Milhões de brasileiros, inclusive eu como péssimo aluno, estão recebendo aulas magistrais ministradas pelos digníssimos integrantes de nosso senatório… (do latim senatorius, relativo ao senado). Aulas que nos ensinam novos valores e princípios: malversação de fundos, uso do dinheiro público em benefício próprio, corrupção ativa e passiva, improbidade administrativa e mais outras tantas aulas que “matei” porque estive seguindo o exemplo de meus mestres: fazendo gazeta!

Se eles têm direito a três meses de férias por ano, recebendo generosos jetons – sem trabalhar –  enquanto passeiam mundo afora com as passagens doadas pelo seu e meu imposto de renda coletado na fonte, por que não posso, eu, gazetear? É bem verdade que as aulas que perdi serão dadas novamente e divulgadas pela mídia. É bem verdade, também, que as ditas não são muito esclarecedoras e muito mal explicadas; ficamos, então, sem choro nem vela, como ignorantes que somos, à mercê das interpretações professorais  de nossos ilustres mestres.

Em nome de uma pseudo-governabilidade, alianças burlescas de mero interesse eleitoreiro agem em detrimento da transparência e lisura de uma casa de leis eleita pelo povo. Desfaçatez!

As cartilhas que nos ensinaram a enfrentar a vida com honestidade, integridade, retidão de caráter, estão desatualizadas. São letra morta, mas reversíveis.

Não nos deixemos iludir nas próximas eleições pelo voto que resulta apenas da avaliação positiva de uma política econômica. Avaliemos os candidatos por sua condição de cidadão não comprometido e passado ilibado. A retórica e o marketing político fazem a cabeça de muitos, principalmente dos mais humildes sem acesso à informação. É hora, portanto, de voltar a estudar.

E de se contraditar a famosa frase de Rui Barbosa: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.”