9 bilhões (3.6%) à Saúde. A Educação receberá R$ 54 bilhões (2.7%). Uma merreca, segundo especialistas! Já para as despesas com pessoal estão reservados R$ 199,7 bilhões (9.6%)…

Não desanime. Tempos melhores estão por vir. O deputado federal Francisco Everardo Oliveira Silva, o Tiririca,  sem fazer piada, revelou que poderá fazer parte de comissões como Cultura e Educação nessa legislatura.

Pátria amada, idolatrada, salve! Salve!



 

Habitat da Dignidade

Melhor  acender uma vela  que amaldiçoar a escuridão” (…)

Cresce o número de pessoas idosas ao redor do mundo. Por aqui, com uma população estimada em 193 milhões de habitantes, são 28 milhões aqueles com mais de 60 anos de idade. Em 2050 estima-se que sejamos 219 milhões, com cerca de 20% de idosos: impressionantes 44 milhões, ou seja, número maior que a população da Argentina hoje. Releia por favor, e pondere sobre estes números!

Os cuidados e atenção para com pais e mães que envelhecem têm sido, nos últimos anos, motivo de crescente apreensão. Resultado de famílias com menos filhos, daquelas que viviam juntas nas cidades desaparecendo, de mulheres que ingressam no mercado de trabalho cada vez mais cedo deixando antigas atividades domésticas para trás. Situação agravada pelos filhos que também deixam a casa, migrando para outros estados e países, não raro por lá se estabelecendo.

Sabemos que quando os pais não conseguem mais viver sem assistência contínua, a situação familiar pode ficar complicada, traumática. Os que possuem recursos financeiros ainda conseguem contornar o “problema” – palavra horrível dentro do contexto – amenizando as dificuldades inerentes à realidade. Outros se vêem obrigados a colocar os pais em instituições, na maioria despreparadas, para tentar oferecer uma condição nem sempre digna de fim-de-vida aos abrigados.

São poucos os países no mundo que dispõem de uma política social que atenda aos idosos com excelência. No nosso, a negligente atenção dedicada aos idosos pelo poder público, nos leva a olhar para o outro lado enquanto não somos pessoalmente atingidos. Quando o somos, e não raro, surgem situações insustentáveis.

A verdade é que estamos todos envelhecendo, indo cada vez mais longe. E, então, fica a pergunta: a quem cabe a responsabilidade de vislumbrar novos caminhos para que seus e meus dias, um dia, possam ser vividos  com a tranqüilidade merecida?

Ao optar por viver em Holambra há pouco mais de vinte anos e já conhecendo um pouco das coisas da vida, tocou-me fundo o trabalho realizado pelo nosso Centro Social Holandês: estrutura simples, administração eficiente e dedicação exemplar por parte daqueles que cumprem a missão de dar atenção e conforto aos que mais necessitam no último estágio de suas vidas.

Um exemplo a ser seguido, e servir de modelo quem sabe, visando alavancar iniciativas que possam corrigir o perfil de nossa carente sociedade.

Com a palavra, investidores e empreendedores!

 

 

 

 

 

Suficiência Insuficiente

O  perfil social de nosso país está a indicar que precisamos mais de profissionais qualificados de nível médio que de nível superior. Eles são responsáveis por alguns dos inúmeros gargalos que atormentam a vida dos usuários de serviços por falta de capacitação profissional adequada.

Na área de saúde, por exemplo: “Hospitais oferecem remédios aos pacientes em horário e doses errados em ao menos um terço dos casos.” É o que aponta uma pesquisa realizada em cinco hospitais do Brasil pela USP de Ribeirão Preto e Universidade Federal de Minas Gerais.

Outra agravante, identificada pela pesquisa, foi a formação deficiente das equipes de enfermagem em questões relacionadas à segurança do paciente. “Erros também podem ocorrer por problemas como falhas no sistema de distribuição dos medicamentos e sobrecarga das equipes de trabalho”.

Por esse Brasil afora o número de hospitais que contam com equipes qualificadas de enfermagem de alto padrão é quase desprezível. E aí reside o nó górdio (nó impossível de se desatar) na área de atendimento hospitalar. Pacientes internados são, primeiramente, dependentes de enfermeiras, pois nem sempre médicos estão disponíveis em situações emergenciais. Se você já esteve internado, ou acompanhou alguém internado em hospital, com certeza já vivenciou situações como as descritas.

Por outro lado, quando se fala em formação superior, não podemos ignorar que o nível de nossas faculdades e universidades – com honrosas exceções – não é de menção honrosa.

Impotentes, somos todos reféns de um sistema que privilegia a quantidade em detrimento da qualidade, deixando-nos órfãos em momentos cruciais de nossas vidas.

Maior exemplo dessa (des)qualificação é o índice alarmante de reprovações em exames da Ordem dos Advogados do Brasil. Se os formados em engenharia e medicina, já habilitados a exercer a profissão, fossem obrigados a passar por exames de capacitação profissional perante seus conselhos federais ou regionais, a qualidade e segurança dos serviços por eles prestados à população certamente seria de outro nível.

O retrato não é o de um país subdesenvolvido ao extremo, perdido na geografia desconhecida. É o de um país que se jacta de sua pujança econômica e desenvolvimento.

O crescimento econômico brasileiro tem contemplado como prioritários o aumento de renda e o consumo. A melhoria na qualidade dos serviços de saúde e educação da população, no entanto, tem sido relegada.

Assim, quem sustentará quem em tempos de vacas magras?

 

 

 

 

« Publicações antigas Novas publicações »

© 2017 PONDERANDO

Desenvolvido por CS ProjetosRolar para cima ↑