Terça feira, 10 de novembro de 2009, 22h13min. Dezoito estados da federação ficam sem energia elétrica gerando pânico em passageiros de metrôs, em pacientes de hospitais sem geradores, em inseguros pedestres nas ruas, em pessoas presas nos elevadores. Redes de abastecimento de água foram interrompidas por mais de 24 horas deixando milhões de usuários em dificuldades.

Informações desencontradas durante todo “dia seguinte”, pelo operador do sistema e representantes das geradoras e distribuidoras de energia, levaram o governo a se manifestar. Foi delegada ao Ministro das Minas Energia a responsabilidade de esclarecer à nação as razões do incidente ou acidente.

Quem teve a oportunidade de assistir ao vivo pela TV a anunciada entrevista do governo, às 17 horas de quarta feira, dia 11, deve ter ficado pasmo: câmeras focadas sobre o ministro não o deixavam esconder sua preocupação em ler por vários minutos o texto que tinha em mãos, folheando páginas, fazendo anotações sopradas por auxiliares. Inegável impressão de que desconhecia seu conteúdo. A reportagem ao vivo impedia cortes de edição para amenizar a embaraçosa situação.

Situação constrangedora revelando o despreparo de autoridades para enfrentar momentos em que a encenação deve dar lugar à competência. Explicações ministeriais, apesar de elaboradas, foram contestadas por técnicos e cientistas do ramo quando São Pedro foi acusado de ser o responsável pela hecatombe liberando chuvas, raios e ventanias.

Em outro momento, ao vivo e a cores, como em ópera bufa, assistiu-se a uma contundente manifestação: se a terra fosse quadrada intempéries em uma região jamais atingiriam as do outro lado. Mas como terra é redonda, e gira… Bingo!

Menos de 24 horas após o grotesco pronunciamento do ministro sobre as causas, evitando mencionar os efeitos, vem ele a público “decretar que o assunto estava encerrado pelo governo”. Endossado pela ex-ministra da Pasta. Ao melhor estilo dos tristes anos de chumbo. Aqueles da ditadura!

Só que agora está mais difícil vender gato por lebre… tanto a cristãos como a pagãos. E não por acaso, no dia seguinte à divulgação do “decreto” o Palácio do Planalto apressou-se em pedir maior profundidade nas investigações desdizendo seus subordinados.

São Pedro agradeceu.