A crise financeira mundial tem ocupado as mídias no mundo inteiro. Especulações não financeiras têm sido feitas na tentativa de prever como deverão se comportar as sociedades a partir do “dia seguinte”.

Dizem que a necessidade é a mãe da invenção. Países avessos à estatização estão recorrendo a ela – ainda que por tempo determinado segundo eles – por compreenderem que a salvação do sistema financeiro global não reside mais em ações isoladas e unilaterais. Sem ação solidária todos perdem. Sem opções, as potências deixam as vaidades de lado. Suas diferenças regionais perdem importância. Seu poderio torna-se virtual. E como dizia o poeta: “Quando a fome bate na porta o amor foge pela janela”. O mundo começa a compreender que sinergia é isso: 1+1=3.

Excelente o momento para que nós, simples mortais, possamos aprender um pouco com esta situação. Não sobre finanças, economia, política internacional.  As razões desta catástrofe, que pode mexer – e muito – com nossas vidas, não têm fundamento técnico. Provavelmente serei excomungado por tal afirmação!

A meu ver, o ser humano é insaciável na busca de suas conquistas individuais, do lucro fácil, da ostentação e do poder – seja ele econômico, financeiro, bélico ou pessoal. As instituições são geridas por homens e mulheres ansiosos por galgar posições hierarquicamente elevadas. Querem o topo! Visam conseguir uma projeção profissional que lhes permita auferir dos benefícios financeiros advindos de sua participação nas decisões. Quanto mais elevada a posição atingida maiores as concessões a serem feitas. É a regra do jogo.

Valores pessoais e éticos ficam muitas vezes comprometidos pelo “glamour” do sucesso, pelos holofotes que iluminam seus egos, pela conta bancária generosa. A competência, a lisura, a responsabilidade e respeito pelo “outro” ficam ofuscadas quando as oportunidades duvidosas e tentadoras surgem e falam mais alto.

Milhões de pessoas ao redor do globo confiaram em milhares de outras para administrar suas poupanças, suas economias de uma vida inteira, suas expectativas futuras de uma aposentadoria decente. A vulnerabilidade de instituições consideradas poderosas pelo seu porte financeiro – ainda que apenas virtual como estamos constatando –  acaba por demonstrar que são apenas castelos de cartas.

A experiência que estamos assistindo deve nos servir de lição! Ter consciência de que instituições são tão fortes, seguras e responsáveis quanto os homens (e mulheres) que respondem por elas é vital. E esta consideração deve ser levada em conta não apenas em relação ao sistema financeiro.

Acredito em uma nova ordem a ser estabelecida depois de se juntarem os cacos desta tragédia. As pessoas terão tomado consciência de sua fragilidade e daquelas nas quais elas confiam.  Solidariedade, união de forças, entendimento, transparência podem levar a sociedade a percorrer novos caminhos.

É chegado o momento de o individualismo se aposentar.

Pensar – e agir – com consciência no todo e não apenas nas partes pode ser a tábua de salvação.