Vivemos em um país feudo-imperial de fato. Ser amigo do rei e de seus vassalos garante imunidades aos alojados no poder. A ribalta onde estão instalados os “nobres”, mais de 500, em nada difere de uma confraria. Camuflados de homens e mulheres com ideologia política  enganosa iludem e agridem, acintosamente, aos seus ingênuos eleitores. Uma confraria que achincalha toda uma sociedade. Que vilipendia o país através de demonstrações espúrias de acordos furtivos.  Os confrades, irmanados, convictos da impunidade, advogam em causa própria às escondidas, com atos e votos secretos, sem qualquer pudor, confiando sempre na memória volátil do povo. Não é por outra razão que o voto no Brasil é obrigatório.

Escondidos atrás de comissões despudoradamente denominadas éticas, confrades desvinculam-se de suas convicções para atender aos mais abomináveis apelos da corte. Cortesãos de palavra morta, com voz moribunda, falando em nome da realeza, são incapazes de sustentar uma posição declaradamente magnânima. Submetem-se ao inominável. Manipula-se boa parte da população com marketing político vigoroso e enganoso, ao melhor estilo do sistema cesarista.

Já atravessamos ditaduras civis e militares, amordaçados pela censura, iludidos pela informação atrofiada. Como maus alunos, não aprendemos as lições. E continuamos a conviver com este calamitoso estado nebuloso.

Este não é, definitivamente, um país sério! Famosa frase proferida há décadas pelo ex-presidente francês Charles De Gaulle. Verdadeira até os dias de hoje.

Compactuar com atos repudiados pela opinião pública, sustentados por acordos confraternais, estimulados pelo poder maior, beira o limite do permissivismo.

A caixa preta do congresso aguarda ser aberta por aqueles que  corajosamente possam, um dia quem sabe, se dispor a transformar este grande país em um país sério. A chave está em nossas mãos!