PONDERANDO

* * * Reflexão em 120 segundos * * *

Tag: Sustentabilidade (Página 2 de 4)

Muito de muito

Somos uma sociedade consumista por excelência. Recentemente ouvi de um famoso sociólogo: “você é o que você consome”. Ponderando a respeito… constato que após a revolução industrial fomos, paulatinamente, nos tornando uma espécie de indústria-dependentes. Com a criatividade que lhe é peculiar, identificando meios e modos de satisfazer o comodismo de seus semelhantes, o ser humano vem desenvolvendo sua capacidade de produzir bens cada vez mais sofisticados para atender à demanda do conforto e da vaidade.

Governados que somos pela mola que move o mundo – o dinheiro – vivemos crises econômicas cada vez mais intensas que atingem países e pessoas deixando clara a fragilidade de um sistema que penaliza milhões em todo o planeta. Paradoxalmente, quero crer que nascemos e vivemos para desfrutarmos de tudo aquilo que a vida nos oferece, a começar pela natureza que com seu desprendimento nos oferta como presente, gratuitamente, o essencial para uma vida plena.

Através dos séculos desvirtuamos nossa forma simples de pensar e de viver, invertendo polos de satisfação e bem estar, dando prioridade ao ter mais, relegando o ser mais. Fomos nos tornando uma espécie de autômatos, mergulhados em uma engrenagem cuja meta na vida é – vida tão frágil, cabe lembrar – consumirmos à exaustão perseguindo e tentando satisfazer anseios estimulados por indústrias e meios de comunicação.

Não creio que estejamos sendo mais felizes por, muitas vezes, alcançarmos mais, possuirmos mais. Como as ondas do mar que se sucedem infinitamente, nos tornamos reféns de uma vontade influenciada pela competente máquina de persuasão que é a propaganda. Torna-se quase impossível resistir aos apelos de compra, maquiavelicamente produzidos para atingir nosso inconsciente. São facilidades a mais colocadas à nossa disposição, a apresentação do novo que descarta o antigo ainda plenamente utilizável em toda a sua extensão, a adesão ao “hit” do momento. E como a vida é feita de muitos e sucessivos momentos… engatamos em um moto-perpétuo.

Jogo no time dos que, heroicamente, tentam resistir ao supérfluo. Como nasci e vivo em um país abençoado, livre de catástrofes maiores, sem participação em guerras e atentados, com sol, samba, futebol e lindo por natureza, não creio que precisemos de muito para realmente desfrutarmos de uma vida plena, cuja definição certamente varia de pessoa para pessoa.

Honestamente, tenho reais dúvidas sobre nossa capacidade de usufruirmos de tudo que possuímos. Um exame de consciência isento, quem sabe, pode nos revelar surpresas agradáveis. Não custa tentar.

Desigualdades

O mundo atravessa uma crise econômica profunda, milhões de pessoas desempregadas, países mergulhados em um buraco negro, jovens e aposentados enfrentando dificuldades financeiras de toda ordem. Ao mesmo tempo, jogadores profissionais de futebol ganham cifras incompatíveis com a realidade da maioria das populações. Transformados em máquinas de fazer dinheiro pelo talento – para si próprios, seus agentes, patrocinadores e clubes – criaram dois mundos. O real, deles, e o real, nosso.

O disparate é tamanho que nos surpreendemos quando medalhões da medicina com anos de estudo e especializações várias cobram por uma consulta R$ 500,00, ou até mais. Uma irrealidade para um país como o nosso com um sistema de saúde pecaminoso. Irrealidade também, o fato de medalhões da bola receberem várias vezes aquela quantia por terem ganho apenas um jogo. E enquanto isso, os educadores em nosso país são abandonados à própria sorte, sem qualquer reconhecimento e apoio para formar gerações.

Talvez por tudo isto o Brasil ocupe o desonroso quarto lugar no ranking latino americano da desigualdade social, atrás de Guatemala, Honduras e Colômbia. Como já definido por um intelectual: “muito para poucos e pouco para muitos”. Apesar da proclamada pujança – agora nem tanto – de nossa economia.

O marketing agressivo das indústrias, transformando em produto tudo que se possa imaginar, com impostas inovações a todo o momento vem levando as pessoas a se tornarem reféns de seus motivados desejos. Possam elas, ou não, arcar com os custos inerentes.

