Homens e mulheres sempre foram ávidos pelo poder. Faz parte da natureza humana. A sensação de ter o domínio absoluto, controlar, acreditar que podem mais que outros, serem bajulados pelos fracos e ineptos, desfrutarem de regalias negadas aos simples mortais tornam os poderosos ilusoriamente onipotentes. São temidos, mas não respeitados. Em qualquer estrato da sociedade.

O abuso, o autoritarismo, a coerção para exercer a autoridade, freqüentes no exercício do poder, terminam por gerar conflitos muitas vezes incontroláveis. Na política, poucos não perdem sua identidade e dignidade distanciando-se da ética e da moral para a ele terem acesso. A confiança entre pares não raro se transforma em suspeita, a lealdade é sempre questionada, as fraquezas escondidas, as regras letra morta. Inimigos de ontem se transformam em amigos de hoje como que por um passe de mágica.

Poderosos não diferem muito de amantes apaixonados.  Ficam cegos perante a mais lógica das razões, surdos aos clamores dos sensatos e mudos se apanhados em flagrante delito.

Fomos expostos ao poder do poder ainda quando crianças. Nossos pais exerciam suas vontades e a nós não restava alternativa outra que não fosse a da submissão. Os anos passaram, os hormônios tomaram conta dos sentidos, a rebeldia se instalou – ainda que surda – o grito pela pseudo-liberdade preso na garganta. Viramos gente e continuamos nos defrontando com poderosos aqui e ali; até mesmo nos tornando um deles dependendo das circunstâncias. Secretamente, o poder age como agente de realização. Conseguir que objetivos sejam atingidos pela sua ótica dá a sensação de superioridade.

Na família, na vida profissional, na política o poder não se esconde. Como em uma gangorra, existe sempre alguém mandando e alguém obedecendo. Sabe-se que o poder corrompe e que o poder absoluto corrompe absolutamente. Administrar o nosso, mantendo o fiel da balança em equilíbrio é uma arte.

E que arte!