Em minha crônica Vitalizar, abordei aspectos de nossa vida “virreal” e fui, também, abordado por leitores que questionaram sobre o outro lado da moeda. Seria eu contra os avanços da tecnologia que nos proporciona comunicação imediata em casos de perigo ou socorro? Que salva vidas que se encontram em situação crítica? Que permite dialogar com parentes em qualquer lugar do planeta a custos baixíssimos? Que nos coloca a par dos acontecimentos momentos após terem ocorrido? Absolutamente NÃO!

Seria insano duvidar sobre o que ferramentas ou máquinas, produtos da alta tecnologia, podem oferecer para beneficiar, e tentar simplificar, a vida do ser humano. No campo da saúde, estamos vivendo mais e melhor graças a ela. Podemos incluir nesse raciocínio, a educação, comunicações, transporte, alimentação. Mas minha grande questão é: até que ponto o ser humano está sendo beneficiado como deveria, e poderia, com as tecnologias? O homem, priorizando sua ganância e ambição desmedidas não tem limites nem consciência. No capítulo alimentação, comemos mais e pior em termos de qualidade.          Os transgênicos, fertilizantes e corantes colocam em risco nossa saúde tornando as sociedades mais obesas. Qualidade de vida? O sistema de transporte viário, que privilegia o usuário individual ao invés do coletivo, insere em nosso sistema de vida carros com “alta tecnologia embarcada” para dar maior conforto aos seus ocupantes imersos em mega-engarrafamentos. Usuários de ônibus – sem qualquer conforto, no entanto – são transportados como mercadorias ensacadas. Qualidade de vida? O transporte aéreo entulha passageiros em sua classe econômica, com o desconforto que a alta tecnologia de última geração não compensa. Qualidade de vida? A programação televisiva de cunho duvidoso, em alta definição, é negligente com a educação priorizando a comercialização. Qualidade de vida? A informática com suas múltiplas funções acelera operações e freia o contato humano. Quem serve a quem?

Sou a favor do desenvolvimento tecnológico, sim! Mas não posso compactuar com aqueles que usam o ser humano como veículo para enriquecimento de interesses egoístas relegando a um plano inferior o seu bem-estar real e qualidade de vida verdadeiramente saudável. O ser humano merece SER.