Difícil calar-se e omitir-se diante de tal violência. Relatório da ONU nos informa que o sistema financeiro internacional recebeu no último ano quase dez vezes mais dinheiro público em ajuda do que todos os países pobres em meio século. Isto mesmo, 50 anos! Dez vezes mais em um único ano! Em 2008/2009, os bancos e outras instituições financeiras ameaçadas pela crise global receberam US$ 18 trilhões em ajuda pública.

Na última semana, a FAO (Organização para a Agricultura e Alimentação) afirmou que a atual crise deixará 1 bilhão de pessoas em todo o mundo passando fome. Simplesmente 15% da população deste planeta.

A crise financeira internacional, nascida nos Estados Unidos e levando o mundo a pagar a conta, está sendo tratada de tal forma que continua protegendo os mais ricos e aviltando os mais pobres.

Uma nova ordem econômica mundial está sendo costurada por aqueles que podem mais. Em Nova Iorque a ONU, entidade que perdeu seu rumo por não possuir autonomia de fato, tenta aparentar poder. Sob falsas justificativas, os Estados Unidos alegando legítima defesa e à revelia da organização invadiu o Iraque. A ONU, apesar da constrangedora situação, para dizer o mínimo, não pediu a aplicação de sanções porque tem ciência de que dois terços do seu orçamento vêm daquele país.

Recursos dispendidos em todos os conflitos, mundo afora, se usados na educação, saúde e alimentação de povos carentes e miseráveis poderia transformar o perfil dessas sociedades. A nova ordem econômica deveria contemplar em igualdade de condições aquela social. A retórica é sempre convincente. Populações famintas, no entanto, não se alimentam de palavras nem de promessas. Os interesses econômicos e financeiros sempre relegaram a um segundo plano as necessidades básicas do ser humano. Estas são atendidas apenas quando os investimentos feitos dão retorno, aquele mostrado em balanços. Na França do fim do século 18, Maria Antonieta, sua rainha, teria dito em folclórica frase aos que não tinham pão para comer: “se não têm pão dê-lhes brioches”.

O resultado está na história.