Mas aos meus olhos o que choca é o descaso, o conformismo com as distorções, a aceitação pacífica da desigualdade, a contribuição – nem um pouco gratuita – para a ostentação que confronta as necessidades básicas. Abra-se uma revista, acesse-se um portal na internet, lance-se um olhar ao redor, e o bombardeio de apelos consumistas impressiona. Estabelece-se um embate entre os que podem e os que anseiam sem poder. Abrem-se as trilhas para o estímulo à corrupção, envolvimento desde cedo com atos ilícitos geradores de riqueza fácil, adesão ao crime organizado.

A velocidade da informação sobre tudo que nos cerca, difícil de ser assimilada em sua essência pelo volume e pluralidade, nos faz perder a noção de valores intrínsecos ampliando o fosso da desigualdade, criando castas.

Estamos nos transformando em seres informatizados, comprando virtualmente, acessando facilmente a comunicação eletrônica, com pouco ou nenhum tempo para formar juízo. Em breve, quem sabe até, não mais lhe perguntarão quantos anos você tem, mas sim, quantos bytes você tem.

Los Cabos ou Rio+20?

O fim do mundo está próximo. Segunda uma profecia Maia, a data é 21 de dezembro de 2012. Apesar de considerada por muitos uma especulação, a profecia tem rendido a outros tantos lucros com a venda de produtos de segurança e alimentos para estocagem além da comercialização de áreas imobiliárias entendidas como sendo livres de risco. Por aqui, não tenho notícia de tais ocorrências, mas mundo afora sim.

Enquanto os terráqueos vão vivendo o seu dia-a-dia e a data fatídica não chega, acontecimentos reais estão presentes nas manchetes dos jornais. Guerra fratricida e étnica na Síria – maquiada como conflito -, democracia obscura no Egito, indefinições nos sistemas financeiros de países europeus com a corda no pescoço levando suas populações para o cadafalso, atentados diários no Oriente médio causando a morte de milhares de inocentes, enchentes, terremotos e afins.

Alvoroço de um lado, expectativa de mudança de rumo de outro. Assistimos à realização simultânea de dois eventos que poderiam – ou até mesmo deveriam, a prevalecerem o bom senso e  a lucidez – alterar a vida dos sobreviventes deste planeta insano: a Rio+20, na Cidade Maravilhosa e a reunião do G20, em Los Cabos, no México.

Constrangedora a falta de interesse demonstrada pelo presidente Barack Obama – que dispensa apresentação – do primeiro-ministro da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, David Cameron e da chanceler alemã Angela Merkel. Ausentes do primeiro evento, mas presentes no segundo, a prioridade deles no momento é tentar resolver os problemas criados por seus governos desdenhando os 7 bilhões de habitantes desta esfera que já se disse ser azul. Suas prioridades são sair do buraco financeiro em que se meteram levando outros tantos de roldão. A qualquer preço.

Justiça seja feita, no entanto, à Alemanha, que vem carregando o piano em uma demonstração clara de ter vivenciado a lição que apenas uma derrota devastadora como a da Segunda Guerra Mundial pode ensinar.

Os conturbados momentos que atravessamos em muito se assemelham aos de uma hecatombe. Não mais localizada aqui e ali, mas  prenunciando que o pior pode estar por vir. Privilegiar-se Los Cabos, deixando o Rio como estepe na busca de soluções prioritárias para salvar o planeta é admitir-se a perda dos dedos, na tentativa de salvar-se os anéis.

A notícia alentadora é que organizações não governamentais e a sociedade civil, sem rabo preso com compromissos políticos e empresariais, dão sinais de sua evidente consciência e crescente presença. Vozes que vieram para ficar, eloqüentes, nestes dias em que informações e versões não são mais transmitidas a partir dos púlpitos.

Aleluia!

Juízo, minha gente…Juízo!

Os índios, onde quer que se encontrem e vivendo em harmonia com a natureza desde sempre, têm amargado um isolamento imposto pelo homem branco. Em qualquer parte, sua visão da vida, hábitos sociais e de convivência não tem servido de exemplo para aqueles que chegaram depois. Muito pelo contrário. Seus princípios e valores arraigados, dignos de respeito e admiração pelos mais lúcidos, têm sido subjugados ao longo dos tempos.

