“Este medicamento pode ser prejudicial à sua saúde. A persistirem os sintomas um médico deverá ser consultado.”

Esta mensagem é transmitida por alguns segundos, sem nenhum alarde, após anúncios de medicamentos pela televisão. Fármacos que podem comprometer a saúde daqueles que venham a fazer uso indevido dos produtos. Daí o “alerta”. Uma forma imoral de tentar isentar laboratórios farmacêuticos de qualquer responsabilidade legal por problemas advindos do uso incorreto de remédios comprados sem receita médica.

A indústria farmacêutica irresponsável e gananciosa conta – até este momento – com a conivência dos órgãos de comunicação não sofrendo qualquer restrição por parte do CONAR (Conselho Nacional de Auto-regulamentação Publicitária) e do Ministério da Saúde que faz vistas grossas para a perpetração dessa barbaridade.

O Brasil é, notoriamente, um dos países que mais fazem uso da automedicação. Cultura nossa e permissividade das autoridades constituídas têm contribuído para esse estado de verdadeira calamidade pública.

Apenas 25% de todos os medicamentos consumidos no país é resultado de indicação médica. A Comissão Internacional de Controle de Narcóticos da ONU constatou que o Brasil lidera o ranking mundial de consumo de moderadores de apetite.

Com  um deplorável e ineficiente sistema público de saúde e uma medicina privada lamentável onde médicos de convênio são obrigados a fazer consultas de no máximo 20 minutos por paciente, não é de surpreender que tantos se automediquem por aqui.

Alie-se esta caótica situação à extensa rede de distribuição de produtos dos laboratórios farmacêuticos, politicamente protegidos por poderosos lobbies, e teremos: medicamentos caros, acondicionados em sofisticadas embalagens que oneram ainda mais o consumidor sem opção e vendidos em quantidades superiores às normalmente receitadas.

Não é por outra razão que a segunda indústria mais lucrativa do planeta agradece a impotência da sociedade. Impotência sem remédio!

*  Medicamento