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Expressões que ouvimos cada vez menos no contato entre as pessoas. Efeito da globalização? Da vida corrida, paradoxalmente imposta pelo encurtamento de distâncias?  Falta de tempo dos pais para ensinar e filhos para aprender?

O perfil das sociedades em todo o mundo se transformou de tal forma que, hoje, dificilmente sabemos quem e o que realmente somos.  A globalização, aliada à internet, nos converteu em seres desfigurados. As máquinas, paulatinamente, foram ocupando o espaço antes reservado ao intelecto. Novas gerações sequer sabem calcular operações simples sem uma calculadora.  A escola, antes templo da educação, vive agora, mundo afora, em instalações protegidas, com seguranças às portas, câmeras dentro e fora dos recintos, algumas com detectores de metais, professores ameaçados, aulas dadas com microfones, alunos sendo educados para passar em vestibulares e universitários recebendo seus diplomas com um mínimo de qualificação.

A educação do ser humano, a ser feita desde cedo pelos pais, foi perdendo sua força com mães se profissionalizando – muitas vezes competindo com os próprios maridos – e ausentes no dia-a-dia da família. As “nannies” passaram a ter lugar de destaque na educação e, até mesmo, na orientação dos pais. Babás eletrônicas para todas as idades, televisões, games e chats ocupando o lugar antes dedicado aos deveres de casa e diversão criativa. Refeições em família? Difícil encontrar tempo para conciliar horários, momentos antes sagrados e consagrados ao entendimento, conhecimento e relacionamento.

A vida on-line e tempo real tem criado jovens e adolescentes desorientados, que se agarram ao álcool, drogas, sexo descompromissado, desconhecendo sua própria identidade. Toda a parafernália eletrônica disponível, o endeusamento do corpo e da beleza produzidas por foto-shops influenciando ingênuos, os fast-foods transgenizados e alimentos fertilizados em tecnicolor, transforma nossas sociedades em passageiros sem destino.

A vida parece ter se resumido a um apertar de botões, produção e recepção de imagens, troca e discussão de idéias por meio de teclas, dentro de um mundo virreal (termo que acabo de criar significando virtual-real). A massificação está nos tornando – sempre com felizes exceções – seres robotizados, sem que o percebamos.

Quanto mais ferramentas de conforto e lazer dispomos menor o tempo que temos disponível para criar, conversar, meditar. Em suma, sermos nós mesmos.

Se possível revertermos este quadro e deslumbrarmos novos horizontes, aqueles que dependem de nossa orientação agradecerão um dia, quem sabe, por termos lhes oferecido a oportunidade de serem eles próprios, eles mesmos.