A chacina ocorrida recentemente na maior base americana dos EUA, Fort Hood no Texas, nos mostra um lado pouco divulgado das guerras.

O major-médico psiquiatra, autor dos disparos que mataram 13 e feriram 30 pessoas trabalhava no aconselhamento aos soldados prestes a partirem para as guerras no Afeganistão e Iraque. E àqueles que a elas sobreviveram e retornavam. Conhecedor profundo dos traumas causados pela dura e cruel realidade da frente de combate estava aterrorizado com a possibilidade de ser mais um a tomar o caminho do matadouro.

Os dois países já foram  alvo de diversas invasões ao longo da história. O Afeganistão, em 1979 pela ex-União Soviética, na luta contra o Talibã por 18 anos, sem sucesso. Em 2001, por uma coalizão liderada pelos EUA, em resposta ao ato terrorista de setembro do mesmo ano, que permanece lá até hoje.

Nova coalizão liderada pelos EUA invade o Iraque em duas ocasiões: 1990 e 2003. Fatalidades no primeiro conflito: pouco mais de mil soldados dos aliados e cerca de cem mil iraquianos. No segundo, mais de 4.300 soldados americanos já perderam a vida sendo que 53% deles com menos de 24 anos de idade. E a ocupação continua.

A guerra é devastadora não apenas nos campos de batalha, mas também depois, quando os sobreviventes retornam para casa mutilados, psicologicamente abalados, quiçá moralmente destruídos pelo que assistiram e fizeram.

O poder econômico, mola propulsora de todos os conflitos, movimenta bilhões de dólares com a “indústria da guerra”. Centenas de milhares de militares mundo afora envolvidos antes, durante e depois das guerras, são a razão de ser para o desenvolvimento dos negócios e inegáveis lucros de empresas supridoras de: uniformes, calçados, segurança privada, medicamentos, alimentos, matéria prima para construção de veículos, navios e aviões, reposição de peças, armamentos, combustível, equipamentos de comunicações, desenvolvimento tecnológico.

Fico com a triste impressão de que a guerra é, literalmente, um grande negócio! Negócio do qual política e economicamente dependem muitos e que precisa estar sempre presente em algum lugar.

O ciclo de uma guerra se encerra com vencedores financiando vencidos, oferecendo tecnologia e serviços para reconstrução do país arrasado propiciando novos e mega lucrativos negócios para governos, indústrias e prestadores de serviços.

Negócios lucrativos pagos com vidas que na imensa maioria das vezes sequer tiveram a chance de aprender a negociar um dia.