Existindo harmoniosamente e sobrevivendo nos mais variados ambientes, hostis para o homem branco – florestas  tropicais, desertos ou regiões inóspitas de frio intenso –, estes irmãos desalojados para reservas indígenas, usurpados em seus direitos de direito às terras e a tudo que ela tem a oferecer, permanecem fieis ao que lhes foi ensinado por seus ancestrais. Os contaminados, não apenas pelas doenças transmitidas pelos que querem mais a custo zero, sofrem com o distanciamento das tradições e pagam por suas conseqüências.

Somos hoje 7 bilhões de bípedes, literalmente empurrados uns contra os outros, com espaços e recursos de toda ordem reduzidos em escala exponencial, barganhando qualidade de vida por quantidade de bens e maior pseudo-conforto. Estamos a pagar um preço exorbitante na perseguição a tudo que a generosa mãe natureza ainda nos oferece de “mão beijada”. Ainda!

Os objetivos de vida, não mais ditados pela introspecção, mas sim pela explosão de valores fragmentados a massagear egos, são comparáveis às corridas de tiro curto, ou seja, de 100 metros, quando, em realidade, estamos participando de uma maratona. Estamos, assim, perdendo o fôlego, buscando o ar que nos falta, a água para saciar a sede, o espaço que o contendor ao lado não nos permite ocupar.

A Rio+20, Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável a se realizar no Rio de Janeiro entre os dias 13 e 22 de junho, pretende desenvolver uma agenda para os próximos 20 anos.  O objetivo é elaborar um plano de ação para construir um mundo mais limpo e sustentável, compatível com o aumento populacional.

Dos cinco membros permanentes com poder de veto no Conselho de Segurança da ONU três estão entre os maiores poluidores do planeta. Com a raposa tomando conta do galinheiro e as prováveis ausências na Conferência do presidente do maior país emissor de poluentes, os Estados Unidos, e da chanceler da maior potência da Europa, a Alemanha, as discussões mais objetivas devem ficar mesmo por conta dos eventos com a sociedade civil. Ainda bem!

E cabe lembrar a profecia da tribo indígena Cree, do Canadá:

“Quando a última árvore for derrubada

O último rio envenenado

E o último peixe fisgado

O homem tomará consciência

De que não poderá se alimentar de dinheiro”

Encerrando um ciclo

Nossa aldeia global – mais consciente de seus direitos e deveres, direito à liberdade de ir e vir e se expressar, deveres para com o próximo, próximo ou distante – me leva a acreditar em revisões abrangentes e profundas no seio de todas as sociedades.

Percebo movimentos em diversos segmentos que trabalham para mudar o perfil do nosso viver contemporâneo gerando expectativas de melhores e mais justas mudanças. Não me parece, pois, que pertençam ao acaso as atuais turbulências econômicas, climáticas, sociais e políticas.

Um olhar atento aos acontecimentos que estamos presenciando parece deixar clara a mensagem de que as regras a que temos sido submetidos para viver em sociedade estão com os dias contados.

Senão, vejamos:

Uma nova ordem econômica cujo modelo atual, exaurido, catapultado pela crise européia e norte-americana, exigirá forçosamente profundas alterações. Alterações já iniciadas, ainda que tímidas, mas irreversíveis. O movimento “occupy Wall Street” é um exemplo que, apesar de cerceado, se espalhou por diversos países.

As condições climáticas, cada vez mais adversas em todas as latitudes, estão a exigir – para sobrevivência da espécie – mudanças no comportamento das nações. Privilegiar os interesses econômicos em detrimento da qualidade de vida e saúde dos povos não encontrará mais abrigo em decisões de superpotências em declínio. A tragédia nuclear de Fukushima, Japão, no ano passado – ainda sem conseqüências claras – é um alerta para o mundo.

Países emergentes como os BRICS, passarão a ter voz e certamente veto em decisões de natureza global. É apenas uma questão de tempo a reformulação de organismos como a obsoleta e imperial ONU e suas agencias. Não é mais possível admitir-se, neste século 21, que 195 países a ela filiados tenham seus destinos definidos por apenas cinco cujos interesses não querem ver arranhados.

A geopolítica das regiões vem se alterando dramaticamente, em especial no Oriente Médio e sudoeste da Ásia, afetando o equilíbrio e seu relacionamento com o Ocidente. Conquistas em todos os sentidos estão a desenhar um novo panorama, ainda incerto é verdade, mas sem qualquer perspectiva de reversão.

