Os animais não falam, mas conversam. Os pássaros em particular se comunicam como que integrantes de uma orquestra sinfônica sem maestro.

Não foram ensinados a cantar assim como não estudaram engenharia para construir seus ninhos. Berços formados com penas e palhas que, a serem construídos por humanos, requereriam cálculos sofisticados para chegar à perfeição dos seus. A logística fica por conta da mãe natureza que se encarrega de prover a orientação e o conhecimento necessários para a sobrevivência da espécie.

Os humanos, deixando um pouco de lado a sofisticada tecnologia e o conhecimento factual poderiam se deixar levar, quem sabe, um pouco mais para o lado empírico da vida.  Perdemos a espontaneidade,  a capacidade de perceber. Temos sido induzidos a raciocinar logicamente. Fomos ensinados a falar, caminhar, andar de bicicleta. A nos ocupar e preocupar com os ensinamentos acadêmicos, comportamentais, de resultados.

Permanecemos escravos libertos sem alforria procurando aqui e ali o que fazer com a liberdade. Liberdade limitada que pássaros engaiolados e tolhidos também têm. As emoções represadas nos negam, não raro, a capacidade de atuar livres de qualquer constrangimento. Observamos e somos observados. Julgamos e somos julgados. Condenamos e somos condenados.

O tempo que reservamos para contemplação de tudo aquilo que a natureza nos oferece gratuitamente, com exceções, é ínfimo. Faço alusão aos pássaros que sem bússolas, radares, manuais explicativos ou sexologia, procriam, se alimentam, cuidam dos seus, encontram rumos e climas propícios para sua subsistência. E de quebra, ainda nos brindam sem ônus com seus gorjeios se soubermos acolhê-los e respeitá-los em seu ambiente.

Pássaros não falam e se comunicam. Seres humanos falam e nem sempre o fazem. Apesar dos cursos de redação, retórica, impostação e derivados.

Essas criaturas que se recolhem ao anoitecer e se apresentam logo ao raiar da manhã alegremente também apreciam o silêncio em seus habitats.

Quem sabe possamos um dia aprender a falar menos e a cantar mais, raciocinar menos e perceber mais, olhar menos e enxergar mais!

Quem sabe?…