“No que mais se diferenciam os pássaros do ser humano é na sua capacidade de construir, mas deixando a paisagem como estava”.

Domingo, 10 de maio, Dia das Mães. Céu azulado, dia lindo, ensolarado, convidativo para poder desfrutar da presença das queridas mães. Para aqueles que já se despediram delas fica a oportunidade de, quem sabe, partilhar com as mães de seus netos.

A impermanência nos leva a viver cada dia de um modo diferente e, não raro, sem que o percebamos. É o ciclo da existência que se renova a cada momento.

Resido em Holambra há 20 anos. Por opção. Pela identificação com a história dos pioneiros, sua luta para fazer deste lugar um exemplo de sociedade séria, responsável, respeitosa e digna, viemos viver aqui. Tenho acompanhado, às vezes com alegria e outras nem tanto, o desenvolvimento de nossa cidade desde a época da Fazenda Ribeirão.

Aquilo que chamamos de progresso nos trouxe menos poeira, saneamento básico, assistência médica próxima, infra-estrutura de comunicações. Recebemos, também, mais insegurança, trânsito movimentado, poluição sonora e visual. Lentamente, a exemplo do que acontece com o nosso envelhecimento, não percebemos as mutações que se processam em nosso meio. E às vezes nos assustamos quando nos damos conta.

Nessa linda manhã de maio, Dia das Mães, abro a janela como tantas vezes faço, todos os dias, e me surpreendo. Descortino perplexo, entre o verde das árvores e tendo como pano de fundo um belíssimo céu azul, UMA TORRE DE COMUNICAÇÃO CELULAR sendo montada. Seu local, a Rua Campo das Palmas. Já erigida, rapidamente transformou a paisagem que, desde sempre, pertencia à mãe natureza. Sabemos que, lamentavelmente, não é a primeira e, certamente, não será a última torre a ser instalada em Holambra. A polêmica sobre os males causados à saúde pela radiação, cientificamente comprovados e muitas vezes refutada, nunca será resolvida. O “lobby” das poderosas operadoras de comunicação celular – a exemplo daquele infiltrado na área dos transgênicos envenenando boa parte de nossos alimentos – é forte demais. Conta com a anuência das autoridades constituídas e permissividade daqueles que por uns reais a mais desrespeitam seu próximo e a natureza que nos cerca.

Democrática e respeitosamente, os holambrenses deveriam ser ouvidos – sempre em primeiro lugar – sobre a tomada de decisões unilaterais que possam afetar, principalmente, sua saúde. Holambra não merece conviver com isto. Fica a mercê de interesses que não se coadunam com sua vocação.

Deixo registrado aqui meu veemente protesto por mais esta agressão ao nosso meio ambiente, à nossa saúde e à nossa qualidade de vida.