A tecnologia da informação, permitindo a interação entre culturas diversas, tornou-se arma poderosa para conscientização e disseminação das liberdades individuais em sociedades antes fechadas. A informação, antes controlada em várias partes do mundo, está agora ao alcance de todos desnudando inverdades demagógicas.

Assim, acredito que estejamos, realmente, vivenciando o limiar de uma nova e profícua Era.

O que faz andar o barco não é a vela enfunada, mas o vento que não se vê (Platão)

Adeus de uma Delonix regia*

Afirmam que nós, plantas, não falamos nem escrevemos. Talvez por isso não nos agridamos – apesar de constantemente agredidas -, respeitemos nossos semelhantes, contribuamos para o bem-estar dos seres humanos. Argumentam uns que seres humanos são da espécie primata bípede Homo sapiens (“homem sábio”, em latim). Data venia, eu e minha espécie discordamos cabalmente desta “sabedoria”.

Mas como sou uma árvore diferenciada, atrevo-me a registrar aqui meus últimos momentos ao ser implodida. Estou indo embora daqui após pouco mais de dez anos de convivência com tantos de vocês. Mandaram-me embora. Mandaram-me, não, exilaram-me! Sem qualquer possibilidade de reação, aos olhos de alguns poucos presentes à minha partida, sem direito a julgamento por tribunal isento, julgada fui por tribunal de exceção.

Alegam que sou uma ameaça à segurança e que por ser eu quem sou aqui não devo permanecer. Fez-se a justiça dos homens, senhores que se julgam acima do bem e do mal.

Alegres pelo dever cumprido ambiguamente e à guisa de privilegiarem o concreto, ferragens, uma estrutura inerte sem vida,  meus detratores ignoraram aqueles que levantaram suas vozes em minha defesa sem, no entanto, encontrarem um mínimo de eco.

O que já foi não mais é. Minha alma está em paz. Não adianta chorarem os amigos pelo meu infortúnio. Não gostaria de ser vista como mártir. Mas gostaria, sim, de ser lembrada como aquela que por aqui enriqueceu a paisagem, deslumbrou olhares atentos para a beleza de suas flores, deu sombra a quem precisou.

Quantos de meus algozes poderão dizer o mesmo, ainda que pertencentes a outra categoria? Imaginei que fosse terminar meus dias  neste que foi meu lar por tantos anos, perdendo o viço, secando das raízes aos galhos, mas de pé. Enfrentei tempestades e tormentas, raios e sol inclemente sem jamais me queixar. Estoicamente, permaneci íntegra cumprindo o papel que a mãe Natureza me confiou, sem estorvar a vida de ninguém. E a ela sou grata. Mas…

Arrancaram-me das entranhas da terra, de minha morada, a fórceps. Não sei se sobreviverei ao meu destino. Estou sendo enterrada na área em frente e fora do Condomínio, do outro lado da rua, próximo à rótula.

Deixo aqui o meu adeus a você que comigo conviveu e protegeu.

“ Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, no que respeita ao universo, ainda não adquiri a certeza absoluta.” (Albert Einstein)

24 de janeiro de 2012

*Flamboyant Condenado

Rios sem meandros

Acabo de assistir a um vídeo perturbador que me levou à reflexão e à constatação de que o ser humano está, ainda, muito distante de atingir o que reclama perseguir prioritariamente: a qualidade de vida no mais amplo sentido da expressão.

Acompanhando-se a história, fica clara a opção feita pelo homem de privilegiar o lucro financeiro em detrimento de seu bem-estar.

Nesse mundo conturbado, repleto de catástrofes geradas pela inconsciência coletiva e desrespeito não apenas pela natureza, mas principalmente pelo outro, o que se espera é responsabilizar justamente o outro por nossas apreensões e infortúnios.

É assim, com enchentes devastadoras ceifadoras de vidas e patrimônios, derrocada de potências econômicas pelo uso e abuso da usura, investimentos maciços em atividades belicistas sustentadas por indústrias sem cor ou ideologia, comprometimento da saúde das populações pela ausência de sensibilidade e corrupção nas políticas públicas.

Ao se refletir sobre o vídeo (vide link ao final desta crônica) não cabe dúvida que cabe a nós mesmos, exclusivamente, pagarmos a conta com gorjeta, sem choro nem vela.

Modelos vigentes de sobrevivência em sociedades como as nossas estão exauridos, esgotados em suas propostas, a demandar profunda reflexão e ação renovadora nos meios e fins que ansiamos.

