“Os políticos e as fraldas devem ser mudados freqüentemente e pela mesma razão” (Eça de Queiróz)

Antigamente dizia-se que algo corriqueiro era carne de vaca. Época em que a carne era farta, abundante, sem hormônios e de preço accessível a toda a população. Os tempos mudaram, as vacas continuam vacas se bem que a confusão permanece, pois raramente se come carne da própria e sim de boi mesmo. Vaca que se preza e boa de leite, não vai para o matadouro. Enriquece o dono.

Um dia surgiu o termo vaquinha, expressão idiomática que significa coletar dinheiro entre diversas pessoas para atingir a um propósito. Coisa de estudantes, de gente “dura” e até de gente que elegemos e colocamos no Taj Mahal brasiliense. Que abriga também as conhecidas (vaquinhas) de presépio – políticos menores sempre submissos à vontade das chamadas lideranças – para agirem em benefício próprio.

A simpática vaquinha estabulada em Brasília, de fertilidade ímpar, produzindo em cuecas e meias, alimenta as bolsas de famílias inteiras que mais lembram aquelas do sul da Itália e de Nova Iorque. Com direito a ameaças e retaliações para salvaguarda dos poderosos e intocáveis iô-iôs: aqueles que vão, e sempre voltam, e que deitaram e rolaram no Distributivo Federal recentemente, palco da mais recente ordenha.

Apesar das evidências inquestionáveis, filmadas e gravadas, houve quem ainda tivesse dúvidas – e não foram poucos – sobre a existência dos fartos úberes. Ao melhor estilo do que ensina Confúcio: não olhe, não ouça, não fale.

A certeza da impunidade, a proteção corporativista, a improbidade jurídica, leva ocupantes das casas do Congresso e palácios de governos a se locupletarem sem o menor pudor. Por isso, são eleitos neste país candidatos com ficha suja, conhecidos da justiça eleitoral, que procuram e conseguem refúgio atrás da imunidade parlamentar para continuarem com suas negociatas.

São muitas as tetas da Nação e muitos os sinecuras (aqueles com emprego rendoso e de pouco ou nenhum trabalho) travestidos de representantes do povo. Ninguém vai ficar chorando pelo leite ora derramado.

Até porque ordenhadores cautos e incautos jamais deixarão a vaca ir para o brejo.