Decidir-se por uma profissão é coisa séria. Cursar uma faculdade por alguns anos para exercer uma profissão por trinta ou mais é uma das decisões mais importantes na vida de qualquer pessoa. A família e a escola deveriam ter como responsabilidade primeira orientar os filhos, desde cedo, a buscar o seu próprio caminho, detectando neles talentos inatos. Às vezes escondidos. Ensinando-os a se conhecerem, primeiro como pessoas.

Acredito que apenas a vocação e o talento façam a diferença na escolha consciente de uma profissão. Mas nem todos têm a coragem ou o respaldo de pais e parentes para aceitar sua realidade, confiar e respeitar sua voz interna. Não são poucos os que, chegada a hora, procuram optar por profissões que possam lhes render apenas dinheiro. Desconsideram que todas as profissões podem levar ao sucesso. Ayrton Senna, Ivo Pitanguy, Chico Buarque, Rubens Alves, Tom Jobim, Kaká, para citar alguns, não são ou foram expoentes em suas profissões por acaso.

A ansiedade de muitos pais em verem seus filhos na faculdade gera uma expectativa de efeitos imprevisíveis. Para muitos o dever está cumprido ao vê-los simplesmente formados. E isto me faz lembrar o Dr. Adib Jatene, que dispensa qualquer apresentação. Cursou engenharia até o último ano quando repensou a vida e fez vestibular para medicina. Com apoio familiar. Sua vocação, ainda em tempo, falou mais alto. Seu talento o transformou num dos mais renomados cientistas e cirurgiões mundiais. Quantos teriam essa coragem e receberiam esse apoio?

Estou entre aqueles que acreditam que os filhos devem ser criados para o mundo, não para nós. E para voar com suas próprias asas! Somos apenas o aeroporto seguro de onde eles decolaram um dia, ou partirão ainda, e para onde poderão regressar em qualquer momento de suas vidas.

Quiçá agradecidos!