Fica cristalinamente claro que estamos, continuamente, buscando mais espaço para máquinas, concreto, aço, desalojando pessoas, confinando-as e privando-as de tudo que graciosamente a mãe natureza colocou à sua disposição para desfrutar de uma existência saudável e comunitária.

Argumenta-se que o progresso exige atualizações permanentes em nosso comportamento a fim de que possamos nos adequar às tecnologias em uma inversão de valores ainda que questionável.

Somos 7 bilhões de bípedes considerados inteligentes, cada vez mais espremidos em espaços paulatinamente reduzidos por interesses vis, com liberdade de escolha cerceada pela máquina mercantilista.

Seria utopia imaginarmos que existe viabilidade no retorno a um passado que não mais existe quando nele começou a ser desenhada a situação em que agora nos encontramos.

Mas acredito, sim, na criação de bolsões no âmago de nossas sociedades as quais, por persistência consciente – inclusive das mídias de comunicação – poderão dar inicio à reciclagem de um modo de vida (ou sobrevida) com prazo de validade já vencido.

Deles faço parte!

Acesse: http://player.vimeo.com/video/14770270?title=0&byline=0&portrait=0

Tragédia anunciada

O novo ano começou açoitado por tragédias climáticas aqui e no mundo afora. Ceifando a vida de milhares de pessoas, atinge mais os menos favorecidos, sofridos, não raro resignados com a própria sorte.

As intempéries cada vez mais agressivas encontram solo fértil em seu caminho de destruição. O homem, cúmplice dos momentos dolorosos que vivemos, torna-se refém de seus semelhantes.

Contínuos alertas de autoridades que tratam do assunto com seriedade esbarram em ouvidos surdos de políticos insensatos, de comportamento espúrio. Gananciosos empreendedores, encontrando naqueles os parceiros ideais, agem sem constrangimento visando apenas lucros a qualquer preço. Inclusive com o da perda de vidas humanas. Eximem-se da responsabilidade pela aprovação de projetos em áreas de risco, aumentando as possibilidades de desastres naturais, em troca de favores inconfessáveis. Violentam a mãe Natureza desviando cursos de rios de forma irresponsável, desmatam florestas, poluem a atmosfera, em nome do progresso duvidoso.

Um verdadeiro genocídio! Genocídio, sim, cometido por aqueles que deveriam defender a segurança, a qualidade de vida e o bem-estar das populações. No meu entender, crimes perpetrados contra a humanidade que ficam sem julgamento e condenações!

São muitos, felizmente, os que se rebelam contra a omissão de governos corruptos, que agem impunemente acobertados pelo corporativismo político, subsidiados por grandes corporações e empreendedores. Muitos sim, mas ainda em número insuficiente para fazer soar o gongo do chamamento e se fazerem ouvir.

Se as mídias fossem livres das amarrações publicitárias e políticas, poderiam ajudar a reverter este quadro com sucesso. Mas como se trata, ainda, de mera utopia e o nosso mundo real tem como prioridades o petróleo do Iraque, o gás do Afeganistão e agora a elevação da segurança no Iêmen… temas como o abordado aqui não merecem a devida atenção.

O drama que vivemos em todo o planeta não nos permite simplesmente sentar em frente à TV, descompromissadamente, assistindo a glamorosas novelas e versões jornalísticas dos fatos reais.

A responsabilidade pelo encaminhamento de soluções para a desordem instalada é só nossa. Os que têm o poder da caneta e do preenchimento de cheques são de outra espécie. Nada se espere deles.

Somos responsáveis, por princípio!

NOTA: Você talvez não se recorde, mas esta crônica foi publicada em 15 de janeiro de 2010, portanto há dois anos, sob o titulo Genocídio! Dizer mais não é preciso.

Entre Picos e Vales

Lembro-me dos tempos de estudante de engenharia quando, para efetuar os cálculos, fazia uso de uma régua de cálculo. Para muitos, o instrumento deve ser desconhecido e pode ser considerado hoje peça de museu. Em meu escritório, juntando quinquilharias (se você não é do tempo da régua não deve conhecer este termo…) guardo nostalgicamente a minha relíquia para a posteridade.

