A política não me seduz. Faz-me lembrar o mundo do futebol. Profissionais assessorados por empresários, defendendo interesses de patrocinadores, adorando aparecer na mídia, sites na internet. Trabalhando duas vezes por semana têm direito a tratamento médico gratuito de alto nível e sem demora, viajam ao exterior com freqüência, se hospedam em hotéis cinco estrelas. Não têm o menor amor à sua agremiação. Começam nas equipes de base, buscam sua vaga no time de cima almejando chegar à seleção. Alguns adoram “ficar no banco” curtindo seus salários sem ter que fazer força ou se expondo. O presidente da confederação então, não perde um evento. Desde entregar a taça para o campeão da terceira divisão no interior do país até uma reunião da FIFA na Suíça… Estas são as semelhanças.

A política poderia até me seduzir. Ao nível municipal, começando pela vereança, se aqueles que se reúnem apenas uma vez por semana por poucas horas não recebessem qualquer tipo de pagamento. Verear é tarefa nobre. O reconhecimento público pelo trabalho realizado em prol das comunidades a que pertencem deveria bastar.

Se daí por diante as coisas fossem diferentes. Mas não são! Como já disse certa vez um político profissional já falecido: “é dando que se recebe”. Pobre São Francisco! As tentações, que fariam o santo corar, levam aqueles que optam pela “carreira” ao deslumbramento. Poder político, econômico, financeiro. Mordomias infindáveis e questionáveis. Talvez por isto precisem mesmo de imunidade parlamentar. A imunidade material, por exemplo, é aquela que garante ao parlamentar a não responsabilização nas esferas penal, civil, disciplinar ou política por suas opiniões, votos e palavras.

Você, simples mortal, pode ser processado por suas palavras ou opiniões, ainda que totalmente fundadas. Já aqueles… Assim não dá!