Até o século XIX os casamentos eram fruto de interesses comerciais e políticos. Os tempos mudaram e ao se casarem no civil os nubentes passaram a assinar um contrato. Tecnicamente, um contrato entre o Estado e duas pessoas. Por isto realizado em Cartório de Registro Civil (eventualmente em local diverso) por um juiz e precedendo, sempre, ao ato religioso. É devidamente regulamentado pelo Código Civil Brasileiro, com mais de 300 artigos, e realizado apenas entre um homem e uma mulher (no Brasil).

Normalmente as pessoas não assinam qualquer tipo de contrato sem antes estudá-los minuciosamente ou submetê-los previamente a apreciação de um advogado. Financiamento para compra de carro ou casa, por exemplo. Mas para a celebração de uma união formal a atenção já não é a mesma. Desconheço algum casal que tenha tido a curiosidade de se informar sobre a legislação vigente antes do casamento.  Não são poucos os que o fazem depois que – perdoem a figura de linguagem – a vaca já foi para o brejo. E se surpreendem com os quesitos referentes a direitos e obrigações. Para alegria de seus advogados. A exceção fica para ricos e famosos com seus meticulosos contratos pré-nupciais.

Com a mudança dos costumes nas últimas décadas as pessoas estão se unindo de uma forma, a meu ver, mais autêntica e consciente. Aquele ritual de namorar, noivar e depois casar nunca foi passaporte para a felicidade de ninguém. Até porque os casais só começavam a se conhecer realmente, no dia-a-dia, depois. Depois do contrato assinado!

Acredito na união de duas pessoas que se complementam buscando a realização afetiva através de uma vida em comum. Pessoas com histórias diferentes, formação distinta, hábitos nem sempre coincidentes.

Justamente por isto é que acredito, também, que apenas a superação das diferenças faz a diferença no sucesso de um casamento.