Poucos se dão conta da impressionante velocidade com que as novas tecnologias colocadas à nossa disposição vêm alterando comportamentos e atitudes. A avalanche de novidades em celulares, tablets, TVs, GPS, i-pods, i-pads, carros, computadores, nos fazem sentir como se estivéssemos permanentemente desatualizados, fora de época. Para os que podem e sucumbem aos apelos publicitários, a reta de chegada vai, continuamente, se distanciando.

Se pararmos para pensar, meditar tranquilamente sobre o assunto, chegamos à conclusão de que estamos vivendo momentos alucinantes e de contínua insatisfação com o que já temos.

Humanamente, queremos sempre mais e o melhor. É compreensível e faz parte de nossa natureza. O apelo para adquirir parafernália de toda ordem, colocada à nossa disposição em 10 suaves prestações… sem juros, é quase irresistível. O que me leva a ponderar sobre o caminho que estamos trilhando para tentar saciar nossas necessidades materiais, que deixaram de ser  as básicas para adentrarem nas questionáveis.

A qualidade de produtos industrializados – sejam eles de vestuário, eletro-eletrônicos, veículos e afins – têm sido criteriosamente reduzida tornando sua vida útil cada vez menor. Intencionalmente. Imagina-se que a roda da economia possa girar mais rapidamente se o giro dos bens for aumentado, tornando-os obsoletos em curto espaço de tempo. Economistas argumentam que sim. A que custo?

Mas o fato é que vivemos em um clima de moto-perpétuo priorizando – não raro com certa angústia – o questionável algo mais, inatingível para muitos.

E o grande paradoxo é que neste mundo de extrema contradição, de alta tecnologia, onde tantos têm mais do que necessitam para viver uma vida digna, mais que tantos sequer têm o que comer todos os dias.

Morrer de fome é uma expressão que comumente usamos quando temos muita fome. Para milhões de seres iguais a nós e com as mesmas carências por serem atendidas, significa simplesmente… morrer.

Excesso de tecnologia. Fartura de fome!

Sua majestade o automóvel – e nós

Semana passada, em 22 de setembro, foi celebrado o Dia Mundial sem Carro em todas as cidades do planeta. Bem verdade que umas mais outras menos atenderam à convocação, mas ainda bem que pelo menos uma vez ao ano são muitos os que tentam conscientizar políticos, autoridades e pessoas a fazer uso do automóvel de forma consciente e responsável.

A divulgação foi relativamente ampla e seus resultados pouco alentadores para os mais atentos. A exemplo das campanhas contra o fumo, álcool e drogas, a eficácia das tentativas daqueles bem intencionados é sempre relativa. No caso do carro, o mais desejado depois da casa própria, além do conforto que propicia ao seu proprietário para se deslocar é ele, ainda, referência-símbolo de status.

Em nossa cidade nada vi ou ouvi sobre o assunto. Os jornais locais calaram,  o que significa que – presumo eu e salvo desinformação minha – o assunto não mereceu destaque nem atenção devida.

Cidades dotadas de transporte coletivo civilizado e vias de acesso compatíveis com a sua realidade são minoria dentro do contexto mundial. Refletem a cultura de  povos dotados de responsabilidade e conscientização por parte de governantes em relação aos seus cidadãos e, da parte destes, seu respeito pelo outro. São países aonde a bicicleta chega a ser, em alguns casos, maioria em relação aos automotores.

Se o automóvel reina absoluto,  seu impacto na qualidade de vida dos cidadãos causa transtornos crescentes via poluição, desrespeito às leis de trânsito, congestionamentos monstruosos, perda de horas preciosas, elevação do stress. E pior: por trás dos volantes muitos são os motoristas que se transformam em seres irreconhecíveis.

O município em que vivemos está a merecer atenção urgente das autoridades. O trânsito no centro está indisciplinado – sem fiscalização – com motos estacionando descontraidamente em vagas exclusivas para carros, inclusive as reservadas para idosos e deficientes. Motoristas dos carros continuam a desrespeitar as ditas vagas reservadas e a não respeitar pedestres que tentam atravessar nas faixas a eles dedicadas, visando sua segurança. Placas de PARE e rótulas começam a perder sua finalidade.

As bicicletas, que deveriam ter prioridade, juntamente com transeuntes, estão correndo crescente risco de acidentes. As poucas vias a elas destinadas, dada sua concepção errônea, vêm sendo utilizadas como calçadas por ausência destas.

Uma boa dose de educação e orientação, regada à civilidade,  pode tentar reverter nossa rica incultura. Está nas mãos de todos!

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